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Copa do Mundo de 2014


Seleção encontra seu "Messi" para enfrentar a Argentina




Shaqiri (Daniel Christen/EQ Images)
(Daniel Christen/EQ Images)

A Suíça vence Honduras por 3 a 0 e garante a disputa com a Argentina nas oitavas de final. A imprensa suíça elogia a atuação da equipe, especialmente do autor dos três gols, Xherdan Shaqiri, mas lembra que "na terça feira que vem, a Suíça precisará de mais de um craque para conseguir confrontar a Argentina".

Muitos torcedores da Suíça já não tinham muitas esperanças para o jogo marcado para ocorrer em 25 de junho na Arena da Amazônia, em Manaus. Depois da goleada sofrida contra a equipe francesa, as lembranças estavam voltadas também para a decepção de 2010. Foi quando, em situação semelhante, a seleção de Ottmar Hitzfeld havia sido eliminada na África do Sul após ficar no 0 a 0 com a já quase eliminada Honduras na última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo.

Ontem a situação foi completamente diferente. Xherdan Shaqiri, o jogador suíço de origem albanesa, marcou um gol aos seis minutos do primeiro tempo, um recorde. Depois mais dois gols: um aos 31 minutos do 1º tempo e terceiro, aos 25 minutos do 2º tempo. "De bode expiatório a herói da nação", titula site da Televisão e Rádio Suíça. "Ele cumpriu a sua palavra e transformou as ações em atos, levando a Suíça para as oitavas. Depois da sua convincente atuação contra Honduras, Xherdan Shaqiri é festejado pela mídia suíça".

O Tages-Anzeiger prefere ser mais sóbrio, mas não deixa de homenagear a performance de Shaqiri. "Ele fez o que faz de melhor e o que sempre deveria ter feito: jogou futebol e não ficou dando uma de diva". E para complementar, o NZZ não deixou de mencionar também a equipe como um todo. "Foi um desempenho forte, que levou à vitória. Os suíços voltaram, apesar das difíceis condições trópicas de Manaus, às suas comprovadas qualidades do jogo simples, depois de terem se perdido durante a Copa em tentativas individuais e finalmente ter pago por isso."

Redenção depois das críticas

De fato, o jogador de 22 anos estava no centro das críticas depois da derrota sofrida contra a França. "Porém foi exatamente ele que conquistou a vitória para a Suíça", lembra o NZZ. "Depois de dois jogos difíceis na Copa, Xherdan Shaqiri conseguiu se reencontrar e marcou todos os três gols", comenta o jornal mais prestigioso do país, lembrando também de elogiar a atuação dos outros jogadores. "A seleção de Ottmar Hitzfeld (treinador) mostrou coesão e teve uma atuação bastante sólida".

Também o Basler Zeitung se lembrou dos dias de inferno astral vivido pelo grande astro da seleção helvética. "Shaqiri, Shaqiri, Shaqiri = oitavas de final...Ainda no início da semana o jogador estava profundamente ferido e chateado com as cáusticas críticas que seguiram a derrota de 2 a 5 contra os franceses. Ontem o antigo jogador do Basel Futebol Clube demonstrou seus talentos no campo. Os sul-americanos não conseguiram em nenhum momento segurá-lo".

O Berner Zeitung chega até a se questionar se o resultado de ontem não poderá acenar novas perspectivas. "Shaqiri, atacante do famoso Bayern de Munique, gostaria de se recomendar durante essa Copa para outros clubes com a mesma importância, onde ele poderia estar mais ativo. A atuação de ontem foi uma amostra exemplar: Shaqiri driblava, liderava, chutava como se seu futuro dependesse da partida".

Nosso Messi

Jornais como o Aargauer Zeitung chegaram mesmo a colocar o jogador no olimpo do futebol internacional e perdoa as falhas passadas da equipe nacional. "Nós também temos um Messi...Obrigado Xherdan Shaqiri! De fato, a seleção suíça não é tão imatura, sem paixão ou emoção como temíamos depois dos dois jogos contra o Equador e a França. Como previa o treinador Ottmar Hitzfeld, a Suíça conseguiu se qualificar para as oitavas de final. A última vez que chegou tão longe, em 2006, ela já estava satisfeita".

O Blick, jornal populista de tiragem elevada, não poupou elogios. "A pressão era enorme. As condições prévias e as condições eram muito difíceis. Mas os suíços conseguiram se recompor. Eles superaram com bravura esse teste de caráter e exame de maturidade...Xherdan Shaqiri é o homem para o momento decisivo, momentos incomuns. E sob pressão ela dá mais de si. Quando precisa montar o jogo, talvez seja a solução para o futuro". 

O Tagblatt coloca o jogador suíço também nos livros de história. "Com sua atuação, Shaqiri se torna o 50° goleador de três gols em uma partida na história das Copas do Mundo. O último suíço que conseguiu isso foi Seppe Hügi, em um jogo da Copa do Mundo de 1954 contra a Áustria". Todavia o jornal se mostra cauteloso em relação à força dos oponentes. "Na terça feira que vem, a Suíça precisará de mais de um Shaqiri para conseguir confrontar a Argentina".

No ritmo da música

Enquanto isso, na Suíça de língua francesa, os jornais comemoram com os torcedores a vitória da Nati, lembrando, como os jornais L’Express e L’Impartial, de Neuchâtel, que “Manaus não foi a cova da Suíça” e que o craque Xherdan Shaqiri, autor dos três gols da classificação, está “pronto para dançar um tango argentino”.

