Qual é a relação entre crime e nacionalidade?

A iniciativa denominada “executória”, do partido do povo suíço (SVP, em alemão), divide a população suíça. Deve-se deportar automaticamente todos os estrangeiros que cometem crimes? Até a segunda geração dos chamados “secondos”, que foram nascidos e criados na Suíça, mas não têm nacionalidade suíça?

Este conteúdo foi publicado em 16. fevereiro 2016 - 09:30
Renat Kuenzi (texto), Filipa Cordeiro (gráficos), swissinfo.ch

A maioria dos crimes cometidos na Suíça são atribuídos a "turistas do crime”, ou seja, estrangeiros que não estão registados junto das autoridades e não têm autorização de residência no país. No que diz respeito à população residente, o número de presos estrangeiros é cerca de duas vezes maior do que os suíços.

Dois pesquisadores suíços questionam a análise estatística da criminalidade com base no fato de que os autores têm ou não um passaporte vermelho com a cruz branca.

Em matéria de criminalidade, a cor do passaporte como variável determinante é inadequada, diz André Kuhn, professor de criminologia das Universidade de Lausanne, Genebra e Neuchâtel, em um estudo. Segundo o especialista, os fatores determinantes são o sexo, idade, status socioeconômico e educação. De um ponto de vista estatístico, são os homens com menos de 30 anos, com pouca renda e baixos níveis de educação que cometem crimes mais frequentemente.

Quando o criminologista insere a nacionalidade na quinta posição dos fatores determinantes, trata-se de migrantes de zonas de guerra que se tornaram brutos após terem vivenciado a guerra.

Professor de Sociologia da Universidade de Berna, Ben Jann obtém o mesmo resultado. A criminalidade depende, principalmente, de fatores socioeconômicos em vez de especificidades culturais, conclui seu estudo de 2013 Um professor alemão tem menor probabilidade de se tornar criminoso do que um argelino mal formado, cita Jann como exemplo.

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