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Suíços solidários com as vítimas de Nova Friburgo




Chuva continua atrapalhando o socorro às vítimas. Urgência no reconhecimento dos mortos. (Reuters)

Chuva continua atrapalhando o socorro às vítimas. Urgência no reconhecimento dos mortos.

(Reuters)

As chuvas que assolam a região serrana do Rio de Janeiro continuam causando danos, trazendo com ela uma enxurrada de mortos. Até o momento, mais de 500 pessoas perderam a vida na maior tragédia de todos os tempos acontecida na região.

As imagens da catástrofe também chocaram a Suíça. Nova Friburgo, cidade fundada pelos suíços no século XIX, foi a segunda mais afetada na região. Uma associação do país se mobiliza para prestar ajuda aos desabrigados. Entrevista.






















Na Suíça, suíços e brasileiros que vivem no país manifestaram a preocupação com os parentes, amigos e conhecidos que moram na cidade e que continuam, em boa parte, ainda sem dar notícias. Os jornais do país comentaram a catástrofe, que concorre em desgraça com as manchetes das inundações na Austrália.

A tragédia causada pelas chuvas na região serrana do Estado do Rio de Janeiro chocou particularmente a Suíça devido aos laços de amizade mantido pelos dois países através das cidades de Fribourg e Nova Friburgo.

A cidade serrana do Estado do Rio foi fundada por colonos suíços, vindos em grande maioria dos cantões de Fribourg e do Jura. Durante muito tempo conhecida como a “Suíça brasileira”, Nova Friburgo mantém até hoje – quase 200 anos após a fundação da cidade – uma relação muito próxima com sua irmã mais velha da Europa, incentivada por um intercâmbio iniciado há mais de 30 anos. Entrevista com Raphael Fessler, presidente da antena suíça da AFNF, a Associação Fribourg - Nova Friburgo.

swissinfo.ch: Quais são as últimas notícias que a Associação sabe de Nova Friburgo?

Raphael Fessler: Não sabemos muito mais do que a população suíça que está acompanhando a mídia suíça e brasileira. Temos, é lógico, muitos amigos e conhecidos em Nova Friburgo, mas como não podemos entrar em contato com eles (ndr: alguns lugares estão, até o momento, sem luz e telefone), esperamos conseguir restabelecê-lo em breve, principalmente com o diretor da Casa Suíça de Nova Friburgo, Maurício Pinheiro, que ainda não deu notícias.

swissinfo.ch: O que a AFNF da Suíça pretende fazer?

R.F.: Lançamos logo uma ação para angariar fundos e deixar claro nossa solidariedade com as vítimas de Nova Friburgo. Há dois dias que concentramos nossos esforços para promover essa campanha em toda mídia nacional para sensibilizar os suíços e as autoridades cantonais de Fribourg e Jura, os principais parceiros nessa aventura de Nova Friburgo. Tudo isso, é claro, sabemos que são coisas modestas perto da amplitude da catástrofe. Estamos em contato com a “Chaîne du Bonheur” (ndr: órgão de solidariedade para catástrofes naturais) em Genebra, que nos explicou que só será possível para o órgão lançar uma campanha de doação se houver um pedido de ajuda internacional das autoridades brasileiras.

swissinfo.ch: Que tipo de ajuda os suíços pretendem dar?

R.F.: No momento nossa associação está fazendo o máximo para sensibilizar as pessoas para que concretizem sua solidariedade fazendo dons em dinheiro, pois não podemos prestar uma ajuda logística, nem mandar coisas para o Brasil. Pretendemos primeiro formar um fundo de ajuda para depois ver o que é mais urgente a ser realizado. Temos instalações lá que também foram afetadas, como a Casa Suíça e principalmente o lar para excepcionais da AFAPE. Tínhamos muitos projetos para esse ano com a cidade, mas vamos provavelmente concentrar nossos esforços em 2011, e nos próximos anos, nessa catástrofe.

TESTEMUNHA OCULAR

A energia elétrica chegou nesse exato momento, juntamente com a internet, e eu imaginava que muitos dos nossos amigos deveriam estar aflitos. Já recebi inúmeras mensagens de amigos da Suíça, e de Portugal, e daqui mesmo do Brasil, que conhecem Nova Friburgo e ficaram simplesmente boquiabertos.

Estamos bem, graças a Deus, mas ficamos ilhados nestes últimos dois dias (sem luz, sem gasolina, a água racionada, compras de mercado somente em um pequeno armazém aqui do bairro, há somente uma saída precária do nosso bairro.

Mas a cidade está um caos. Que tristeza. Muitos mortos, e ainda se está no início dos trabalhos de busca. Jamais vi tal coisa aqui em Nova Friburgo. Já tivemos casos de trombas d'água, mas uma situação igual a essa nunca vi.

Alberto Abib-Wermelinger, Nova Fribourgo, 14.01.2010

swissinfo.ch



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