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"Derrotas são história e futuro pode ser diferente"

O técnico da Costa do Marfim, Sven-Göran Eriksson (esq.), orienta Abib Kolo Touré durante treino nos Alpes suíços. Keystone

"Estamos em um grupo muito difícil, mas não é só para nós, é para todos", disse o técnico da Costa do Marfim, o sueco Sven Göran Eriksson, em entrevista nesta sexta-feira (28/5) no hotel onde a seleção marfinense está hospedada , na Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 28. maio 2010 - 21:28

"A seleção brasileira é muito forte e, como sempre, é favorita; e Portugal é o Brasil da Europa", disse Eriksson, que treinou o Benfica.

Na primeira entrevista coletiva, há uma semana, o técnico da Costa do Martim só falou da Coreia do Norte. Na segunda, nesta sexta-feira (28/5), ele foi mais prolixo e, como bom gentleman – que também já treinou as seleções da Inglaterra e do Méxixo –, falou a um pequeno grupo de jornalistas brasileiros depois da entrevista coletiva.

Respeito mútuo

"A Costa do Marfim também tem uma boa seleção que respeita os adversários, mas sei que também será respeitada", disse.

A seleção marfinense está fazendo duas semanas de preparação para a Copa do Mundo, na Suíça. Esteve uma semana em Montreux e está desde segunda-feira em Saanenmöser, um vilarejo do estado de Berna, a 1.300 metros de altitude.

Até agora, todos os treinos da seleção da Costa do Marfim foram fechados. No domingo (30/5), a equipe de Eriksson vai enfrentar o Paraguai, em Tonon-les-Bains, estação balneária francesa vizinha da Suíça. "Essa partida será um teste muito importante para nós. O Paraguai se classificou bem e tem um estilo de jogo parecido com o de nossos adversários do grupo".

Questionado por um jornalista português, se Portugal não se limita a Cristiano Ronaldo, Eriksson provocou risos, dizendo que ele tinha se esquecido de Nani, "um grande jogador", antes de acrescentar que conhece bem o futebol português e que a seleção é muito boa.

Na conversa mais reservada com jornalistas brasileiros, Eriksson explicou que, "tecnicamente, o futebol português é muito bom, com jogadores rápidos, e não cessou de evoluir nos últimos dez anos".

Falando de maneira muita calma e refletida, disse que "o Brasil é sempre favorito, em amistosos, nas eliminatórias e na Copa do Mundo". Questionado sobre o fato de a seleção de Dunga ser bastante criticada, Eriksson diz que "se o Brasil não ganha todos os jogos, é criticado; esse time classificou-se em primeiro lugar e também é favorito para ganhar o Mundial", acrescentou.

Respondendo a uma observação de swissinfo.ch de que ele, como técnico, nunca ganhou do Brasil nem de Portugal, Eriksson reconheceu que "é verdade, mas isso é história e o futuro talvez seja diferente".

Lembranças do gol de Ronaldinho

Ele contou "que se lembra muito bem" das duas derrotas sofridas pela Inglaterra contra Portugal nas eliminatórias da Eurocopa e do Mundial, e da derrota para o Brasil na Copa do Mundo de 2002 na Coreia e no Japão.

Eriksson não esquece do gol de falta de Ronaldinho que deu a vitória ao Brasil. "Perguntei a ele, anos depois, se ele quis mesmo chutar direto, e ele me disse que sim; eu continuo achando que não, mas foi um grande gol", reconhece. Eriksson diz ainda que, sempre que perdeu com a Inglaterra, "a diferença entre as equipes era muito pequena, mas infelizmente perdemos e, na Coreia-Japão, o Brasil foi campeão".

Sobre a questão de dispor de apenas dois meses de contrato para formar um time, o técnico diz que viajou muito para ver quase todos antes de reuni-los para treinar na Suíça. "Isso representou muitas viagens e muitos contatos telefônicos. É pouco tempo, mas tenho certeza que teremos não só individualistas e sim uma equipe técnica e fisicamente muito boa. Se você perguntar a Dunga e a Carlos Queirós, dirão que nos respeitam como nós os respeitamos."

