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"Eles só bebiam caipirinha e dançavam samba"

Para Elber, Dunga acabou com o futebol bagunçado de 2006. Keystone

O Brasil venceu o jogo de estreia na Copa 2010 por 2 a 1 contra a Coreia do Norte, mas não convenceu a torcida, que acusa Dunga de impor um futebol errado. Mas ele promete sucesso, diz Giovane Elber, que foi o melhor jogador estrangeiro no futebol suíço em 1993.

Este conteúdo foi publicado em 16. junho 2010 - 01:13

O ex-atacante do Grasshoppers de Zurique, que atuou no Bayern de Munique sob o comando de Ottmar Hitzfeld, diz que Dunga acabou com o futebol bagunçado da Copa 2006, "treinado" em Weggis, na Suíça.

Giovane Elber, como Carlos Dunga preparou a equipe?
Muito bem. Dunga deu sua cara à seleção. A defesa é compacta, joga agressivamente. Não é mais o futebol bagunçado de 2006.

O estágio de treinamento de 2006 em Weggis não foi só bagunça em vez de futebol?
É verdade, isso realmente foi só festa. A preparação não serviu para nada. Eles apenas bebiam caipirinhas e dançavam samba. Dunga queria evitar a repetição disso, e ele conseguiu. Do elenco de 2006 restaram dois ou três jogadores. O time é disciplinado e tem espírito de equipe. Ok, Kaká é uma estrela mundial. Mas os demais jogadores são todos iguais perante Dunga. Cada um tem de correr pelo outro. E todos fazem isso. A convocação de Grafite, do Wolfsburg, foi exemplar nesse sentido.

Até que ponto?
Ela mostrou que Dunga deixou em casa jogadores que não tinham autoconfiança ou nos quais ele não confiava. Independentemente dos nomes. Vejamos Ronaldinho: em qualquer outra seleção ele jogaria com uma perna só. Eu me pergunto se ele, no fundo, nem queria jogar a Copa do Mundo, ou se ele só percebeu tarde demais que teria de fazer mais. De Milão sempre se ouve dizer que ele não trabalha e é preguiçoso. Com Adriano foi semelhante. Dunga percebeu que a cabeça de Adriano ainda não está em ordem.

No Brasil, agora sete jogadores estão postados atrás da bola: o goleiro, quatro defensores e dois meio-campistas defensivos.
Essa acusação é feita a Dunga em casa. Muitos pensam que ele está jogando muito defensivamente. Isso não é verdade. Ele age corretamente. Quando se perde a bola, é preciso reconquistá-la. Então é preciso ter muitos jogadores por trás da bola, mais dois ou três que contra-atacam.

Dessa forma, o jogo ofensivo não depende demais de Kaká, que sequer é um armador nato?
Se ele tem um dia ruim, então realmente fica difícil. Kaká naturalmente procura a conclusão. Mas ele também é alguém que pode fazer bons passes para seus colegas de ataque.

Robinho recuperou no Santos a forma que outrora fez dele um dos jogadores mais cobiçados?
Ele jogou muito bem. Mas também é preciso dizer: foi só o campeonato estadual de São Paulo. Certo é que o retorno foi de extremamente importante para Robinho, porque no Manchester City ele quase não jogava.

Dunga foi o capitão do time campeão em 1994 e disse certa vez que, se não tivessem conquistado o título na ocasião, os jogadores teriam sido mortos ao voltar para casa.
Dunga, sim.

Sério?
Dunga já havia sido duramente criticado pela imprensa após a Copa do Mundo de 1990. Na época se dizia que Dunga foi o culpado pela eliminação do Brasil. Só Dunga, Dunga, Dunga, Dunga. Sua maneira de jogar futebol era considerada antibrasileira. Antes dele, todos os meio-campistas defensivos eram elegantes. Dunga era um jogador de dividida e extremamente duro. E se, então, como ocorreu no Mundial de 1990, ainda se é eliminado pela Argentina . . .

Esta será uma Copa africana, sul-americana ou mais europeia?
Eu acho que será mais sul-americana. Argentina e Brasil são boas equipes. A Espanha chega à final. Na Alemanha eu não acredito. Minha favorita? Holanda.

Javier Caceres, Tages-Anzeiger
(Tradução: Geraldo Hoffmann)

(Publicação na swissinfo.ch com autorização do jornal Tages-Anzeiger - veja link na coluna à direita)

Ficha

Giovane Élber de Souza
Nascimento: 23.07.1972, em Londrina (PR)

Clubes em que atuou:
1990 - Londrina (Brasil),
1991 e 1992 – Milan (Itália),
1993 - Grasshoper (Suíça),
1993 a 1997 – Stuttgart (Alemanha)
1997 a 2003 – Bayern de Munique (Alemanha)
2003 a 2004 – Lyon (França
2005 - Borussia Mönchengladbach (Alemanha)
2006 - Cruzeiro de Belo Horizonte

Títulos:
Copa da Alemanha: 1997, 1998, 2003
Campeonato Alemão: 1999, 2000, 2001, 2003
Liga dos Campeões da Europa: 2001
Copa Intercontinental: 2001
Campeonato Francês: 2004
Troféu dos campeões da França: 2004
Campeão mineiro de 2006

Destaques:
Melhor jogador estrangeiro do campeonato suíço: 1993
Melhor artilheiro do Campeonato Alemão: 2003
Maior artilheiro estrangeiro da Alemanha: 133 gols
Seleção: 15 jogos e sete gols

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