Suíça ajuda a combater "fake news" na África e na América Latina

A "Dra. Edilícia" é uma figura criada para ilustrar a campanha da ong suíça Solidar Suisse. Solidar Suisse

Rumores e falsas notícias se espalham mais rapidamente na África e na América Latina do que o coronavírus. Para proteger a população e combater a propagação do vírus, duas ONGs suíças conduzem um projeto de mídias.

Christina Stucky

"O vírus não consegue sobreviver na África".

"Um curandeiro disse que poderia curar o Covid-19."

"O Covid-19 só ataca os fracos."

"O vírus é uma invenção do Ocidente."

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O coronavírus chegou aos países do Sul e, com ele, uma grande quantidade de rumores e notícias falsas. Quase todos os países da África e da América Latina já registram milhares de infecções e mortes devido às complicações causadas pelo SARS-CoV-2. Os números ainda são comparativamente baixos, mas vários países já impuseram medidas drásticas como isolamento ou fechamento do comércio. Todos temem um "tsunami" que poderá levar seus sistemas de saúde ao colapso. Especialmente durante o isolamento, as mídias, tradicionais e modernas, são a única fonte de informação fiável.

"Elevada credibilidade"

ONGs suíças de ajuda ao desenvolvimento querem agora combater as notícias falsas. E como armas, utilizam seus longos anos de experiência, como a Solidar Suisse. Ao longo dos anos essa ongs fez um nome pela defesa dos direitos democráticos ou no combate à violência contra as mulheres e "goza agora de um nível muito elevado de credibilidade", afirma Klaus Thieme, da Solidar Suisse, completando: "O que é algo essencial na situação atual".

Atualmente a ong executa campanhas de higiene que já estavam em curso antes da propagação do vírus em todos os países nos quais atua. Na Bolívia, a Solidar Suisse utiliza uma figura criada há 16 anos: a "Dra. Edilícia", que difunde mensagens e informações relevantes durante a pandemia.

Ação para a "Dra. Edilícia"

"Em muitos países, informações truncadas sobre causas e tratamento do Covid-19 são difundidas por várias fontes", acrescenta Thieme. "Por vezes é o próprio governo. Em outros casos são charlatões, fanáticos religiosos, mas por vezes até mesmo pela própria população não ciente dos fatos."

Através da figura de Dra. Edilícia, a ong contrapõe a desinformação através de campanhas realizadas no Facebook ou mensagens transmitidas por rádios ou jornais. A campanha funciona em paralelo com outro projeto da Solidar-Suisse: o "Bolívia Verifica", que verifica notícias e divulga informação baseada em fatos.

No Facebook, a "Dra. Edilícia explica a uma adolescente que o vírus não afeta apenas os "fracos" e explica através de um comercial de rádio a uma mulher a importância das medidas de higiene. A mensagem, cujo bordão é "Eu não acredito que você queira ser um aliado do vírus" - é transmitida com hashtag #DeVosDependemos ("Confiamos em você").

Luta contra violência doméstica 

A Dra. Edilícia mostra o que pode acontecer quando o toque de recolher é imposto para algumas mulheres na Bolívia: elas ficam encarceradas o dia inteiro com maridos violentos. Então a campanha apela aos vizinhos, amigos e familiares para que entrem em contato com essas mulheres e lhes dê números de contato e os locais onde elas podem receber ajuda. "Anime-as a procurarem ajuda e mostrem que elas não estão sozinhas."

Longa lista de notícias falsas

Mesmo nos países parceiros da Fundação Hirondelle, a lista de notícias falsas é "muito longa", afirma Caroline Vuillemin, chefe da ong sediada em Lausanne. Ela trabalha há 25 anos em países francófonos da África, onde hoje circulam vários boatos relacionados à doença:

  • O vírus é uma invenção dos países ricos para obrigar a vacinação em massa.
  • Ou do próprio governo para obter mais dinheiro da ONU.
  • Ou que só é preciso fazer a barba e beber bebidas quentes todos os dias para se proteger do Covid-19.

As estações de rádio e os estúdios de produção que a Hirondelle construiu ao longo dos anos estão sendo hoje utilizados para transmitir notícias e informações baseadas em fatos sobre o vírus. A fundação funciona em países fragilizados e afetados há anos por conflitos, onde as notícias fiáveis são muitas vezes escassas.

© Gwenn Dubourthoumieu / Fondation Hirondelle

"Já fizemos campanhas transnacionais, mas esta é a primeira vez que estamos sendo confrontamos com uma crise tão global que afeta todos os países parceiros ao mesmo tempo", diz Vuillemin. "É uma das maiores campanhas que já fizemos desde a nossa fundação."

De Burkina Faso à República Centro-Africana, do Níger ao Madagáscar: os estúdios e estações de rádio da Hirondelle produzem e emitem boletins várias vezes por semana com informações sobre formas de combater o SARS-CoV-2 e medidas de higiene a serem aplicadas. Além disso, convidam ouvintes para participar de debates ao vivo na rádio e telefonar para fazer perguntas.

O estúdio da Hirondelle no Congo também utiliza canais de comunicação social para levar à população suas mensagens. "O vírus é real. Ele mata e não é racista. Atinge brancos e negros. Pobres e ricos. Políticos e celebridades", diz o jovem repórter em clip transmitido no canal YouTube. "Seja responsável. Se todos se protegerem, todos nós estaremos protegidos."

Boa informação para todos 

"Em todos os programas, os jornalistas aplicam as regras jornalísticas básicas e a verificação dos fatos", afirma Vuillemin: "Nosso objetivo é chegar às pessoas menos instruídas com uma campanha de informação e sensibilização bem abrangente, razão pela qual produzimos conteúdos não só em francês, mas também nos idiomas locais." 

"Essa estratégia é particularmente importante nos países africanos já enfraquecidos por outras crises e conflitos", diz. Nesses países, a pandemia e a "epidemia de desinformação" podem alimentar conflitos ou provocar sua reativação. "As emissões destinam-se a acompanhar as pessoas, mesmo nos períodos de isolamento e a promover a solidariedade entre a população", ressalta Vuillemin.

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