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Americanos de origem suíça hesitam ainda

Difícil escolha entre Obama e McCain para muitos eleitores. Reuters

Quem será o novo presidente dos Estados Unidos? Barack Obama ou John McCain? Entre americanos de origem suíça, muitos se questionam e outros ainda nem conseguiram tomar uma decisão. Uma enquête.

Este conteúdo foi publicado em 03. novembro 2008 - 10:28

Emily Muelly, uma americana que se tornou suíça graças ao casamento com um suíço, não tem dúvidas sobre o candidato que irá votar.

"Barack Obama é aquele que mais trará soluções aos problemas dos Estados Unidos", declara essa jovem de 25 anos que estuda medicina na Universidade de Pensilvânia, em Hershey.

Após ter hesitado entre ele e Hillary Clinton durante as primárias, Emily Muelly apóia Barack Obama desde abril. "Ele é presidenciável, se comporta bem, é bem eloqüente e explica os problemas como a crise econômica de uma maneira que nós compreendemos. Além disso, sua aura, seu tom calmo e o fato que ele não perde o controle quando é atacado. Eu considero tudo isso muito positivo", explica.

No entanto, mesmo essa fã desde o início tem dúvidas sobre a vitória de seu candidato favorito. "Eu não tenho essa segurança", revela Emily Muelly. "Essas pessoas que crêem na superioridade de brancos e esses complôs de assassinato que foram planejados: tudo isso mostra que existe ainda muito racismo."

O fator racial

A Pensilvânia, onde vive Emily Muelly, é um dos estados indecisos entre Barack Obama e John McCain. Ora, há alguns dias, um deputado democrata da Pensilvânia, John Murtha, estimou que a parte sudoeste do estado, uma região rural, era "racista". Do seu lado, o governador democrata Ed Rendell pediu que Barack Obama e seu colega de campanha Joe Biden voltassem à Pensilvânia para conter a vantagem do republicano John McCain.

"O racismo não existe somente no sudoeste da Pensilvânia. Ele está presente em todos os lugares, pois no nosso país existem muitas regiões rurais onde, freqüentemente, as pessoas não gostam de outros que são diferentes delas", deplora Emily Muelly, antes de acrescentar que ela "tenta manter as esperanças".

Em Long Island, no Estado de Nova Iorque, o duplo-cidadão John Hooker tem também suas dúvidas, mas de outra natureza. Interrogado sobre o fato de saber se ele também é um entusiasta por Barack Obama como declarara em junho, à swissinfo, John Hooker hesita e responde que ele se tornou "mais realista".

"Ninguém é perfeito, nem Obama, mas eu creio que ele é o melhor candidato que nós poderíamos ter na atual situação", afirma esse americano de nascença que se reinstalou nos Estados Unidos em 2005 após ter vivido em Genebra e que possui a dupla-nacionalidade também graças ao casamento com uma suíça.

Medo das mudanças

John Hooker explica que tem suas "preocupações" sobre a noção de mudança trazida pelo candidato democrata. "Eu concordo com todas as opiniões de Obama quanto às mudanças, mas elas suscitam receio e as pessoas que pensam que ele vai cair muito para a esquerda e colocar o sistema de cabeça para baixo", declara.

De resto, a questão relativa ao conteúdo das mudanças que poderão ser realizadas por Obama como presidente - e que preocupa John Hooker - é a mesma que fez o norte-americano de origem suíça, Gene Boscacci, escolher John McCain: "O que motivou minha decisão é o medo de que Obama seja socialista demais", avalia esse consultor em recursos humanos que está, portanto, inscrito nas listas eleitorais como democrata em São Francisco.

Por muito tempo indeciso, Gene Boscacci só tomou sua decisão duas semanas antes do escrutínio e já votou em John McCain por correspondência. "Eu não estou seguro que possa suportar tantas mudanças que Obama trará, mesmo se a maioria destas serão positivas, como a melhoria do sistema de seguro de saúde. Com McCain, as mudanças serão mais graduais".

Apesar de ter decidido votar em favor do candidato republicano, Gene Boscacci tem dúvidas sobre as chances de vitória do seu candidato. "Eu creio que iremos assistir um momento histórico em 4 de novembro e eu não acho que McCain vá ganhar", afirma.

4 à 10% de indecisos

Os indecisos representam entre 4 à 10% do eleitorado, segundo as diferentes pesquisas de opinião. Um dentre eles é Mary Leedy, cujo pai e os avós maternos emigraram do cantão de Schaffhausen. "Eu me decidirei no momento em que for votar", revela essa dona-de-casa que vive em Timonium, Maryland.

Barack Obama e John McCain sabem que os indecisos detém uma das chaves da eleição, sobretudo em Ohio, estado onde Mary Leedy nasceu e sua família vota nos republicanos. Nos últimos dias de campanha, os candidatos focalizaram seus esforços em persuadir os indecisos. Mas Mary Leedy ressalta que ela "não está segura quanto às qualificações dos candidatos, nem segura quanto a eles próprios e nem ao que eles irão fazer se forem eleitos".

"O país vai mal e estou preocupada por nossa posição no mundo, por essa dívida de vários bilhões de dólares, por essa guerra que continua no Iraque, por todo esse dinheiro que vai para a China e por todo esse desemprego", lamenta-se.

Mary Leedy "procura alguém que tenha o discernimento necessário para atacar os problemas e salvar o país". Porém ela não está segura de ter encontrado o salvador dos Estados Unidos, nem em Barack Obama e nem em John McCain.

swissinfo, Marie-Christine Bonzom em Washington

A eleição

A eleição do novo presidente norte-americano será terça-feira, 4 de novembro. Os delegados, chamados grandes eleitores, serão eleitos nos estados.

São estes que irão decidir o vencedor. Em inúmeros estados, o vencedor da eleição obtém todos os grandes eleitores.

O candidato que obtém a maioria dos votos não ganha necessariamente as eleições.

Isso ocorreu em 2000 quando Al Gore disputava as eleições contra George Bush. Gore obteve mais votos, mas Bush ganhou por ter 271 grandes eleitores contra 266 do candidato democrata.

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Contexto

Mais de 6 milhões de norte-americanos vivem no exterior. Destes, 16.411 estão instalados na Suíça. Mais de um quarto deles, ou 4.463 pessoas, vivem no cantão de Genebra.

A população norte-americana da Suíça é ativa, principalmente na economia privada e em organizações humanitárias.

No plano político, os norte-americanos da Suíça são, em sua grande maioria, democrata e foi "infectada" pela "Obamamania".

O presidente do banco privado RAS e suíço por adoção, Bob Gebhardt, estima que o número de seus compatriotas republicados chega a 200 na Suíça.

O voto dos democratas do estrangeiro é contabilizado globalmente e não estado por estado, enquanto que o dos republicanos é contabilizado unicamente no estado de origem.

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