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Saúde


Informações médicas para os países lusófonos


Por Lourdes Sola


Especialmente quando se trata de saúde, informações corretas, bem explicadas e na língua materna podem garantir um bom atendimento e salvar vidas. É isso o que faz a Rede e-Português, desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Regina Ungerer em seu escritório em Genebra. (Lourdes Sola)

Regina Ungerer em seu escritório em Genebra.

(Lourdes Sola)

O objetivo não é apenas bem informar, mas também ajudar na formação de recursos humanos em saúde nos  países lusófonos: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. 

Cabe lembrar que português é a língua de 300 milhões de pessoas – a sexta mais falada no mundo. O trabalho da Rede consiste em levar informação qualificada sobre saúde pública aos profissionais da área. Malária, tuberculose, HIV, doenças infecciosas, tabagismo, saúde da mulher e da criança, técnicas de enfermagem, entre outros temas explicados em português.

Conhecer e respeitar as diversidades

Formar uma rede de informação significou, antes de mais nada, conhecer muito bem os países, que têm realidades diversas. E os indicadores de desenvolvimento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostram isso. Na Guiné Bissau, o grau de escolaridade é de 2.2 anos – o Brasil tem 7.1 e Portugal,  8.2. Um outro dado importante é a expectativa de vida: em Angola,  o índice da OMS fica entre 50 e 52 anos – no Brasil, de 70 a 77 anos.

“Cada país tem a sua peculiaridade e são diferentes quanto ao tamanho, desenvolvimento, localização e era preciso considerar isso tudo para começar a comunicação”, lembra-se Regina Ungerer, médica coordenadora do programa em Genebra.

Ela conta que a primeira estratégia era criar uma biblioteca virtual de saúde, baseada nos modelos do centro latino americano de ciências da saúde, a Bireme, que fica em São Paulo e é um centro da OMS.  Logo as diversidades dos países mostraram que a estratégia precisaria ser repensada: havia problemas de conexão, quedas de energia elétrica e a falta de hábito dos profissionais com as ferramentas de pesquisa. “Percebemos a necessidade de criar outras plataformas de comunicação para levar a informação e foi o que fizemos”, conta.

Bibliotecas azuis onde não há boa conexão

A rede adotou um  modelo de Biblioteca Azul em português.  O projeto já existia na OMS desde 1997, mas o material era disponível apenas em inglês e em francês. Trata-se de uma coleção com mais de 200 livros, documentos e manuais sobre saúde pública. Já foram distribuídas mais de 276 delas, que chegam aos países em uma caixa de metal azul, com prateleiras e divisórias que mantêm os livros organizados por tema.

As bibliotecas atendem muito bem aos países que ainda têm dificuldades de acesso à internet. Em Timor Leste, por exemplo, apenas 1% da população é conectada ao mundo virtual; em Moçambique, apenas 5,54% navegam – segundo dados da Internet World Stats. Outra forma de levar a informação são as rádios locais. “Temos contato constante com as autoridades sanitárias e governamentais e normalmente a Rede é procurada como fonte de informação à população”, diz  Regina. Os treinamentos locais também ajudam muito e, normalmente, a coordenadora vai aos países para treinar e discutir com os profissionais do setor.

Troca de informações e grupos de discussões

Mesmo com as diferenças de conectividade, a Rede utiliza muito bem as plataformas virtuais para disseminar  e trocar informações.  De acordo com a coordenadora, a cada ano o uso da internet tem melhorado em todos os países lusófonos. Além de um blog e de uma página no Facebook, a Rede tem um programa de acesso eletrônico a mais de 17 mil fontes de informação científica, o Hinari.  Há também um fórum de discussão em português com mais de 2 mil participantes, oHifa-pt. “É possibilitar o acesso à informação científica e também a troca de experiências entre profissionais, que enfrentam mais ou menos as mesmas dificuldades”, explica Regina. “Muitos deles talvez nunca se encontrem pessoalmente, mas trabalham juntos de alguma maneira pela saúde da população que atendem”, diz. O programa é utilizado por profissionais de saúde, gestores, bibliotecários, entre outros.

A rede existe há 10 anos e já se consolidou como ponte de comunicação da OMS com os países lusófonos, especialmente em momentos mais urgentes, como atualmente com o  ebola. “As informações sobre ebola, por exemplo, foram traduzidas e enviadas aos países de diferentes maneiras”, conta. Cabe à Rede também o envio dos relatórios mundiais de saúde, que são bianuais e que contêm informações importantes. Para a médica, a grande integração ocorreu em 2011, quando os oito países passaram a dispor da mesma biblioteca virtual. “Foi possível começar a troca de informações de maneira mais efetiva”, explica.

Cooperação sul-sul e conferências

Para Regina Ungerer, disseminar a informação é preciso respeitar o acordo de cooperação sul-sul, articulação política e de intercâmbio com vistas ao desenvolvimento  dos países do “sul global”, conhecidos até 1990 como países em desenvolvimento. A denominação deve-se ao fato de que a maioria deles está no hemisfério sul.  

“A cooperação surgiu da necessidade de compartilhar experiências e iniciativas. Um acordo guiado pela solidariedade e pelo respeito à soberania nacional incondicionalmente”, explica. De acordo com a médica, a cooperação sul-sul não deve ser vista como um programa de assistência, mas sim como uma parceria entre iguais. 

Metas

Uma das metas de continuidade da Rede e-português  é fomentar o uso da Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), criada no Brasil, entre os países lusófonos. É uma plataforma que permite o acesso às informações de centros universitários a profissionais que estejam em locais mais distantes. No site, pode-se pesquisar diferentes temas de saúde e até mesmo acompanhar uma conferência sobre oftalmologia de um professor da Universidade Federal de São Paulo, por exemplo,  ou uma aula sobre reumatologia pediátrica de um professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Existem cerca de 7.105 línguas vivas, mas apenas seis delas são oficiais da OMS: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.  Mesmo não sendo o idioma oficial,  português é a língua mais falada no hemisfério sul, onde ficam os países que mais precisam de orientação no atendimento básico de saúde, que salva vidas e previne doenças. 

swissinfo.ch

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