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Escola


Um suíço se lança na formação profissional no Brasil


Por Emmanuel Manzi, Salvador, Bahia


A pedagoga Eulinalia Vergne De Assis Barbosa com duas jovens alunas diante dos computadores. ()

A pedagoga Eulinalia Vergne De Assis Barbosa com duas jovens alunas diante dos computadores.

Um curso dura um ano, contando duas horas por semana. A escola “Era Digital” de Brotas fica aberta das 8 às 18 horas. Isso permite aos alunos das escolas públicas ou privadas de vir de manhã ou à tarde. Os cursos custam o equivalente a 33 francos suíços por mês.

A vontade de se envolver em um projeto educacional inovador para o Nordeste brasileiro surgiu de vários encontros e de reflexão. O empresário de Salvador, Daniel Kuns explica: “Era Digital Formação Profissional” responde a uma necessidade do mercado de trabalho. Principalmente para primeiro emprego de um jovem que terminou ou não a escolaridade obrigatória brasileira.”

O projeto surgiu graças a Aldo Freitas, fundador da Universidade UniJorge, 20 anos atrás, em Salvador, e que abriu há cinco anos as primeiras escolas profissionais informatizadas interativas. “Era Digital Formação Profissional”. Hoje, existem nove em Salvador e uma em Recife.

O suíço encontra o brasileiro, mas tem mais cinco amigos brasileiros donos de empresas que fabricam computadores e no setor de supermercados.

Quase um terço dos empregados demitidos por ano

Esses cinco diretores têm seis mil empregados. Todos lamentam “ter de demitir 30% dos empregados por ano” porque – dizem eles – “muitos não tem uma formação de base”.


O fato incita Daniel Kuns a abrir sua própria escola “Era Digital Formação Profissional”, no bairro popular Brotas, em Salvador, como proprietário e diretor administrativo.

Pelo primeiro emprego

Mas o que é realmente Era Digital Formação Profissional? Trata-se de aproximadamente 70 cursos informatizados profissionalizantes pensados anteriormente por especialistas.

O aluno senta-se diante do computador, olha, escuta, repete o curso interativo escolhido. Se o prova que compreendeu 70% do curso, passa para a etapa seguinte. É assim que ele se forma para o primeiro emprego.

O aluno pode a qualquer momento interromper a matéria e fazer perguntas é pedagoga presente na sala de cursos, no caso Eulinelia Vergne De Assis Barbosa, juntamente com dois técnicos estagiários em informática. Tem 15 computadores à disposição.

Até entrevista de emprego

Mas Daniel Kunz vai mais longe. Ele combinou com os cinco empresários para que venham periodicamente recrutar seus melhores alunos para um estágio ou o primeiro emprego. A entrevista de emprego é prevista na “Era Digital”, em Brotas.

De fato, as fábricas de computadores e os supermercados precisam de jovens profissionais qualificados em informática, programação, contabilidade, telemarketing, caixa, vendedoras, recepcionistas ou ainda gente que saiba falar e escrever em inglês ou espanhol.

Dados biográficos

Daniel Kunz, 46 anos, é Consul Honorário da Suíça no Estado da Bahia há cinco anos. Ele é casado com uma advogada brasileira e tem um filho de dez anos.  Ele tem uma loja, um supermercado e trabalha como corretor de imóveis em Salvador. Vive no Brasil há 20 anos.

Ele fez um máster (MBA) em marketing e propaganda na ESPM, em São Paulo e outro máster em gerência de projetos na UniJorge em Salvador. É cintura marrom de caratê.  Na Suíça, Daniel Kunz é formado em mecânica aeronáutica (FWA). É natural de Arbon Bondensee, no cantão de Turgóvia.

EM

Um curso adaptado a cada um

Um curso dura um ano, contando duas horas por semana. A escola “Era Digital” de Brotas fica aberta das 8 às 18 horas. Isso permite aos alunos das escolas públicas ou privadas de vir de manhã ou à tarde. Os cursos custam o equivalente a 33 francos suíços por mês.

Kuns comenta que « 80% da população de Salvador pode pagar um curso para garantir seu futuro profissional ou melhorar sua qualidade de vida. Também há idosos que precisam somente de um curso básico de informática. Eles representam 15% de minha clientela”. 

Muitos jovens não terminam a escola obrigatória

O empresário suíço registrou, em um mês, 68 matrículas, mesmo se Salvador foi paralisada alguns dias em abril pela greve dos motoristas de ônibus e a da polícia militar.

Para entender o sucesso de Era Digital Formação Profissional, cabe lembrar que no Nordeste e no Norte do Brasil muitos jovens param de estudar depois do ensino fundamental (6 a 14 anos) durante o ensino médio (15 a 18 anos).  

As causas mais importantes são que muitos pais não podem manter seus filhos na escola; muitos jovens devem ajudar os pais; muitos jovens quer ter rapidamente independência financeira.

Escola pública na Bahia

Quer dizer que a escolha pública na Bahia é muito ruim? A resposta é mais de caráter histórico-social do que educacional. Uma minoria de ricos cultos, uma maioria de pobres ignorantes e, desde 2003, a emergência crescente de uma classe média.

Dito isso, a assessoria de imprensa da Secretaria da Educação da Bahia admite  “que não existe, por enquanto, no estado da Bahia, um modelo de ensino profissionalizante informatizado e interativo similar ao proposto por Era Digital”.

A Secretaria da Educação precisa, todavia, “que existem cursos à distância dados por professores, via satélite, que são acompanhados por alunos nos quatro cantos do vasto estado da Bahia”.

A Secretaria acrescenta que “existem muitos cursos técnicos gratuitos de dois a quatro anos nas escolas públicas estaduais da Bahia e que exigem prática”. Há ainda cursos técnicos dados por parceiros como  como SENAI, SENAC, SENAR e SENAT.

Existe também o PRONOTEC, programa do governo federal de acesso ao ensino técnico de nível médio e instituições parceiras (cursos de qualificação de 4 a 8 meses).

swissinfo.ch



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