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15 de janeiro de 2018 O quebra-cabeça do mercado de trabalho suíço

A aconselhadora do RAV, Susanna Baldari, explica como driblar as dificuldades e entrar no disputado mundo profissional. 

Posto de atendimento do Serviço de Desemprego (RAV)

Desempregada sendo atendida em um posto de atendimento do Serviço de Desemprego (RAV) na Suíça.

(sda-ats)

"Não subestime o poder da rede de contatos. Muitas vagas são preenchidas na Suíça sem passarem pelo processo convencional de postagem". Essa é uma das principais dicas de Susanna Baldari, que trabalha como aconselhadora no Regional Arbeitsvermittlungszentren de Wohlen (RAV), o Centro Regional de Emprego suíço, que acompanha e orienta quem perdeu emprego no país. Há oito anos no órgão, ela lida com as três esferas do mercado de trabalho: candidatos, entre eles muitos estrangeiros; a iniciativa privada, que recorre ao órgão para encontrar postulantes, e o Governo cantonal.

Artigo do blog "Suíça de portas abertas"Link externo da jornalista Liliana Tinoco Baeckert.

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Com experiência no exterior - Baldari viveu um tempo na África – a pedagoga tem a sensibilidade de entender as dificuldades dos estrangeiros. Com a visão das empresas e dos interesses governamentais cantonais, ela consegue montar o quebra-cabeças da busca de empregos, no qual nem todas as peças conseguem encaixe perfeito.

swissinfo.ch: A Senhora acredita que alguns grupos de pessoas, como os estrangeiros, por exemplo, enfrentem mais dificuldade para encontrar trabalho na Suíça?

SB: Alguns grupos, com certeza, podem ter mais problemas. Não somente porque são estrangeiros, mas também pela idade, gênero, tipo de profissão. Por exemplo, mulheres (suíças ou não) entre 25 e 40 anos poderão ter mais dificuldade. Os empregadores consideram que há um risco iminente de gravidez. O próprio fato de você ouvir numa entrevista "a Senhora pretende ter filhos?", o que acontece às vezes, pode ser uma demonstração de que existe a preocupação. Isso acontece pela mentalidade conservadora do mercado.

Mas a barreira se eleva para os estrangeiros quando eles têm baixa qualificação, quando não falam nem a língua do cantão onde vivem e nem o inglês. Não dominar o idioma do país é um problema, porque até mesmo quando essa pessoa já trabalhou, mas foi mandada embora e precisa interagir com o RAV, ela terá dificuldades. A maioria dos conselheiros do órgão irá se comunicar na língua do país, por uma questão de regra do órgão.

Não vou negar que o preconceito contra o estrangeiro existe. O importante, então, é focar naquelas empresas que sejam mais abertas à diversidade, naquelas que tenham negócios exterior e até mesmo no seu país de origem. Faça uma busca na internet.

swissinfo.ch: Quais são as áreas que mais recrutam, que mais necessitam de mão de obra?

SB: A Suíça necessita muito de profissionais nas áreas de Tecnologia da Informação e de engenharia. É um país voltado para a matemática, para a física, ou seja, as ciências exatas e também para as ciências naturais e área médica. É sabido que há mais vagas que profissionais nessas áreas.

swissinfo.ch: É sabido que os estrangeiros que só falam inglês têm desvantagem na busca de um trabalho, mesmo que foquem nas empresas internacionais. Como a Senhora vê isso?

SB: Sim, concordo. Muitas pessoas ao redor do mundo querem trabalhar na Suíça. O paradoxo é eu afirmar sobre a importância de os candidatos estrangeiros focarem nas empresas internacionais, que são mais abertas à diversidade cultural, mas que ao mesmo tempo irão receber currículos do mundo inteiro.

O país, no entanto, é formado de médias e pequenas empresas, que geralmente são menos internacionais. Portanto, exigem a proficiência do idioma local. Resumindo, quem foca nas companhias internacionais irá enfrentar a concorrência mundial e quem pretende trabalhar nas locais terá que aprender muito bem o idioma do cantão onde está localizada o empregador.

swissinfo.ch: Sabemos que o networking, ou seja, a rede de contatos, é primordial para quem busca emprego. Pois essa é justamente uma das maiores dificuldades de quem é estrangeiro, já que muitas vezes o recém-chegado, ou mesmo quem já viva no local há um tempo, dificilmente irá conhecer tanta gente quanto no país de origem. O que a Senhora aconselharia a essas pessoas?

