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Professores se recusam a virar delatores

Um grupo de deputados de direita exige - em termos obtusos - que as escolas delatem as crianças sem permissão de residência no país. As escolas reagem com indignação - e não apenas entre os professores.

Este conteúdo foi publicado em 09. fevereiro 2018 - 10:00
Marc-André Miserez, com a RTS
Com ou sem documento? Para as escolas, isso não faz diferença. Keystone

Em um folheto que ressalta os seus direitos, o sindicato Unia, as associações para imigrantes ilegais e a Organização Suíça para Refugiados (OSAR) afirmam que as escolas e o corpo docente não podem fornecer informações sobre essas crianças para a polícia. E incentivam os pais a não temer os professores, que são "pessoas de confiança, quase sempre compreendendo a difícil situação dos filhos de imigrantes ilegais".

Não só a escola

A maioria conservadora do Comitê Parlamentar de Segurança Social e Saúde Pública não vê as coisas desta forma. Em uma moção apresentada no final de janeiro, ele solicitou, entre outras coisas, "facilitar o intercâmbio de informações entre órgãos estaduais sobre pessoas cujo status de residência não está regulado (por exemplo, para a frequência e apoio escolar)".

No microfone da rádio pública RTS, o deputado Raymond Clottu foi ainda mais explícito. Segundo ele, "em uma determinada região, podemos pelo menos ter uma ideia do número de alunos sem documentos que estão na escola obrigatória. Não precisamos necessariamente ter dados detalhados no início, mas precisamos dessa transparência especialmente para calcular os custos ", disse o membro do grupo parlamentar UDC-SVP (partido de direita), eleito independentemente .

Esta não é a primeira vez que a direita conservadora ataca a permanência de imigrantes ilegais na escola pública. Em 2013, quando assumiu a direção da educação pública no cantão do Valais, Oskar Freysinger, figura controversa e simpatizante de movimentos neo-nazistas) afirmou negar-lhes acesso às escolas e pediu aos professores que os denunciassem. Seus pares de outros cantões francófonos imediatamente advertiram Freysinger por abusar de sua autoridade na questão.

Desta vez, a moção não atinge apenas as escolas. A maioria da Comissão não admite que os imigrantes ilegais se beneficiem do seguro social e propõem uma série de medidas para expeli-los da Suíça o mais rápido possível, em nome de uma "legislação coerente em matéria de imigrantes ilegais".

Resistência acirrada

Por enquanto, é a medida referente às escolas que provoca uma reação indignada, e não apenas nas instituições de ensino. Por exemplo, Emilie Graff, vice-presidente da Comissão Federal para a Criança e a Juventude (CFEJ), alerta para o perigo de se incentivar os pais a não enviar seus filhos para a escola, ou, em caso de denúncia e expulsão, a família culpar a criança.

O presidente da União de Professores da Suíça Romande (francófona) Samuel Rohrbach lembra que a escola é um direito para todas as crianças e não quer ver professores pressionados a virar delatores, declarou ele à RTS.

Entretanto, a moção, contra a qual oito dos 25 membros se opõem veementemente, foi enviada ao governo para apreciação. A esquerda já anunciou que vai se opor vigorosamente durante os debates parlamentares.

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