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Bolsa teuto-americana ameaça transações suíças

SIX Group (bolsa de valores da Suíça) preocupado com o futuro Keystone

A proposta de fusão da bolsa de Nova Iorque com as bolsas de valores alemãs para criar a maior plataforma comercial do mundo deve aumentar ainda mais a pressão na bolsa suíça.

Este conteúdo foi publicado em 17. fevereiro 2011 - 19:55
swissinfo.ch

Segundo os especialistas, o suíço SIX Group, que representa a pequena praça de comércio de títulos da Suíça, deve reagir à criação do novo parque de negócios diversificando suas atividades ou sacrificando sua independência.



















Na terça-feira (15), a Bolsa de Valores de Nova Iorque (NYSE Euronext) e a alemã Deutsche Börse concordaram com os termos para uma fusão inovadora. O acordo marca a última etapa de uma série de fusões nos últimos anos em resposta à concorrência cada vez mais acirrada.

Se a fusão for adiante como planejada, a minúscula SIX será confrontada com algumas opções desagradáveis, de acordo com Manuel Ammann, diretor do Instituto de bancos e finanças da Universidade de St Gallen.

O grupo SIX enfrenta a concorrência não só das mega bolsas, mas também de um número crescente de novas plataformas de negócio estabelecidas pelos bancos após as alterações da regulamentação europeia, que passou a permitir a transação de valores fora das bolsas.

"O perigo não é iminente, mas no futuro poderíamos ter, de um lado, enormes plataformas, e de outro, plataformas flexíveis de baixo custo com transações de médio porte entre as duas", disse Manuel Ammann à swissinfo.ch.

"Se esta tendência continuar e os concorrentes conquistarem mais mercado, então a questão será, obviamente, de saber se a bolsa suíça é grande o suficiente para continuar funcionando. Se não, ela terá que fusionar também ou alterar seu modelo de negócios".

 

Fusões rejeitadas

Até agora SIX vem recusando a ideia de uma possível fusão, tendo recusado inclusive uma proposta da Deutsche Börse em 2004, publicando dois anos depois um relatório estratégico descartando outras tantas.

Em vez disso, o grupo se reestruturou há três anos em um modelo mais simples, cortando taxas e se lançando em uma série de negócios semelhantes para complementar sua atividade principal de negócio de ações das principais empresas suíças, os “Swiss blue chip”.

A organização vem diversificando seus serviços nas áreas de compensação, informações financeiras, sistemas de pagamentos e serviços de cartão de crédito, além de continuar executando seus derivativos bem estabelecidos, as plataformas para o negócio de valores mobiliários e produtos estruturados (Eurex, Stoxx e Scoach) em copropriedade com a Deutsche Börse.

O grupo SIX disse que iria discutir o futuro dessas empresas com sua congênere de Frankfurt "no devido tempo", em razão da proposta de fusão da NYSE Euronext. Mas o grupo não quis comentar as implicações mais amplas de uma mega bolsa teuto-americana.

 

Situação desconfortável

O maior desafio para todas as bolsas tradicionais é o surgimento de plataformas mais flexíveis e menos regulamentadas que se aproveitaram da legislação europeia que pôs fim ao monopólio das bolsas no negócio de ações e outros títulos.

"As bolsas de valores atuam em um campo cada vez mais regulamentado enquanto que as novas plataformas emergem em um campo praticamente livre de regulamentação", disse. "É uma situação desconfortável".

Gomez revelou que a bolsa suíça já perdeu, nos últimos meses, quase um terço de sua atividade tradicional com “blue chip” para essas novas plataformas. Mas insistiu que a estratégia da SIX de diversificação garante ao grupo uma boa posição para resistir à tormenta.

O plano de fusão da NYSE Euronext e a Deutsche Börse foi projetado para solucionar o problema de outra forma. As duas bolsas esperam que a fusão permitirá reduzir custos de TI e atrair mais clientes devido ao seu tamanho muito maior e a segurança.

 

Mudando a tradição

No entanto, Richard Meier, ex-executivo da bolsa de valores suíça, continua convencido de que a estratégia suíça pode dar certo. Ele acredita que a fusão deve criar um monstro pesado demais que vai acabar se atolando em brigas de identidade, com cada país tentando impor sua cultura nele.

A história também mostra que é difícil avaliar o mercado de ações e a segurança longe dos terrenos tradicionais, não importando o tamanho da plataforma, acrescentou.

Meier acredita que a bolsa suíça - como todas as outras bolsas tradicionais – está mais ameaçada pelas novas plataformas. Para conseguir enfrentar este desafio, as bolsas devem se afastar de suas raízes e mudar sua maneira de pensar.

"As bolsas de valores precisam se reinventar, se afastando do legado dos últimos 200 anos", disse à swissinfo.ch. "Elas sempre foram uma combinação estranha de empresa, legisladora e cartel agindo no interesse de seus membros".

"Essa cultura funcionou maravilhosamente no meu tempo, mas não vai funcionar no futuro com estas novas plataformas racionalizadas trabalhando de forma mais eficiente".

Para o grupo SIX, detido por 150 bancos suíços e outras instituições financeiras e uma das duas únicas bolsas europeias que continuam em mãos privadas, esse é um momento decisivo. 

Mercado de ações

As bolsas de valores na Suíça têm 150 anos. Em 1995, as bolsas de Zurique, Berna e Basileia foram fundidas em um grupo, o SWX Group – rebatizado SIX Group em 2008.

SIX Group é uma das poucas bolsas de valores privadas no mundo - somente a bolsa espanhola tem a mesma estrutura de propriedade na Europa.

Desde que mudou sua estrutura em 2008, a bolsa suíça é controlada por uma associação de 150 instituições financeiras - principalmente bancos. UBS e Credit Suisse detêm mais de 30% da participação acionária do grupo.

As empresas estão listadas no Swiss Market Index (SMI) e no Swiss Leader Index (SLI).

Em 2004, a bolsa suíça recusou uma oferta de se fundir com sua homóloga de Frankfurt. Dois anos depois, uma revisão estratégica reforçou a intenção da bolsa em continuar independente.

Como a concorrência entre as bolsas se intensificou, a Bolsa de Nova York (NYSE) se fundiu com a Euronext de Paris em 2007. A proposta de fusão da Bolsa de Valores de Londres (LSE) com a bolsa de tecnologia Nasdaq dos EUA não deu em nada.

No mesmo ano, a introdução de normas europeias, permitindo transações fora dos mercados regulamentados, resultou na criação de bolsas alternativas apoiadas pelos bancos.

A moda das concentrações retornou ano passado com o acordo para fundir as bolsas de Cingapura e Austrália. As negociações entre a LSE e a bolsa canadenses estão em andamento.

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