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A suíça que une religiões em Jerusalém

Irène Pollak-Rein recebendo do prefeito de Jerusalém, Mosche Lion, o título de cidadã honorária. zvg

Irène Pollak-Rein ajudou a criar uma escola, onde as crianças judias e árabes aprendem juntas. Em agradecimento, Jerusalém a nomeou cidadã honorária da cidade.

Este conteúdo foi publicado em 15. setembro 2020 - 14:00
Joëlle Weil, Tel Aviv

Ela tinha apenas 17 anos quando desembarcou na Basiléia em 1967 para assistir uma palestra. Jitzchak Rabin, o general do exército israelense e herói da Guerra dos Seis Dias, iria explicar seus feitos militares ao público presente. "Não entendi nenhuma palavra falada por Rabin, mas o escutei com bastante atenção". Dois anos depois, Irène se mudou para Jerusalém. A "Cidade Dourada" se tornou seu lar. Anos mais tarde Rabin chegou a ser primeiro-ministro de Israel, cargo que exerceu até sofrer um atentado em 1995.

Cidadã honorária de Jerusalém

Irène Pollak-Rein tem hoje 70 anos de idade e acaba de receber o prêmio "Yakir Jerusalém" e o título de cidadã honorária da cidade. A alta distinção é o reconhecimento pelo seu trabalho em prol da cidade e seus concidadãos. Há duas décadas  coleta dinheiro para a "Fundação Jerusalém" em países de língua alemã com o objetivo de financiar diversos projetos educacionais.

A "Fundação Jerusalém" é uma das ONGs mais importantes da cidade. Um dos projetos mais importantes é a "Escola de Mãos Dadas". É a única no mundo onde as crianças árabes e judias aprendem juntas desde o jardim de infância até a conclusão do ensino ginasial.

Brasão do cantão na escola

A ministra suíça das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey, deu em 2003 o ponta pé inicial do projeto ao doar três milhões de francos. Desde então, um brasão de algum cantão suíço está pendurado na porta de cada sala de aula. Junto deste encontra-se também placas informativas em hebraico, árabe e na língua do cantão correspondente. Os brasões ilustram aos alunos que mesmo um lugar pacífico como a Suíça não foi criado da noite para o dia.

Apesar da importância, o projeto não é representativo de Jerusalém, explica Irène Pollak-Rein. Trata-se de uma escola única e, "infelizmente", que não corresponde às regras vigentes.

Porém a suíça está convencida de que "Jerusalém seja a cidade mais tolerante do mundo", mas com uma má reputação. "Quando você pensa em Jerusalém, pensa automaticamente em conflitos. Diversidade e democracia são vividas aqui como em nenhum outro lugar no mundo". A cidade tem diversas religiões, dos quais muitos membros da seguem ao pé da letra, mas convivendo com as outras.

Irène sabe que a afirmação poder soar paradoxal, mas a paisagem urbana de Jerusalém não a contradiz. "Consideramos em Jerusalém viver tão próximos uns dos outros. É uma normalidade desse local. Quase um milagre."

A escola em Jerusalém foi financiada por doadores suíços. zvg

Problema em Jerusalém

Mas a tolerância não basta para essa historiadora de formação. A suíça quer impulsionar a cidade e, acima de tudo, melhorar o sistema educacional. Jerusalém é uma das cidades mais pobres do país. A razão encontra-se no grande desemprego entre árabes e judeus ultra-ortodoxos.

O motivo do alto nível de desemprego de judeus ultra-ortodoxos é a religião: eles ocupam o seu dia estudando livros religiosos e praticando suas tradições. Entre a população árabe, o fato de as mulheres muitas vezes não trabalharem leva a um aumento do desemprego. Ambos mergulham a cidade em grandes dificuldades financeiras.

"Queremos facilitar a entrada de todos no mercado de trabalho, mas sem mudá-las". Temos que criar as condições estruturais que levem os árabes e os judeus ultra-ortodoxos a aceitarem nossa ajuda e se integrarem no mundo do trabalho", diz Irène. "É um passo essencial para o futuro da cidade."

Sua nomeação como cidadã honorária é uma confirmação que ainda "há muito o que fazer".

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