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Correios rumo ao futuro


Menos cartas obrigam empresa a procurar novos empreendimentos




Triagem de cartas em um centro dos Correios Suíços. ()

Triagem de cartas em um centro dos Correios Suíços.

A entrada em novos mercados é uma aposta que as empresas de correios fazem frente a um mercado global cada vez mais competitivo e à redução constante de volumes transportados no mercado interno.

A tendência é exemplificada por uma fusão recentemente ocorrida entre os Correios Suíços e a "La Poste" francesa.

"Embora a fusão de 2012 da divisão internacional dos Correios Suíços (SPI, na sigla em inglês) e a divisão global 'La Poste' tenha sido finalizada no papel, ainda há muito que se discutir", afirma Ulrich Hurni, diretor da PostMail (unidade da empresa responsável pelo processamento de cartas e jornais) e presidente do conselho de administração da recém-fundada Asendia.

Hurni explica que é preciso ainda fusionar os escritórios no exterior e os empregados nas centrais em Berna e Paris se acostumarem a trabalhar juntos. Assim a Asendia poderá se tornar um ator relevante no negócio global de correios. O objetivo da empresa é ultrapassar a DHL, uma empresa do grupo dos Correios Alemães, líder mundial no setor de transporte internacional de volumes.

Hurni reconhece a posição da DHL, mas acrescenta: "Temos a visão de se tornar o líder de mercado e superá-la algum dia."

O objetivo parece ser ambicioso, levando-se em consideração o peso atual da DHL no mercado de transporte marítimo internacional de mais de 30%  na Europa. Porém Matthias Finger, professor na cadeira de administração de indústrias de rede, criada pelos Correios Suíços na Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL, na sigla em francês), explica que a ideia por trás da fusão entre a SPI e a "La Poste" faz sentido.

"Como a maior parte das empresas helvéticas, os Correios Suíços são grandes demais para o mercado interno e pequenos demais no mercado internacional", afirma. "A fusão realizada com essa unidade dos Correios Franceses permite que eles se tornem verdadeiros atores globais."

Tanto Finger como Hurni declaram que os suíços têm uma vantagem muito clara ao levar seus serviços postais para o exterior: um grande número de empresas baseadas na Suíça já possui unidades que operam no exterior, o que cria uma demanda para os serviços oferecidos pelos Correios Suíços fora do país.

"A estratégia (de expansão internacional) original foi sempre de ir atrás das multinacionais suíças no exterior e expandir a partir disso", declara Finger. "Isso dá (aos Correios Suíços) uma vantagem em relação a outros países de tamanhos similares como a Finlândia ou a Dinamarca, que não possuem tantas empresas multinacionais para acompanhar."

Dois melhor que um 

Apesar do clima de negócios ser propício, os Correios Suíços não seguem historicamente uma agenda particularmente agressiva no exterior, lembra Finger. Ao contrário, eles se concentraram sempre em poucos mercados específicos oferecendo soluções de apoio logístico através de uma divisão específica da empresa.

"Penso que estão fazendo a coisa certa. O fato é que os Correios Suíços são uma empresa pequena em um país pequeno", reflete. "O governo lhes dá uma certa liberdade, mas por outro lado é uma estatal que não tem permissão para assumir muitos riscos."

James Campbell, consultor de política postal, afirma que os franceses do La Poste também se mostraram bastantes conservadores no passado, uma percepção que provavelmente explica a fusão de sua divisão internacional com a divisão 'Swiss Post International', um movimento possivelmente desesperado para manter a empresa competitiva internacionalmente.

"A análise da atuação dos franceses nos últimos dez ou quinze anos é que eles têm sido lentos na adaptação aos mercados", considera Campbel. "Eles têm estrategistas muito inteligentes, mas em geral não conseguiram entender que o mercado está mudando e que ficaram para trás, talvez até sem conseguir alcançar."

Finger ainda considera que a parceria firmada entre os Correios Suíços e a La Poste tenha sido o melhor cenário de fusão disponível.

