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Médicos suíços sofrem de estafa




Medicina é uma profissão exigente, que conta agora com a ajuda de ReMed. ()

Medicina é uma profissão exigente, que conta agora com a ajuda de ReMed.

Um projeto piloto que oferece apoio aos médicos que sofrem de estafa, depressão e outros problemas deve ser estendido a toda a Suíça.

Segundo especialistas, os médicos, principalmente aqueles em início de carreira, são confrontados à condições de trabalho muito estressantes. Na maioria das vezes, eles são os últimos a buscar ajuda médica.

ReMed foi criada pela Associação Médica Suíça e acaba de terminar uma fase-piloto de três anos realizada nos cantões da Turgóvia e de Neuchâtel. Tendo em vista a necessidade - 80 casos tratados durante o período - a associação anunciou que o projeto será estendido a todo o país.

"ReMed é uma rede de apoio aos médico em crise. Os médicos também passam por problemas no trabalho, na família ou simplesmente porque são pessoas normais e às vezes ficam doentes", disse Michael Peltenburg, chefe do projeto, à swissinfo.ch.

"Temos médicos que sofrem de dependência, depressão, psicose ou estafa, por isso criamos esse espaço para eles possam falar sobre seus problemas, buscar ajuda e cuidar de si mesmos".

Um serviço de atendimento 24 horas está disponível por telefone ou internet, e oferece o apoio de uma equipe de especialistas treinados em gestão de crises. Os interessados são contactados no prazo de 72 horas por um colega médico que discute de forma confidencial o problema e elaborar um plano de ação.

Um exemplo pode ser um médico com problemas de alcoolismo ou um clínico geral próximo da aposentadoria que não consegue encontrar um sucessor e está sobrecarregado de trabalho.

Quase metade dos casos tratados até agora foram de médicos que sofrem de estafa ou depressão. Um terço procura uma ajuda organizacional do trabalho e apenas 13% busca ajuda por causa de alguma adicção. Mais da metade (56%) dos profissionais que buscam a ajuda ReMed são mulheres.

Jovens doutores

"Estafa é muito freqüente na faixa etária dos 50-60 anos, mas o que nos impressionou mais foi ter constatado que os médicos mais jovens são os que têm mais dificuldades em se situar no sistema de saúde - eles não ficam à vontade quando precisam mudar de lado, quando passam a ser pacientes". explicou Peltenburg.

"Eles geralmente também não são compreendidos pelos superiores e por isso ficam com medo de arruinar a carreira, de modo que eles não sabem com quem falar sobre seus problemas".

Peltenburg diz que os jovens médicos muitas vezes têm de lidar com uma forte hierarquia no hospital, com a luta para forjar uma carreira e a pressão para exercer bem a profissão.

O fato de muitos médicos jovens estarem sofrendo não surpreende a Associação dos Médicos Assistentes e Chefes de Clínicas da Suíça (ASMAC). Em declaração ao jornal Tages-Anzeiger, a porta-voz da associação disse que alguns residentes e estagiários trabalham longas horas nos hospitais, apesar da lei estabelecer um máximo de 50 horas por semana.

Assédio moral no local de trabalho e médicos trabalhando doentes também são relatos comuns. "Os médicos ainda lidam com situações nos hospitais que já são consideradas inaceitáveis em qualquer outro lugar", completou a porta-voz.

A imagem do jaleco branco

Uma outra parte do problema é que os próprios médicos não sabem onde buscar ajuda quando passam por dificuldades. Para os leigos eles continuam sendo vistos como invencíveis.

"A sociedade os vê dessa forma e eles acham que devem se comportar como tal", disse Peltenburg. "Isso faz parte da imagem do jaleco branco dos médicos". Por isso, o serviço de atendimento também está aberto aos pacientes preocupados com seus médicos, bem como familiares e colegas.

ReMed é um primeiro passo. Peltenburg cita o caso da Noruega e da Espanha que possuem clínicas especializadas em tratar apenas médicos, evitando assim que eles tenham contato com seus próprios pacientes quando estão sendo tratados, como por exemplo, em uma clínica psiquiátrica.

Para o chefe do projeto ReMed, esse é um bom exemplo que também deve ser seguido pela Suíça, que está começando a oferecer programas especiais para médicos e a trabalhar com clínicas. Mas isso tudo está realmente só no início.

Nas questões éticas, como em um caso de abuso sexual, Peltenburg diz que o que se aplica é a lei. Há um grupo ético ReMed que pode ser consultado. Mas ele salienta que o serviço de aconselhamento não é um órgão de controle e que por isso não está apto a julgar ninguém.

Sua função é a de oferecer apoio, disse. "Queremos dar aos médicos as mesmas oportunidades que aos outros pacientes e se eles estiverem com dificuldades, queremos lhes dar uma segunda chance."

ReMed

ReMed oferece apoio aos médicos para ajudar a encontrar uma saída para a crise. Há uma linha direta 24 horas: 0800 0 73633 ou contato online (ver links).

Uma equipe experiente de 4 conselheiros – todos médicos – entra em contato com o interessado para discutir a situação pessoal do médico. Todas as informações são confidenciais.

Os casos típicos são: falta de motivação, trabalho em excesso, estafa, depressão e dependência química. Problemas de conflitos pessoais e de trabalho também podem ser discutidos.

O acompanhamento de um médico ou de um especialista pode ser aconselhado para ajudar a lidar com a questão.

ReMed foi lançado pela Associação Médica Suíça e tem o apoio de várias outras organizações de médicos e de pacientes.

Panorama médico

Segundo estatísticas da Associação Médica Suíça, 30.166 médicos estavam na ativa em 2009, exercendo em consultórios, clínicas, hospitais ou outras instituições (associações, seguros). É a primeira vez que o número aumenta para mais de 30.000, consequência do crescente número de mulheres estudando medicina.

A faixa etária de um médico na Suíça é de 48 anos de idade. Há mais mulheres do que homens na faixa dos 25 aos 34 anos, mas a situação se inverte após os 35 anos de idade.

Quase metade dos médicos assistentes na Suíça receberam sua formação médica no exterior. A maioria dos médicos estrangeiros são alemães. Apenas 10 por cento dos médicos assistentes estrangeiros vem de outro país da União Europeia, enquanto quatro por cento são cidadãos de outros países.


(Adaptação: Fernando Hirschy), swissinfo.ch



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