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O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, irritou-se durante um debate com o presidente israelense Shimon Peres sobre a guerra em Gaza e abandonou o Fórum Econômico Mundial.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu US$ 613 milhões à comunidade internacional para ajudar os palestinos a se recuperarem dos ataques israelenses.

Perspectivas do mercado de energia para 2009, valores fundamentais do capitalismo, uma conversa com Bill Clinton e um debate sobre a situação no Oriente Médio – estes foram os principais pontos da agenda do segundo dia do Fórum Econômico Mundial (WEF).

Sobre os valores fundamentais do capitalismo, como o primado da iniciativa privada sobre o Estado, a livre concorrência e a liberalização dos mercados internacionais, geralmente há consenso em Davos. Isso também não mudou com a crise. O que se sente de novo no WEF é o temor de que vêm aí uma nova onda de protecionismo.

Na conversa de Bill Clinton com o fundador e presidente do WEF, Klaus Schwab, o ex-presidente norte-americano comparou a atual situação do mercado financeiro a uma casa em chamas. "Primeiro temos de apagar o incêndio", disse. Quanto às saídas para a crise ouve-se mais perguntas do que respostas em Davos.

A questão central é se os "incendiários" de outrora agora são os mais preparados para atuar como "bombeiros". O ex-secretário-geral da União Democrata Cristã (UDC) da Alemanha, Heiner Geissler, acha que não.

"Os participantes do WEF foram incapazes de humanizar a globalização. Sua ideologia da crença no mercado levou o capitalismo à falência", disse Geissler na 10ª edição do Public Eye, evento promovido pela ONG Declaração de Berna e pelo Greenpeace, que reúne críticos do WEF nos Alpes suíços.

Discussão acalorada sobre Gaza

O segundo dia de debates em Davos só esquentou à noite. Numa mesa redonda sobre a guerra em Gaza, as emoções transbordaram. O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou Israel de ter cometido um genocído na Faixa de Gaza. Depois Erdogan abandonou irado a sala.

Antes disso, o presidente israelense Shimon Peres havia defendido a operação militar israelense. "Israel se retirou completamente da Faixa de Gaza e arrancou seus assentamentos, forneceu água, alimentos e dinheiro. Em troca, nós recebemos mísseis do Irã", disse Peres, referindo-se aos ataques do Hamas. Segundo Peres, o problema são as ambições do Irã no Oriente Médio. "Teerã fornece mísseis ao Hamas e Hisbollah."

Enquanto Peres fazia um veemente monólogo de defesa da ofensiva de Israel, o microfone do primeiro-ministro turco foi desligado. Erdogan então gritou para Peres: "Vocês estão matando pessoas em Gaza". Peres, com o dedo indicador em riste, respondeu a Erdogan que ele faria o mesmo se foguetes fossem lançados contra Istambul, maior cidade da Turquia.

Erdogan, muito irritado, deixou o palanque, onde também estavam o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o secretário da Liga Árabe, Amr Mussa. "Não acho que voltarei a Davos", declarou. O premier turco desejava responder a uma longa intervenção de Peres, mas o colunista do Washington Post David Ignatius, que mediava o debate, o interrompeu insistentemente para assinalar que o debate estava encerrado.

Schwab, o "bombeiro"

Klaus Schwab tentou "apagar o incêndio" após o vexame. Numa coletiva de imprensa com o fundador do WEF, Erdogan disse saiu da sala em reação ao mediador do debate. "Não foi contra Israel, o povo ou o presidente israelenses", garantiu.

Segundo Erdogan, o secretário-geral da ONU teve 8 minutos para falar, ele próprio 12, o secretário-geral da Liga Árabe foi interrompido depois de 12 minutos. "Do outro lado, o presidente israelense Peres falou 25 minutos. Além disso, ele elevou a voz e se dirigiu diretamente a mim."

Segundo a agência de notícias turca Anatolie, Peres pediu desculpas a Erdogan por telefone depois do incidente. Um porta-voz de Peres desmentiu essa informação.

Antes do debate, o premiê turco mostrou-se frustrado com o fracasso da mediação de seu país entre Israel e Síria. Ele disse que faltava muito pouco para um acordo quando Israel invadiu a Faixa de Gaza, em 26 de dezembro.

ONU pede ajuda humanitária para Gaza

Ban Ki-moon aproveitou o Fórum Econômico Mundial para lançar um apelo à comunidade internacional para que doe US$ 613 milhões para ajudar as vítimas da violência na Faixa de Gaza.

"A ajuda é urgentemente necessária", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas aos líderes mundiais reunidos em Davos. "Mais de um terço dos 6.600 mortos e feridos são crianças e mulheres", acrescentou.

Ele disse que com verba a ONU e organizações humanitárias poderiam ajudar 1,4 milhão de habitantes da Faixa de Gaza com água potável, alimentos, abrigos e remédios, além da restauração dos serviços básicos nos próximos seis a nove meses.

swissinfo, Geraldo Hoffmann (com agências)

Destruição em Gaza

A guerra na Faixa de Gaza destruiu também projetos apoiados pela Suíça. Segundo a Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (DDC), os prejuízos foram de 600 a 700 mil francos.

A Suíça liberou 3 milhões de francos adicionais à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina e 1 milhão em ajuda humanitária.

Com esses recursos já foram comprados mantimentos e equipamentos médicos. Nos próximos dias, 22 caminhões levarão o material do Egito para a Faixa de Gaza.

Durante os 22 dias de guerra também foram danificados mais de 50 edifícios e um depósito central pertencentes à ONU. Agora os doadores de ajuda questionam se Israel não deve ajudar a financiar a reconstrução.

O responsável da ONU para a ajuda humanitária, John Holmes, disse há poucos dias no Cairo que primeiro Israel precisa dar explicações claras para os ataques. Daí será discutida a questão da compensação.



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