"As suas empresas são muito semelhantes como serviço postal", ressalta. "Os franceses também são uma estatal e atuam no setor de serviços financeiros. Olhando de forma global, não sei o que poderia ter sido melhor."

Serviço postal moderno 

Fusões como as da SPI e a La Poste tornaram-se uma forma de se aproveitar da infraestrutura criada quando muitos serviços postais viviam o seu pico de trabalho, diz Kenneth McKeown, diretor de desenvolvimento de mercados na União Postal Universal.

"O declínio do volume de cartas transportadas e da rentabilidade das empresas na maior parte dos países mostram que a infraestrutura criada para um cenário de grandes volumes se tornou um peso financeiro para elas. Funcionários contratados para realizar certas tarefas tradicionais precisam ser deslocados a outras funções e o maquinário empregado na triagem de pacotes modernizados para a aplicação em novos mercados", diz.

McKeown indica a Suécia e a Dinamarca como exemplos extremos, já que os dois países fusionaram os serviços de correios em uma só empresa há três anos.  No entanto, o especialista também aponta que há partes do mundo onde a correspondência no sentido tradicional - o envio de cartas e pequenos pacotes - ainda é um negócio em expansão.

"Os países emergentes são um pouco uma exceção da regra", ressalta. "Brasil, Índia, China e Rússia vivem atualmente uma boa situação no seu mercado de transportes de correios, o que significa que nenhum de nós está defendendo a morte desses mercados. Eles estão apenas mudando. Os países em desenvolvimento ainda têm muitas cartas para transportar.

Novos negócios 

Embora as diversificações e fusões tenham se tornado uma estratégia para manter a lucratividade dos serviços postais, em uma era onde a demanda está se transformando, muitas dessas empresas ainda precisam cumprir mandatos públicos ou assumir determinados serviços segundo esquemas ultrapassados. Campbell, acompanhado de outros analistas, considera que os Correios Alemães deram um passo adiante ao expandir suas atividades no exterior através da criação de uma empresa de logística internacional e correio expresso, a DHL.

Hurni considera que o novo papel da recém-criada Asendia é claro e simples: prover soluções para o transporte internacional de volumes. Para ele, muito mais do que isso seria ultrapassar o mandato que o governo federal deu ao serviço postal.

"O que não iremos fazer, e o que também penso que não devemos estar autorizados a fazê-lo, é investir em outros países em infraestrutura", afirma.

"Nunca teremos grandes centros de triagem no exterior. É porque digo que a Asendia é uma empresa de vendas sem uma grande infraestrutura. O que necessitamos são bons produtos, qualidade, bons sistemas de informática e, obviamente, bons vendedores. É tudo."

Divisões dos Correios Suíços

Como parte dos esforços de diversificação atualmente em curso, o grupo dos Correios Suíços (Swiss Post) se compõe de seis divisões, incluindo um braço internacional.

PostFinance – o braço financeiro dos Correios Suíços oferece serviços para pagamentos e alguns serviços bancários. Recentemente a empresa recebeu uma licença para operar como banco, permitindo-a a oferecer um amplo leque de serviços financeiros, mas não para emissão de títulos ou

hipotecas. A PostFinance planeja de se separar dos Correios Suíços no verão de 2013 e tornar-se uma empresa independente. 

Asendia (ex-divisão internacional dos Correios Suíços) - o braço internacional de transporte de volumes dos Correios Suíços, que recentemente se fundiu com a divisão internacional dos Correios Franceses (La Poste) para prover serviços de logística internacional e correio expresso.

Swiss Post Solutions – divisão dos Correios Suíços responsável pela oferta de serviços de apoio logístico.

PostMail – unidade responsável pelo processamento de cartas e pacotes.

PostBus – braço responsável pelo transporte pessoal através de uma rede de ônibus que percorre todo o país.

Post Office & Sales – responsável pela administração da rede de filiais e pontos de vendas através do país.


Adaptação: Alexander Thoele, swissinfo.ch



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