A alegria dos suíços foi acompanhada de perto e é manchete em todos os jornais da região. Assim, o La Liberté, do cantão de Friburgo, seguiu a partida na “fan zone” criada especialmente para conter a agitação das torcidas que acabaram invadindo a cidade em carreatas, iniciando um “baile de buzinadas” até altas horas da madrugada.

O 24 Heures, estampa uma imensa foto de Drmic e Shaqiri comemorando a vitória e diz que o técnico Otmar Hirtzfeld e o astro da partida estão “orgulhosos e aliviados” com a classificação para as oitavas de final. “O que vier agora é lucro”, declarou o técnico, acrescentando que “a equipe sabia que era preciso sofrer para chegar lá”.

Por sua vez, o Le Matin tentou arrancar dos jogadores suíços o segredo para segurar Messi no próximo encontro com a Argentina em São Paulo, na terça-feira. “Eu vou contar depois do jogo”, ri o zagueiro Johan Djourou, que diz que “o tapa da França serviu para acordar todo mundo”. Já o meio de campo Granit Xhaka deixa escapar um pouco da estratégia, “o técnico optou por uma rocada tática entre eu e o Shaquiri que funcionou perfeitamente”, diz para explicar a posição pouco clássica assumida no jogo.

As severas críticas feitas pela imprensa suíça após a derrota para a França não abalou o craque da partida contra Honduras. "Em última análise, eu nem quero saber o que é dito ou escrito sobre mim, só quero jogar futebol. Estou muito orgulhoso da equipe, porque sem ela eu nunca teria marcado três vezes. Marcamos gols, fizemos um belo jogo. Entramos no campo para jogar como uma equipe. Ajudamos uns aos outros. Estou muito feliz com o resultado. Fazer um hat-trick na Copa do Mundo é algo especial. Vou guardar a bola do jogo para lembrar disso toda a minha vida", diz Xherdan Shaqiri, com a bola Brazuca nas mãos como um troféu.

O jogo

A Suíça impôs uma marcação forte no meio de campo desde o início da partida.

A seleção europeia conseguia provocar o erro de passe dos hondurenhos e, com a estratégia, teve a primeira chance logo aos três minutos, quando Drmic ganhou de Bernárdez e cruzou para chute de Shaqiri. Valadares defendeu. Na segunda chance que teve, aos cinco minutos, o meia suíço fez um golaço com um chute de esquerda no ângulo . Dois minutos depois, o meia suíço recebeu no campo de ataque, puxou para esquerda e chutou no ângulo para abrir o placar.

Na sequência, Honduras chegou a equilibrar a partida, mas não criava chances claras de gol.  Insistia em jogadas pelo meio, mas não tinha lances agudos. A equipe tocava bastante a bola no meio em busca de espaço na defesa adversária.  Aos 25  minutos, por exemplo, a seleção da América Central tinha 61% da posse de bola, mas o número não representava domínio da partida. Nos contra-ataques, os europeus eram mais perigosos.. Foi assim que a Suíça fez o segundo gol, novamente com Shaqiri, aos 30 minutos de jogo. O craque recebeu passe de Drmic e, na frente do goleiro, tocou no canto para ampliar.

O gol não mudou as características do jogo. Honduras, com muitas dificuldades de abrir espaço, e a Suíça mais próxima do terceiro gol, que quase aconteceu com chute para fora de Xhaka (aos 36 minutos) e nas tentativas de Drmic (aos 42 e aos 46).

Os números do primeiro tempo explicavam a partida. Mesmo com 62% de posse de bola, Honduras só havia finalizado cinco vezes, enquanto que a Suíça chutou nove vezes.

Segundo tempo – Para a etapa final,  Honduras voltou mais objetiva e, por muito pouco, não diminuiu o prejuízo aos três minutos com Bergston, depois de cruzamento na área. No entanto, três minutos depois, o mesmo atacante teve a chance mais clara quando, dentro da área, tocou com o gol aberto, mas o lateral suíço Rodríguez afastou em cima da linha. Na pressão hondurenha, Jerry Palacios pediu pênalti aos 15 minutos quando teria sofrido falta de Djourou, e depois em cabeceada perigosa de Bengston.

De nada adiantou a pressão porque Honduras sofreria mais um golpe aos 25 minutos. Em novo contra-ataque, Drmic atravessou o campo e tocou para o artilheiro da partida. Shaqiri chutou rasteiro à direita do goleiro para fazer o terceiro dele e da Suíça.  A classificação estava decretada.

Ficha do jogo
Honduras 0 X 3 Suíça
Arena da Amazônia - 25 de junho de 2014

Suíça: Benaglio, Lichtsteiner, Djourou, Schär e Ricardo Rodriguez, Inler, Behrami e Shaqiri (Dzemaili), Xhaka (Lang), Mehmedi  e Drmic (Seferovic). Técnico: Ottmar Hitzfeld

Honduras: Valladares, Beckeles, Bernardez, Figueroa e Juan García, Claros, Wilson Palacios, Espinoza (Marvin Chavez) e Boniek García (Andy Najar), Costly (Jerry Palacios)  e Bengston Técnico: Luis Suárez

Árbitro: Nestor Pitana (ARG)Auxiliares: Hernan Maidana (ARG) e Juan Pablo Belatti (ARG)

Cartões amarelos: Jerry Palacios (Honduras)Gols: Shaqiri (aos 6 e aos 31 minutos do 1º tempo, e aos 25 minutos do 2º tempo)

Público: 40.322 pessoas.

Fonte: Portal EBC

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