Kaba Kone, manager da seleção costa marfinense, negou que os "elefantes da África" estejam sob pressão depois de terem sido eliminados na Copa Africana das Nações pela Argélia nas quartas de final. "Na África do Sul, somos azarões e não temos nada a perder."

Segundo Kone, a federação de futebol e o governo da Costa do Marfim não pouparam esforços para que a equipe pudesse treinar na Suíça. "A seleção é hoje nosso produto de exportação. O futebol substituiu o cacau", disse à swissinfo.ch.

Condições na Suíça

Eriksson diz que as condições de treino de sua seleção na Suíça são muito boas, citando o conforto do hotel, a qualidade do gramado em que treinam, a altitude, o clima e o tratamento recebido.

Encontrar um lugar mais sossegado do que o vilarejo de Saanenmöser, a 1.300 m de altitude, no cantão de Berna, seria difícil. Ele fica nos altos de Gstaad, estação de inverno reputada por receber milionários e celebridades.

Walter von Siebenthal, dono do hotel quatro estrelas e único do local, conta à swissinfo.ch que esta é primeira vez que recebe uma equipe de futebol. "Aqui não tínhamos um campo que correspondesse às exigências das normas atuais, mas o novo foi inaugurado uma semana antes deles chegarem", afirma.

Ele explica ainda que teve que lutar com comuna (prefeitura) para poder receber a seleção da Costa do Marfim. "Eles não estavam nada animados e tive que insistir – e acho que ainda vou ter que repetir isso muitas vezes – que a região está equipada para receber esportistas de alto nível e não apenas milionários".

Quanto à comida, ele conta que a delegação tem um cozinheiro que orienta os cozinheiros do hotel sobre o que é mais apropriado ao gosto dos jogadores. "Eles gostam da carne e do peixe bem cozidos e adoram ovos no café da manhã", explica Siebenthal. "Temos dois tipos de carne e dois tipos de peixe em cada uma das refeições principais e, claro, muita massa", conta o dono do hotel, acrescentando que os jogadores são muito simpáticos e não reclamam de nada.

Se a experiência está sendo boa? Siebenthal responde que está sendo excelente.

O próprio cozinheiro marfinense, que trabalha com a seleção desde 2008, elogia a colaboração, em breve conversa com swissinfo.ch. Diz que os jogadores, como jogam na Europa, estão mais habituados à cozinha europeia, mas que comem a comida do país quando vão de férias. "Então é preciso adaptar para agradar a todos", afirma.

Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

Hotel dos "elefantes"

O Golf Hotel de Saanenmöser (1200 m de altitude) é um quatro estrelas, único no vilarejo, onde se chega de carro ou de trem.

As diárias variam entre 195 e 410 francos suíços. Sexta-feira, 18/5, havia dois menus disponíveis no cardápio do almoço à entrada do restaurante: um com produtos típicos da região, por 136 francos suíços, e outro de peixe, por 108 francos suíços.

Fica na região de Gstaad, conhecida por receber turistas e residentes milionários e celebridades.

A região vive do turismo: esportes de inverno e de verão, com um torneio de vôlei do circuito mundial e um torneio de tênis ATP. Tem também um festival de música clássica.

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Treinos nos Alpes

Seleções que se preparam na Suíça e nos Alpes para a Copa do Mundo na África do Sul:

Coreia do Norte: 11 a 25/5, em Anzère, cantão do Valais

Costa do Marfim: 24/5 a 9/6, em Saanenmöser, perto de Saanen/Gstaad, cantão de Berna

Argélia: 15 a 27/5, Crans Montana

Grécia: 17/5 a 2/6, em Bad Ragaz, St. Gallen (nordeste da Suíça)

Japão: 25/5 a 6/6: Saas Fee, cantão do Valais

Suíça: 24/5 a 4/6, em Crans Montana, cantão do Valais


Paraguai: 16/5 a 2/6, em Evian (França), a 30 minutos de barco de Lausanne, no outro lado do Lago de Genebra

Espanha 29/5 a 4/6, em Schruns (Áustria)

Alemanha: 21/5 a 2/6, em Tirol Sul (Itália)

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