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"Para trabalhar, logo se impôs a questão da língua"

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Dra Lúcia Messina, que trabalhou muito tempo no Brasil na área de saúde pública, no setor de epidemiologia, está há 18 anos na Suíça. Em Basiléia trabalha com toxicodependentes.

Este conteúdo foi publicado em 07. janeiro 2005 - 18:48

Mas, antes, precisou logo aprender o alemão porque o francês não bastava.

Por uma dessas voltas que se dá na vida, Lúcia da Cunha Messina, 53 anos, veio parar na Suíça, há dezoito anos. “Indiretamente por causa de um suíço”, diz ela, seu marido, de origem francesa, mas naturalizado suíço. É dele que herdou Messina no sobrenome.

Nos primeiros anos de Suíça, com um casal de filhos pequenos para cuidar, resolveu dedicar-se exclusivamente à família. Uma regalia que no Brasil, reconhece, dificilmente poderia se permitir: “Lá teria sido mais difícil me desligar do trabalho, profissionalmente. Normalmente marido e mulher têm que trabalhar, por causa da situação financeira”...

Mas quando o filho mais novo iniciou o jardim de infância, pensou em conferir suas possibilidades de emprego: “Até então não me tinha interessado em saber se era possível ou não trabalhar na Suíça”.

Experiência profissional brasileira

Natural do estado do Rio de Janeiro, médica formada, com larga experiência na área de saúde pública, aparentemente a questão não devia tirar o sono de Lúcia.

Na cidade do Rio de Janeiro depois de efetuar residência no Hospital São Sebastião, voltado para as doenças infecto-contagiosas, justamente sua área de especialização, passara por São Paulo, no Instituto de Medicina Tropical, pelo Hospital Emílio Ribas. E de volta ao Rio, para a Escola de Saúde Pública, acabara se especializando em epidemiologia.

Nesse setor trabalhou na Secretaria Estadual de Saúde no Rio de Janeiro. E nos últimos anos de Brasil – antes de viajar para a Suíça em 1987 – era funcionária do Departamento de Dermatologia, do Ministério de Saúde, em Brasília: “Trabalhei epidemiologicamente, então, com as primeiras informações relacionadas com a Aids (Sida)”.

Francês não bastava

Uma surpresa quando pensou em trabalhar como médica em Basiléia, onde reside, foi a necessidade de dominar a língua alemã. Enganou-se, pensando que podia se safar apenas com o francês, uma das 4 línguas oficiais da Suíça. Basiléia – noroeste suíço – embora encostada na França, é uma cidade de língua alemã.

Mas como não tinha muita pressa, começou a informar-se sobre as possibilidades de trabalho, mesmo consciente de que sem a língua alemã – que depois dominou – não podia ir longe. “Na verdade, meu primeiro trabalho foi fazer contatos”, lembra.

Foi assim que chegou a um grupo internacional de mulheres, que na época se chamava Comitê das Pessoas sem Trabalho. “E através desse grupo conheci outras mulheres da América Latina”, diz a médica brasileira.

Da experiência nasceu um grupo de informações destinado às mulheres latino-americanas, o chamado Nosotros Basel. “E a partir daí fui conhecendo as pessoas importantes”, recorda-se.

Dra Lúcia conseguiu assim seu primeiro trabalho, que durou bastante tempo, o de mediadora: num projeto do Ministério Suíço da Saúde - Projeto Migrante - com o objetivo de levar informações sobre a Aids à população migrante. A preocupação era a de prevenção da doença.

Brecha na psiquiatria

Esse projeto ampliou seus objetivos, e como já se tinha trabalhado bastante na área da Aids, começou-se a trabalhar com drogas. Mas o projeto foi desativado.

Foi então que Dra Lúcia Messina teve proposta de trabalhar no setor da psiquiatria. E como apareceu oportunidade de fazer pelo menos um ano de residência no setor – mas “acabou fazendo dois anos” - trabalhou cem por cento em hospital psiquiátrico no cantão de Basiléia-Campo.

O mesmo gênero de trabalho realiza hoje, na cidade de Basiléia, em serviço ambulatório destinado a toxicodependentes (veja matéria precedente). Trabalha 50%, mas se a demanda aumentar, estaria disposta a exercer a função em período integral. Aparentemente com muita satisfação.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa

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