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CIGA facilita a vida dos brasileiros na Suíça

(swissinfo.ch)

Sediado em Basiléia, o Centro de Integração e Apoio (CIGA) vem realizando há 6 anos trabalho de integração dos brasileiros através de orientação e aconselhamento.

Preocupa-se também com cultura e o perfil dos compatriotas.

O brasileiro que chega à Suíça pela primeira vez para ficar encontra mil pequenos problemas, a começar pela comunicação em um dos 3 principais idiomas do país (alemão, francês e italiano).

Na sua condição – estudante, pai ou mãe de família, trabalhador ou mesmo clandestino – pode precisar de informações básicas sobre alojamento, estudos, educação de filhos, documentos pessoais, inclusive para eventual casamento... Para não falar de dicas sobre coisas triviais como, por exemplo, onde encontrar produtos brasileiros de consumo diário: feijão, farinha, azeite de dendê, carne seca, cachaça...

A gaúcha Irene Zwetsch, coordenadora do CIGA-Brasil observa com razão que as pessoas que chegam procuram pontos de referência e “querem também achar alguma coisa brasileira para não se sentirem tão estrangeiras”.

Constata que geralmente elas estão igualmente atrás de informações práticas. Se têm filhos, querem saber como pôr o filho na escola, como funciona as equivalências de estudos, etc.

Na área jurídica, diz Irene, há brasileiras “que vêem para cá e casam num esquema meio rápido e depois constatam que não é bem aquilo”. Aí precisam de advogado, precisam conhecer seus direitos, regularizar a permanência no país.. Os cenários são muito variados.

Há, por fim, o problema da atualização de documentos brasileiros: “Como tentam ligar para o consulado e não conseguem contato, ligam pra gente”.

Função de ponte

O CIGA, criado em Basiléia – noroeste – em 1998, veio ao encontro dessas pessoas, no intuito de fornecer orientação, apoio e solidariedade nos mais diferentes domínios.

Com base na experiência inicial, a orientação mudou de ênfase nos últimos 4 anos. Do simples aconselhamento passou-se a dar maior enfoque à informação, seja através do telefone, seja através de um site Internet que engloba “as páginas amarelas brasileiras na Suíça”. Dispõe, inclusive, das informações existentes no Consulado Brasileiro em Zurique.

“Quer dizer que as informações cobrem desde questões jurídicas relacionadas com documentação até coisas do dia-a-dia, como essa pergunta recorrente: sabe onde comprar feijão”?

“Eu vejo o CIGA como uma ponte” diz a gaúcha, destacando que ele tem como símbolo “dois braços aberto que acolhem uma bola, ou seja, a pessoa que chega”.

Problema permanente

CIGA-Brasil apresenta-se como uma associação sem fins lucrativos, sem vinculação política ou religiosa e com objetivos bem definidos nos próprios estatutos, parecendo preocupar-se em manter certa neutralidade.

A coordenadora Irene Zwetsch dá a impressão de ser o pau pra toda obra na associação. Aliás ela não esconde essa função, como não esconde “um passado de Igreja muito forte – e na Igreja você acaba fazendo de tudo” – nem sua formação jornalística.

“Jornalista, diz logo, acaba sendo generalista, fazendo de tudo um pouco. E é metido. Jornalista que não é metido, não é jornalista”. Foi então assim que embarcou nessa tarefa de oferecer meios de os brasileiros se integrarem melhor na Suíça. Integração que é um problema permanente para milhares de brasileiros residentes na Suíça (calcula-se que o número chegue a 50 mil).

Um gesto recíproco

Muitos acham também (ou pelo menos pensam) que outros estrangeiros, além de não entrarem nos moldes que caracterizam o suíço e ser talvez dificilmente assimilável, viriam roubar os poucos empregos que restam...

Irene Zwetsch tem uma visão mais positiva da situação. Ela constatou, por exemplo, que “grande parte da população suíça é analfabeta funcional, ou seja, aprendeu a ler e escrever, mas, como não usa, não sabe”...

Deduz então que o suíço só pode se sentir ameaçado por quem chega com formação, com capacidade de trabalho, para não falar dos estrangeiros de segunda geração que se integram até na política...

Realçando a integração como um gesto recíproco, a gaúcha enfatiza que tal integração só pode existir quando o estrangeiro dá um passo para se adaptar a uma sociedade diferente e quando o autóctone aceita o estrangeiro, não como ameaça, mas como um reforço, uma ajuda, como um companheiro.

As duas faces da integração

Segundo Irene, a integração é um problema para todos os estrangeiros radicados na Suíça.

A integração tem dois aspectos. De um lado, o estrangeiro pode ter dificuldade ou não se esforça para se adaptar às novas condições de vida, não aprendendo a língua nem procurando entender os hábitos, costumes, mentalidades, enfim, uma cultura diferente do meio de onde vem.

De outro lado, pode haver a recusa do estrangeiro pela comunidade local. Num país como a Suíça, onde os estrangeiros representam cerca de 20% da população, muitos o sentem como uma ameaça, um perigo.

Quem vive na Suíça, pode constatar, de fato, que os forasteiros – em particular os denominados “refugiados econômicos” – são vistos por uma parte da população,embora não se possa generalizar, como parasitas, como alguém que, por assim dizer, vem participar de um banquete a que não é convidado.

Brasileiro é “bonzinho”

É nessa ótica que o CIGA-Brasil procura agir. Mas o trabalho da associação seria facilitado pelo fato de o suíço ter em geral uma boa opinião do brasileiro: “Somos considerados bonzinhos. Não temos a pecha dos turcos, por exemplo, ou dos cidadãos procedentes dos Bálcãs”, diz Irene.

Segundo a coordenadora da associação, autoridades e líderes de vários setores da sociedade consideram os brasileiros “um dos grupos migrantes mais organizados da Suíça”. Os brasileiros são bem considerados e estão atuantes na sociedade.

Em todos os cantões importantes, como Berna, Genebra, Zurique e não apenas em Basiléia – onde está sediado o CIGA – a organização e atuação dos brasileiros é considerada boa. Irene conta 18 grupos brasileiros em diferentes cantões, ativos em diferentes áreas, inclusive na área cultural.

Isso não quer dizer que a imagem do brasileiro, e principalmente da brasileira, não precise ser retocada. Há certos preconceitos, clichês e estereótipos que devem ser combatidos.

“Nosso problema é a prostituição”

O perfil que a mulher brasileira carrega na Suíça é a de mulher leviana. Irene constata isso no dia-a-dia: “Se telefono a um homem e digo que sou brasileira, a imagem que ele tem de mim é a imagem da brasileira vendida pela mídia, a de que as brasileiras, em princípio, são mulheres fáceis. Todas, até prova em contrário”.

Para a gaúcha é por culpa nossa que a gente carrega essa marca, porque não nos esforçamos o suficiente para descartá-la: “Agora os grupos brasileiros estão tentando desfazer essa imagem e construir uma imagem de competência, trabalho, esforço, integração e abertura à cultura suíça. Abertura que os suíços às vezes não têm em relação à nossa cultura”.

Mas tudo isso passa por uma tomada de consciência, por uma reação e um empenho constante.

Nesse ponto, já na área do aconselhamento, o CIGA-Brasil desempenha papel importante. Como já desempenha em informações práticas.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa

Breves

- Criada em Basiléia, há 6 anos, o CIGA-Brasil, de Basiléia, é uma associação voltada para os brasileiros – em particular os recém-chegados à Suíça.

– Procura, através de aconselhamento e de informações gerais, favorecer uma integração adequada no país. Seu site Internet são verdadeiras “páginas amarelas brasileiras”.

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