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Holderegger


Sucesso e pioneirismo


Por ielusc.br


Willy Holderegger com seu filho Alberto Holderegger, seu neto Alberto Holderegger Júnior e seu bisneto Guilherme Holderegger. ()

Willy Holderegger com seu filho Alberto Holderegger, seu neto Alberto Holderegger Júnior e seu bisneto Guilherme Holderegger.

Era março de 1940, e a Estação Ferroviária de Joinville dava as boas vindas a Guilherme Holderegger.

Leia aqui mais uma história do especial realizado pelos estudantes de jornalismo da IELUSC sobre a colônia suíça de Joinville.

O chapéu e o bigode denunciavam os ares tipicamente europeus. Não foi difícil para ele encontrar hospedagem no centro da cidade de origem alemã, em plena ascensão econômica. Mais do que a necessidade de trabalhar, Willy, como era carinhosamente chamado, tinha o desejo de fazer valer à pena. O resultado disso foi o surgimento da Cônsul, que deu origem à maior fábrica de refrigeradores do mundo.

Todos os dias, sentado na varanda da antiga casa em estilo germânico, Willy contava aos filhos, Mário e Alberto, histórias do tempo em que chegara ao Brasil, em meados da década de 20 do século passado. Aos tenros seis anos de vida, Willy chegou ao porto de São Francisco do Sul junto com os tios, Marti e Berta Holderegger, e a irmã, Marta. Todos os 486 passageiros do navio La Corunã estavam famintos, mas puderam saborear o tradicional feijão preto com farinha – prato que a família tem orgulho em saber cozinhar.

Há cerca de quatro anos, Willy se foi. Sua trajetória, porém, permanece viva na memória do filho  Alberto, que ainda hoje trabalha no mesmo terreno onde o pai morou. Ficou também a casa, onde ele e o irmão se criaram e constituíram família. “Quero reformá-la para minha filha ocupar”, revela Alberto, ciente de que a velha estrutura moldada por rudes machadadas e composta por tijolos feitos manualmente de barro vai abrigar mais uma geração Holderegger.

Conhecida pelo talento para o canto e a música, a família sente orgulho em manter viva a tradição seresteira do patriarca. “Ao chegar a Joinville, não demorou para começar a cantar e tocar violão na parte da noite”, relembra Alberto, referindo-se ao pai.  O gosto pela música teve origem assim que Willy chegou à maioridade – largando o emprego e decidindo se tornar músico. A façanha durou poucos meses, mas Alberto garante que tem no sangue a mesma aptidão musical do pai – ele é integrante do único grupo da cidade que utiliza somente instrumentos de sopro nas composições musicais, o Harmônicas de Joinville, cujas sinfonias estão por trás dos vídeos que ilustram essa série de reportagens.

Foi numa dessas saídas para fazer serestas que Willy conheceu sua esposa, a doce Brigita Ana Rauch. Alberto lembra da mãe como uma mulher de beleza radiante, de temperamento calmo e fala pausada. O namoro foi rápido, assim como o noivado.

Mas a demora na vinda de documentos da Europa, atestando a origem de Willy, adiou o sonho do casamento durante alguns meses devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial. Guilherme e Brigitta casaram-se em dezembro de 1940, com uma festa memorável para a sociedade joinvilense da época. Todos os finais de semana o casal ia à praia com uma caminhonete alugada. Por lá, aproveitavam o sol, a areia e o mar das terras tropicais.

 A união e a felicidade duraram quase três décadas, quando uma fatalidade tirou a vida de Brigitta – ela foi assassinada por um pintor que trabalhava em sua casa.

Dificuldade

Mais do que o desejo de se aventurar, a saída das famílias suíças da terra natal era uma necessidade imposta pela realidade da época. Nas décadas de 40 e 50 não havia mercado de trabalho para a população excedente do meio rural, e o governo incentivava a saída de pessoas do país, fornecendo um empréstimo aos interessados.

A situação do marceneiro Marti não era diferente. Ele estava desempregado e precisava criar seus dois sobrinhos pequenos – Willy e Marta. Diante da eminente falta de dinheiro, migrou ao Sul do Brasil, para o município de Três Arroios, cidade exclusivamente agrícola, localizada no interior do Rio Grande do Sul.

Na chegada ao país, foram muitas desilusões. O novo ambiente, quente e úmido, propiciava o desenvolvimento de doenças tropicais e ocasionava muitas mortes. Vontade para trabalhar, entretanto, não faltava. Marti trabalhava duro, fabricando desde caixões funerários até armações de madeira maciça para telhados e carroças. Não demorou a arranjar um emprego melhor, em Curitiba, no estado do Paraná – cidade promissora, em pleno desenvolvimento, que já tinha mais de 70 mil habitantes. Willy ajudava na renda familiar, carregando sacos de trigo e milho em um carrinho de mão.

Um tempo de promessas

A magia do cantão Basel-Stadt, na agradável e romântica Basileia, onde Willy deu os primeiros suspiros, não correspondia à dura realidade enfrentada por ele e a irmã, Marta, ainda pequenos.  O pai, Albert, faleceu cedo, quando Willy tinha dois anos de idade.  A mãe, Marta, casou-se com um novo companheiro, Grolimund, sob a condição de não ter as crianças por perto.