SB: Não posso oferecer uma receita pronta, mas sempre digo que entrar para uma Verein ou um clube na Suíça abre muitas portas. Acho uma boa opção porque é um grupo que cultiva os mesmos gostos. Você pode optar por um de esportes, de corpo de bombeiros voluntário, de culinária, por exemplo. Até mesmo a integração à Associação dos Pais ou a um grupo do seu vilarejo são uma possibilidade. Existem também grupos de estudo do idioma local, muitas vezes oferecidos pelas Associações, a custos baixos. Ali também pode-se aumentar a rede de contatos.

Susanna Baldari

Susanna Baldari

(swissinfo.ch)

Outra dica que dou é a leitura dos jornais e revistas locais, além de assistir programas de TV suíça. Em primeiro lugar, trata-se de uma maneira barata de melhorar a fluência do idioma. Além disso, coloca o estrangeiro em contato com as questões locais. Quem sabe debater os temas específicos de uma comunidade tem assunto garantido, mostra interesse e ganha credibilidade.

Outra fonte interessante para se conectar com diferentes pessoas são os Business Clubs. Há também opções de grupos para profissionais de recursos humanos ou de expatriados.

swissinfo.ch: A sociedade suíça cultiva valores diferentes dos da brasileira e da portuguesa. Quais seriam as virtudes mais apreciadas pelas empresas helvéticas?

SB: Esse é um ponto crucial. Muitos estrangeiros não percebem que o mundo corporativo suíço preza pela pontualidade, precisão, honestidade e confiança.

swissinfo.ch: E como fazer para demonstrar esses valores em uma entrevista de emprego, por exemplo, quando os entrevistadores não têm muito tempo e se baseiam nas primeiras impressões?

SB: Em primeiro lugar, chegue sempre dez minutos antes do compromisso. Dessa maneira demonstra-se pontualidade. Confiabilidade se mostra cumprindo com as promessas. Se disse que irá enviar um e-mail com um material, faça no prazo estabelecido. Essa característica também pode ser demonstrada pelas cartas de referências, tão valorizadas nessa sociedade. Também tenha uma lista de pessoas com as quais você trabalhou e que podem ser contatadas em caso de uma entrevista.

Outro ponto que chama a atenção dos recrutadores é a sua vontade em aprender. Isso significa estar sempre se reciclando, fazendo cursos. Um diploma universitário de 20 anos sem reciclagem tem menos valor.

Como é uma sociedade que preza pela precisão, valoriza, portanto, a especialização profissional. As últimas décadas foram marcadas por uma tendência à especialização. Isso pode implicar numa dificuldade maior aos currículos mais generalistas.

swissinfo.ch: Quais são suas dicas para os estrangeiros que buscam por uma posição profissional nesse momento?

SB: A quem não fala a língua e tem uma entrevista de emprego na parte alemã, por exemplo, eu aconselharia a pelo menos saber as saudações no idioma local. Mas principalmente mostrar que quer e planeja aprender a língua. Demonstrar interesse pela cultura do outro é sempre de bom tom.

É importante manter o seu perfil do Linkedin (rede social voltada para a vida profissional) sempre atualizado. Nunca é demais dizer que empresas e headhunters recrutam cada vez mais pelas redes sociais. Hoje em dia é preciso ter palavras chave no seu currículo, que indiquem suas competências e que chamem a atenção dos recrutadores.

Se você tem um visto B, pode ser que encontre mais dificuldades para obter uma vaga de trabalho. O tipo C já elimina vários questionamentos.

E por último eu diria para não desistirem, sempre se abre uma vaga que pode ter o seu perfil. Mantenha a positividade, sempre há oportunidades. É difícil manter o otimismo, mas está aí o maior desafio. É esse sentimento que poderá definir o sucesso e influenciar no resultado da busca.

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