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Os alemães que espionavam a Suíça

A Suíça foi palco de manobras para espiões da Alemanha oriental, mas que não conseguiram se infiltrar no exército ou na administração. Um pesquisador privado revela essas e outros mistérios do tempo da Guerra Fria.

A RDA também confiava na neutralidade suíça no caso de uma guerra entre os dois blocos.

Pela primeira vez, a atividade de agentes secretos da antiga República Democrática Alemã (RDA) é analisada com profundidade por um pesquisador particular.

Essa é uma boa notícia para os amantes da história. Afinal, o Parlamento federal desistiu em 2001 de criar uma comissão especial de especialistas para desvendar os mistérios ainda não revelados sobre a Suíça durante o periodo da Guerra Fria.

Revelações

O estudo, que acaba de ser publicado sobre o título "A Suíça como alvo de espionagem? O serviço secreto da RDA e suas atividades na Suíça", é de autoria de Peter Veleff. Para escrever as 288 páginas da obra, o pesquisador amador vasculhou arquivos públicos e realizou várias entrevistas com membros de alto escalão dos serviços secretos da ex-RDA.

A principal conclusão do autor é que a Alemanha oriental espionou a Suíça sempre que possível, em grande escala e até o seu último momento de existência como Estado. Porém ela nunca conseguiu infiltrar seriamente seus espiões no exército ou na administração helvéticos.

Centro de observação

O principal objetivo dos espiões alemães orientais não era a preparação de eventuais operações militares contra a Suíça.

No caso de agravação das tensões ou de guerra entre os blocos, a Suíça teria tido um papel importante, segundo os planos da ex-RDA, como centro de observação, país de refúgio para agentes e base de operações de espionagem contra os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), sobretudo a Alemanha e a França.

O espião-chefe em Berna, instalado na embaixada da ex-RDA na Suíça, estava subordinado hierarquicamente ao centro de espionagem na França.

De acordo com as informações obtidas por Veleff, os agentes alemães estavam convencidos de que a Suíça permaneceria neutra em caso de guerra. Por essa razão seu território poderia servir de centro internacional de espionagem para os países comunistas.

Prisão de Hans e Gisela Wolf

Durante a Guerra Fria, várias ações coordenadas pelos espiões da ex-RDA foram combatidas pela contra-espionagem suíça. Veleff fornece sobre o tema detalhes inéditos sobre casos famosos, como o relacionado à prisão do casal Wolf.

Encarregados pelos serviços secretos alemães orientais de instalar na Suíça uma rede clandestina de rádio, Hans e Gisela Wolf foram presos em Zurique em 1973. Após serem julgados em 1975, o casal foi condenado por espionagem a sete anos de prisão.

Império comercial

Outro setor explorado pelos agentes da ex-RDA na Suíça durante o período da Guerra Fria foi de natureza econômica e tecnológica.

Para os alemães orientais era de vital importância conseguir reverter o déficit técnico, científico e industrial do país, sobretudo em áreas estratégicas como a da informática. Uma das prioridades era também a compra de matéria-prima ou equipamentos fabricados no ocidente, cuja aquisição num país comunista era impossível na época.

Para alcançar esse objetivo - e paralelamente às operações de espionagem industrial - a RDA chegou a criar na Suíça um verdadeiro império comercial e financeiro através de métodos capitalistas e, por vezes, até mesmo mafiosos. A colaboração de banqueiros suíços também foi considerável. Pragmatismo era um sentimento que marcava os dois lados do Muro.

swissinfo, Michel Walter

Fatos

"A Suíça como alvo de espionagem? O serviço secreto da RDA e suas atividades na Suíça" (Spionageziel Schweiz? Die Geheimdienste der DDR und deren Aktivitäten in der Schweiz), livro de Peter Veleff, Editora Orell Füssli, 288 páginas, em alemão.

Breves

Depois da queda do Muro de Berlim, as relações entre a Suíça e a antiga República Democrática Alemã (RDA) já foi tema de vários debates no Parlamento federal.

Deputados e senadores de vários partidos já solicitaram indenizações para os cidadãos suíços, cujos bens foram nacionalizados pelo antigo regime comunista e informações sobre o confisco de bens depositados pelos seus dignatários na Suíça e também sobre as atividades de espiões da RDA na Suíça durante a Guerra Fria.

Em relação a este último ponto, o governo julgou que um estudo histórico sobre o tema não faz parte das tarefas obrigatórias do Estado. O Parlamento concordou com essa posição em 2001.

Um pesquisador privado, Peter Veleff, decidiu então se encarregar de pesquisar mais sobre o tema.



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