Os dois irmãos foram morar com os tios. Walter, o mais velho, foi levado à casa dos avós maternos e lá permaneceu. Diante dos problemas sociais e econômicos enfrentados pela Suíça na época, a separação da família era inevitável. Uma dose de esperança e muita coragem começava a ser embalada na longa viagem de navio rumo a um lugar cheio de promessas de fartura, terra fértil e verdes plantações.

A vida no Brasil não foi fácil. “Desde cedo, meu pai trabalhava. E dava todo o dinheiro em casa, para ajudar com as despesas”, conta Alberto, emocionado. Aos 14 anos, Willy conseguiu um emprego como torneiro, depois de confessar para o diretor do Colégio Alemão Progresso, um dos melhores do país, o desejo de aprender mecânica.  Era o início de uma grande história de sucesso e perseverança.

Willy tornou-se correspondente consular da Suíça na década de 60 e ocupou o cargo por mais de três décadas, até Alberto assumir o posto. “Sinto-me lisonjeado pelo trabalho que meu pai desenvolveu com o consulado”, revela Alberto, referindo-se ao dia 1º de agosto, a mais festiva data de Joinville para suíços e seus descendentes.

Sorte: o preparo encontra a oportunidade

Em meados da década de 40, a recém-formada família de Willy embarcava numa velha caminhonete rumo ao município de Brusque.  Acomodado na carroceria da perua durante 130 quilômetros, mal sabia Willy no que iria trabalhar. A oficina Tiradentes era propriedade de Rudolfo Stutzer, de espírito inovador e irrequieto. Com o aumento da demanda de anzóis e desenvolvimento da indústria pesqueira da região, Rudolfo precisava de ajuda.  Um amigo conhecia Willy e sabia da sua necessidade de arranjar um emprego melhor.

Depois da chegada de Willy, os negócios entraram em ascensão. A oficina fabricava desde anzóis até bicicletas, passando a ser conhecida como solucionadora de problemas. “Em homenagem ao cônsul alemão Carlos Renaux, que forneceu o empréstimo para abertura do negócio, todos os produtos eram gravados com a marca Cônsul”, explica Alberto.

Uma velha e estragada geladeira a querosene de um agente de correio da região foi levada à oficina. O conserto parecia estar além da habilidade da dupla. Após explosões e vidros estraçalhados por todos os lados,  o químico Oscar Bachmann finalmente encontrou a solução, chamando a atenção de Wittich Freitag, um empresário de Joinville.  Depois de negociações, um sábado chuvoso, 15 de julho de 1950, marcava o nascimento da indústria de refrigeração Cônsul, em Joinville, com capital de Cr$ 1.000,00.

O sucesso da Cônsul e o nascimento da Embraco

Em apenas dois anos de funcionamento, a empresa superou o número de 480 refrigeradores fabricados. Novos funcionários foram contratados e houve expansão da área física. Alberto conta que o deslanche da fábrica nas décadas seguintes fez surgir a necessidade de uma fábrica de compressores, até então importados da Dinamarca. “Em 1971 nascia a Embraco, depois de quase uma década de negociações”, conta.

Na mesma década, o Brasil passava por uma crise governamental e se falou em vender as empresas. Em 1976, o controle acionário passou para a Brastemp, em uma das maiores acionistas é a Whirpool, hoje a maior fabricante de produtos de linha branca do mundo.

Willy sabia que já tinha feito sua parte. Afastou-se da empresa para dedicar-se a viagens pela Europa. “Foi visitando o irmão Walter que meu pai conheceu Renate, com quem se casou pela segunda vez”, afirma Alberto.

O brasão da família Holderegger

O tronco com raízes é a árvore chamada de Holder. Ao invés da copa, tem dois galhos com cachos de frutos vermelhos, muito comuns na região de Appenzell, onde há integrantes da família Holderegger.

“Egger” significa “recanto”, e o sobrenome, “recanto das árvores Holder”. No cabeçalho, o urso é típico da região e o cabrito faz referência à cidade de Gais.

Suíça e Brasil

O número de suíços do estrangeiro aumentou nos últimos anos. No final de 2010, 695.101 cidadãos helvéticos estavam registrados nas representações diplomáticas da Suíça no exterior, 1,5% a mais do que no ano anterior.
 
A primeira colônia suíça no Brasil foi estabelecida em Nova Friburgo entre 1818 e 1819. A maior onde de imigração ocorreu entre os anos 1846 e 1920.
  
Em 2010, as exportações da Suíça ao Brasil totalizaram 2,31 bilhões de francos. As importações somaram 849 milhões. O Brasil é o principal parceiro econômico da Suíça na América Latina.
 
No final de 2009, o estoque de investimentos suíços no Brasil era de 12,8 bilhões de francos.
 
O número de pessoas ocupadas por empresas suíças no país era de 105.900 (2009).
 
Número de cidadãos suíços no Brasil: 14.794. Brasileiros na Suíça: 17.455 (2010)
 
Fontes: Secretaria de Estado para Economia (Seco)

ASO

Fundada em 1916, a Organização dos Suíços do Estrangeiro (OSE) representa na Suíça os interesses dos compatriotas expatriados. Ela é reconhecida pelas autoridades como a porta-voz da chamada 5a. Suíça.
 
O Conselho dos Suíços do Estrangeiro (CSE) é considerado como o parlamento da 5a. Suíça. Ele se reúne duas vezes por ano - na primavera e durante o congresso anual dos suíços do estrangeiro

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