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Currículo anônimo é arma contra o preconceito

O costume de pedir fotos nos currículos pode facilitar escolhar racistas. Keystone

Fotos e nomes nos currículos são muitas vezes as maiores barreiras para que os filhos de estrangeiros encontrem um emprego na Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 23. março 2006 - 18:48

Agora a Secretaria de Integração de Genebra e três grandes empresas lançam um programa de currículos anônimos para acabar com as desvantagens dos "secondos".

Nos próximos três meses, a pessoa que quiser se candidatar para uma vaga na rede de supermercados Migros do cantão de Genebra, na Empresa de Gás, Eletricidade e Energia de Genebra e na prefeitura de Vernier precisa entregar um currículo anônimo.

As três empresas acabam de assinar um compromisso, como informa a Secretaria de Integração de Genebra. Dessa forma, elas só aceitarão candidaturas através de formulários, onde as únicas informações são a experiência e competências da pessoa. Dados como nome, endereço, sexo, religião, deficiência física e também as tradicionais fotos não são mais necessárias.

Igualdade de chances

Graças ao caráter anônimo, os candidatos têm a mesma chance de ser convidados para uma entrevista, passo fundamental para se obter um emprego.

- Não é possível dar números concretos, mas sabemos que no processo de candidatura existem muitas formas de preconceito. Sabemos que é muito difícil para pessoas que têm outra cor da pele, nacionalidade ou mesmo religião serem convidados para essas entrevistas - afirma André Castella, chefe do projeto, e que define ainda o que deveria ser levado mais em consideração pelas empresas:

- O mais importante é que as pessoas que tenham realmente as qualificações e experiências exigidas possam ser convidadas para uma conversa inicial. A realidade é que existem muitos empregadores que não se mostram nem dispostos a escutar o que um africano tem para dizer.

O governo cantonal de Genebra vê, na sua iniciativa, uma forma de combater a discriminação sofrida por muitos estrangeiros, mas também por mulheres ou pessoas mais velhas.

Experiência na França

O currículo anônimo já está sendo aplicado na França. Através de uma lei aprovada no Parlamento francês no início de março, as empresas com mais de cinqüenta empregados estão obrigadas a utilizar essa forma de seleção dos seus futuros funcionários.

Pesquisas realizadas no país mostram que, na luta pelo emprego, imigrantes e também seus filhos, sobretudo quando são originários do norte da África, são muitas vezes preteridos por candidatos com nomes franceses, mesmo quando estes têm menos qualificação profissional.

Discriminação provada

Também os filhos de imigrantes, que nasceram e cresceram na Suíça e não têm o passaporte vermelho, sofrem com o problema da discriminação na procura de emprego. A título de experiência, técnicos do programa nacional de pesquisa "Formação e Ocupação" enviaram três candidaturas criadas por eles para 819 ofertas de emprego e testaram a reação dos empregadores.

Os candidatos fictícios diferenciavam-se apenas pelo nome e nacionalidade. No final, o teste mostrou que 42% dos portugueses (na parte francesa da Suíça), 52% dos turcos e de 61% até 70% dos candidatos originários do Kosovo (província albanesa da Sérvia) foram discriminados.

Uma tentativa

Por isso Jean-Charles Bruttomesso, diretor de pessoal dos supermercados Migros em Genebra explica:

- Essa iniciativa é uma oportunidade para nós de colocar em questão o problema do preconceito.

Ele sabe, porém, que os currículos anônimos não são garantem a igualdade de chances, pois o problema pode também surgir no momento da entrevista pessoal, quando o candidato precisa se apresentar. Para Migros o projeto é uma primeira tentativa de ir em outra direção.

Nomes errados

Na Suíça determinadas nacionalidades dentre os imigrantes são vistas com maus olhos. Trata-se de um problema que sempre existiu na história da imigração no país. Se no passado italianos eram considerados grupos-problema, hoje em dia o perigo é visto nos jovens originários do continente africano ou dos países balcânicos.

Por isso um candidato com a terminação "ic" no sobrenome, como é comum para os sérvios, tem menos chances de encontrar um emprego do que aqueles com típicos nomes suíços. Isso ocorre mesmo se o filho de imigrantes já tiver há muito tempo a nacionalidade suíça.

Como mostram os conflitos nos subúrbios da França, a solução dos problemas de discriminação dos imigrantes e seus descendentes é fundamental para a paz social num país, incluindo a Suíça.

swissinfo, Etienne Strebel

Fatos

De acordo com a Secretaria de Integração de Genebra, cerca de 440 mil pessoas vivem no cantão:
39% delas são estrangeiras.
52% nasceram no exterior.
66% dos suíços que vivem no cantão têm mãe ou pai estrangeiro.

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