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ABB em crise

AB já tem prejuízos de US$ 82 milhões desde o início de 2002.

(Keystone)

Ações do gigante empresarial suíço-sueco caem mais de 60% e chegam a valer menos do que 1,41 francos suíços na bolsa.

Crise é provocada pelo anúncio de queda dos rendimentos e a possível falência da filial americana Combustion Engineering.

A semana não começou bem para a ABB. Depois que o alemão Jürgen Dormann, desde setembro presidente do conselho da empresa, anunciou publicamente que as expectativas de ganho não seriam alcançadas em 2002 e que possivelmente a filial americana Combustion Engineering poderá pedir falência, as ações da ABB não pararam de cair.

No terceiro trimestre a ABB teve um prejuízo de US$ 183 milhões. No total, a empresa teve, desde o início do ano, um prejuízo de US$ 82 milhões. As perdas são justificadas pela ABB devido à fraca conjuntura mundial e aos altos custos de reestruturação.

Queda de 87,2% desde o início do ano

Na terça-feira a cotação dos papéis caiu mais de 60% na bolsa suíça e as ações chegaram a valer 2,05 francos suíços. Há três meses elas estavam cotadas à 13,50. Desde o início do ano, elas já perderam mais de 87,2% do seu valor. Na quarta-feira as ações continuaram a despencar e passaram a 1,41 francos suíços. Na manhã de quinta, houve uma pequena recuperação e o título aumentou para 1,99 francos suíços.

O primeiro motivo para a vertiginosa queda deve-se a publicação de um comunicado da ABB, em que Dormann confessa que os resultados de 2002 serão menores do que o esperado. "As espectativas do primeiro semestre do ano, de que a situação econômica mundial iria melhorar não se concretizaram", afirma o presidente do conselho da ABB. Ele explica ainda que será possível reduzir a dívida da empresa em 1,5 bilhões de dólares (atualmente da ordem de US$ 5,5 bilhões), porém negou-se a fazer prognósticos para o futuro. "Devido a atual insegurança no mercado, quanto à forca e prazos de uma possível recuperação da economia, não iremos dar números relativos às perspectivas de faturamento".

Processos na justiça americana

Ao mesmo tempo, a publicação de um outro comunicado da ABB reforçou o medo geral dos investidores. Ele prevê que os prejuízos provocados pelos processos de indenização contra a filial americana Combustion Engineering (CE), movidos por ex-funcionários contaminados por amianto, serão maiores do que o previsto. Nesse caso seria possível a falência da filial para evitar, de forma legal, que as perdas sejam ainda maiores.

A filial CE, comprada em 1990, já pagou mais de 865 milhões de dólares aos ex-funcionários. Estes ganharam processos na justiça, ligados à contaminação provocada pelo uso do amianto na empresa nos anos 70. Entre 1999 e 2000, a CE vendeu grande parte das suas atividades industriais. Hoje ela administra os terrenos e prédios que ainda estão na lista de propriedades. Ao mesmo tempo, a CE ainda tem mais de 100 mil ex-funcionários, que trabalharam no passado para a empresa e que ainda podem mover mais ações na justiça.

Indenizações milionárias

Dormann declarou que os custos esperados resultados dos processos de indenização contra a filial Combustion Engineering (CE) irão ultrapassar o valor atual das ações da empresa no fim de setembro: 812 milhões de dólares.

Em entrevista aos jornais, Dormann assegurou que não existe a possibilidade de uma falência geral da empresa, pois as linhas de crédito estão asseguradas pelos bancos. Analistas financeiros comentaram durante o início da semana que um desmembramento ou até mesmo o risco de falência eram reais.

ABB tem 150 mil funcionários no mundo e um faturamento de 24 bilhões de dólares. Na América do Sul e do Norte, a empresa faz 25% do faturamento.
swissinfo

Breves

- Prejuízos desde o início de 2002 alcançam US$ 82 milhões.
- Cotação na Bolsa Suíça (24.10 pela manhã): 1,99 francos suíços.
- As ações da ABB perderam 87,2% do seu valor desde o início do ano.
- Dívida atual: US$ 5,5 bilhões.
- 150 mil funcionário trabalham para a empresa no mundo.

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