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"Queremos fazer carros para puristas"

Fundadores da Piech Automotive: Toni Piech (esq.) e Rea Stark Rajcic apresentando o modelo "Piech Mark Zero" no Salão Motor de Genebra, em 5 de março de 2019. Harold Cunningham / AFP

Há centenas de fornecedores de autopeças na Suíça. Com a fundação da Piëch Automotive em 2017, a Suíça poderá ter suas própria montadora. O co-fundador, Toni Piëch, quer posicionar um carro esportivo movido a eletricidade em um mercado excepcionalmente competitivo.

Este conteúdo foi publicado em 07. junho 2021 - 10:00
Philippe Monnier

Toni Piëch é descendente de uma dinastia da indústria de automóveis (Porsche, VW) e tem a ambição de reavivar a indústria automobilística suíça. O alemão-austríaco provocou um alvoroço no Salão do Automóvel de Genebra de 2019 ao apresentar o modelo "Piëch Mark Zero", um veículo elétrico que visa ser esportivo, luxuoso e inovador.

Tony Piëch é o bisneto de Ferdinand Porsche, fundador do fabricante alemão de carros esportivos. Harold Cunningham / AFP

O automóvel de dois lugares deve custar aproximadamente 150 mil francos, e têm um sistema elétrico particularmente eficiente: 80% da capacidade da bateria é carregada em menos de cinco minutos, com um alcance de até 500 quilômetros. Espera-se que o carro esteja no mercado em breve, mas Toni Piëch não quer divulgar uma data exata.

swissinfo.ch: Por que o senhor escolheu Zurique como sede para a Piëch Automotive?

Toni Piëch: Como europeu, é importante para mim que a Europa continue a desempenhar um papel importante no mundo. E, no setor automotivo, a Europa tem uma forte base industrial. Além disso, embora tenha origem austríaco-alemã, cresci em Lucerna e aprecio os valores suíços de confiabilidade e atemporalidade, como os personificados pelos relógios suíços. Estes são precisamente os valores que a Piëch Automotive deseja enfatizar. E, finalmente, Zurique é um centro financeiro líder e - com a presença de empresas como o Google - cada vez mais também um centro tecnológico.

swissinfo.ch: E a Suíça também tem muitos fornecedores de autopeças...

T.P.: Certamente, sim. Mas esse não foi um critério decisivo, pois poderíamos ter tido um bom acesso a esses fornecedores suíços de outros países, como Alemanha, Áustria ou Itália. Além disso, também trabalhamos com fornecedores que não estão sediados apenas na Europa, mas também fora do continente.

swissinfo.ch: Se o senhor se abastece de tantos fornecedores estrangeiros, ainda seria possível afirmar, oficialmente, que seus carros são "Made in Switzerland"?

T.P.: Não, não podemos. Porque, de acordo com os regulamentos da “Swissness” (combinação de atributos positivos, que são comercializados como tipicamente suíços, especialmente no estrangeiro), pelo menos 60% dos custos de fabricação teriam de ser incorridos na Suíça. Na indústria automotiva, isso não é realista.

swissinfo.ch: Nem todas as suas atividades são administradas a partir de Zurique, pois o senhor também tem uma filial perto de Munique. Por quê?

T.P.: Sim, esse é o caso. Desde o início, temos trabalhado muito estreitamente com vários fornecedores na área de Munique. A criação de uma pessoa jurídica nesta região era a coisa mais óbvia a fazer.

Alguns fabricantes de carros elétricos, como a Porsche, oferecem muitos modelos e opções diferentes. Outros - como Tesla - não o fazem. Como é a situação da Piëch Automotive?

Nossa estratégia é novamente diferente. Nosso objetivo é produzir objetos de paixão, em outras palavras, carros atemporais para os puristas amantes da tecnologia.

Toni Piëch

Toni Piëch é alemão- austríaco, mas frequentou o Lyceum Alpinum Zuoz perto de St. Moritz, no cantão de Graubünden. Ele também estudou na Universidade de Princeton, nos EUA.

Depois ele passou doze anos na China, primeiro como correspondente da estação de rádio suíça de língua alemã (DRS, na sigla em alemão) e depois como fundador e presidente da PAE Pictures, uma empresa de médio porte especializada na produção de filmes de longa-metragem, programas de televisão e conteúdo digital.

Tony Piëch é bisneto de Ferdinand Porsche, fundador do fabricante de automóveis de mesmo nome, e filho de Ferdinand Piëch, ex-presidente do conselho fiscal do Grupo Volkswagen.

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swissinfo.ch: Em todo o mundo, há pelo menos 100 novas empresas especializadas em veículos elétricos. Além disso, os fabricantes de automóveis estabelecidos também estão se concentrando nesses veículos. Como o senhor pretende deixar sua marca?

T.P.: Nosso setor é de fato extraordinariamente competitivo. Mas não estamos preocupados, porque nossa abordagem não é vender o maior número possível de veículos o mais rápido possível. Nossa visão é servir a um nicho claramente definido, e alcançar uma rentabilidade sólida a longo prazo.

"Nosso setor é extraordinariamente competitivo, mas não estamos preocupados."

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swissinfo.ch: O senhor enfatiza o tempo de recarga extremamente curto de suas baterias. Como você pode impedir que seus concorrentes o copiem?

Nosso forte é nossa modularidade. Esta abordagem nos permite integrar rapidamente novos componentes externos, tais como sistemas de carregamento, sensores, chips ou sistemas de gerenciamento de dados.

Em contraste, fabricantes de automóveis já estabelecidos, como o Grupo Volkswagen, precisam de muitos anos para introduzir esses novos componentes.

Em outras palavras, não estamos buscando acesso exclusivo a certos fornecedores, mas queremos sim ser os primeiros a integrar seus novos componentes revolucionários.

swissinfo.ch: Em 2019, o senhor anunciou no Salão Automobilístico de Genebra que seu primeiro modelo estará disponível para compra a partir de 2022. É possível confirmar esta data? E qual será o preço de venda?

T.P: Neste momento preferimos não anunciar uma data exata. Nosso primeiro modelo será de dois lugares, com uma faixa de preço entre 150.000 e 200.000 francos.

swissinfo.ch: Quais serão suas prioridades geográficas?

T.P.: Basicamente, planejamos cobrir igualmente a América do Norte, Europa e Ásia. Entretanto, acreditamos que é extremamente importante, especialmente no início, ser bem sucedido na Suíça e na Alemanha. Isto é, na verdade, um pré-requisito para nosso sucesso em outros mercados.

É um desafio conseguir uma licença de um veículo em vários países, mas estamos convencidos de que podemos fazer isso.

swissinfo.ch: Além do de dois lugares, que outros modelos o senhor planeja lançar?

T.P.: Nosso objetivo é lançar três modelos esportivos: nosso veículo de dois lugares, um de quatro lugares e um SUV (veículo esportivo utilitário). Estes dois últimos modelos devem nos permitir vender um maior número de unidades, e nós temos grandes expectativas para a comercialização de nossos SUVs na China. 

Devido a nossa abordagem modular, a construção de uma linha de três modelos não deve ser excessivamente complexa.

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