Your browser is out of date. It has known security flaws and may not display all features of this websites. Learn how to update your browser[Fechar]

Suíços em Portugal


Os papéis da família Brabetz


Por Marta Gregório


Giulio Brabett em uma das dependências da fábrica. ()

Giulio Brabett em uma das dependências da fábrica.

Apesar do nome ser latino, o apelido denuncia as raízes suíças-alemãs. Viveu na Suíça até 2001, altura em que se tornou no braço direito dos pais numa fábrica de papel outrora moribunda.

Hoje, Giulio encarrega-se do negócio de família ao lado da mãe, ocupando-se sobretudo “do contacto com clientes no estrangeiro”. E claro, do papel como pai de família.

Giulio é suíço e tem orgulho de o ser. No seu jeito sério, gosta de brincar dizendo que dos projectos para o futuro consta fazer com que, em 200 anos, “70 por cento da população portuguesa fale o suíço-alemão.” E está a fazer por isso – o agregado familiar já conta com quatro rebentos.

A vida fabril no Porto

Há quase 13 anos no Porto, Giulio é dos poucos suíços que não veio viver para Portugal por se ter apaixonado pelo clima ou pelas praias. “Vim para ajudar os meus pais no trabalho da fábrica.” Na altura Giulio veio para trabalhar na parte da produção, ajudando a fábrica a recuperar do malfadado historial. “Cerca de 1979 ou 1980 a fábrica foi comprada por uns alemães que fabricaram sacos de envelopes. Depois chegaram a comprar uma máquina de papel e evoluíram fabricando produtos standard para exportação. Mas em entre 1989 e 1990 chegou o meu pai e comprou a fábrica, que na altura já estava falida.”

Apesar da gerência anterior aos Brabetz não ter conseguido suportar o negócio, a família de Giulio conseguiu recuperar a actividade da fábrica. Hoje, a aposta passa pela internacionalização dos produtos fabricados e as tarefas de Giulio “consistem sobretudo no contacto com clientes do estrangeiro, na inovação das técnicas das máquinas, e noutras coisas de gestão geral e estratégia. A produção da fábrica, essa, tornou-se especializada na produção de envelopes e sacos personalizados segundo os requerimentos dos clientes.”

Actualmente a fábrica exporta cerca de 60% para países europeus como a Inglaterra, Alemanha e França e conta com o trabalho de cerca de 55 pessoas para manter o ritmo de produção. Umas das mãos que contribuíram para tal foram as de Paloma Brabetz, esposa de Giulio. Quando chegou a Portugal, Paloma começou por ajudar na administração da fábrica. Enquanto “o Giulio ajudava o pai na parte de produção, eu ajudava a minha sogra no escritório, na parte dos cálculos.”, lembra Paloma Brabetz.

Entre fraldas e biberons

Ao contrário de Giulio, Paloma dedicou-se ainda a outras actividades profissionais ao longo dos primeiros anos que esteve no Porto. Com formação académica em Antropologia, Cinematografia e Artes Populares, Paloma chegou a ensinar alemão durante dois anos na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Ensinei italiano e alemão na Lancaster e ensinei alemão durante um ano na Escola Alemã.”, revela.

Mas a maternidade veio moldar a sua vida desde a raíz e tanto as aulas como o trabalho administrativo na fábrica acabou por ficar para trás. Já não o faz porque tem “bébé, bébé, bébé e menina”, defende enquanto assinala com os olhos a presença de cada uma das filhas na sala. Um trabalho full-time que lhe ocupa a maior parte do tempo: em 10 anos a família Brabetz cresceu quatro vezes e Thea, Stella, Helia e Flora mudaram o rumo à vida profissional de Paloma.

O país natal, esse, já está há três anos de distância. E apesar de lá terem familiares, Paloma e Giulio não pensam em deixar o Porto para voltar à Suíça. “Eu não tenho bem esse pensamento na minha cabeça. Se formos embora daqui, acho que vamos para outro sítio”, desabafa Paloma. E apesar do receio de Giulio em relação ao panorama económico português, o suíço desabafa que “Não queríamos sair porque gostamos de estar aqui. Só em última hipótese teremos de sair, por não dar mais para uma família numerosa.”

Indústria

A fábrica de papel da família Brabetz está em actividade desde de 1928. Antes da família Brabetz adquirir a fábrica, a produção de papel era assegurada por uma família alemã.

Família

Paloma e Giulio vivem em Miramar, no Porto, há 12 anos. Aos 27 anos Paloma veio ter com Giulio, que viajou dois anos antes para o Porto para ajudar no trabalho da fábrica de papel da família.


Porto, Portugal, swissinfo.ch

×

Destaque