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Brasileiro é Gerente de Marketing na Novartis Global

Sede mundial da Novartis em Basileia Keystone

O carioca Bruno Indelli (31), é um belo exemplo de brasileiro bem-sucedido trabalhando na Europa. Casado, veio para Basileia em dezembro de 2009, com a esposa que espera o primeiro bebê. Ele já trabalhava há 3 anos na Novartis Brasil quando passou para a matriz suíça.

Hoje é Gerente de Marketing de uma marca da Novartis Global, como é chamada a companhia aqui.


















Há 4 anos e meio na multinacional, Bruno diz que sua escolha foi especialmente por ela ser líder do mercado farmacêutico no Brasil. “Acho que todos querem trabalhar numa empresa sólida. Eu sempre estive em companhias americanas e a Novartis é europeia, com uma mentalidade diferente, demonstrando maior comprometimento com metas a longo prazo e não essa coisa neurótica de curto prazo, como é natural nas americanas”, comenta.

A oportunidade de entrar na matriz surgiu, pois no Brasil ele já trabalhava na área de neurociências e a Novartis tinha uma vaga para atuar com o Exelon, remédio usado para o mal de Alzheimer. Um recrutador propôs-lhe ingressar na empresa, o que ele diz não ter precisado pensar muito para aceitar. Bruno trabalhou 1 ano com o produto em cápsulas, depois liderou o time que lançou com êxito uma apresentação em adesivos. Ele conta que esse foi outro fator instigante na sua entrada: a possibilidade de lançar um produto. “Toda pessoa de marketing quer fazer isso, é um carimbo que precisa no currículo. Então esse foi outro fator que me trouxe para a empresa”, admite.

Conhecimento de causa

 

Mesmo não sendo da área médica, Bruno buscou conhecer bem o que vendia. “Quando se é representante, precisa ter um conhecimento razoável do seu material de trabalho. No ramo farmacêutico, químico e médico, você apresenta produtos para profissionais da área. É preciso ter noções de corpo humano, medicamentos e farmacodinâmica para conversar com seus clientes”. A medida que Bruno progrediu na carreira, ele também se atualizou nos termos médicos. “Pelo menos no que tange ao meu produto eu preciso saber bem para explicar. Muito do aprendizado vem da conversa com médicos, da leitura de livros, para entender melhor o mecanismo da doença, a ação do produto e passar uma proposta de valor aos clientes”, explica.

Bruno conta que sua equipe tenta construir uma marca forte em nível global. Exemplo: “Se na Alemanha falamos em tolerabilidade, na Suíça em eficácia, nos EUA em conveniência, o que fazemos é trabalhar para que os médicos dos países que tem diferentes focos, trabalhem na mesma direção de uma mensagem consistente da nossa marca, respeitando suas necessidades locais”.

Diferença de gestão

Bruno sabe que profissionalmente esta é uma oportunidade imensa, por lidar com uma gestão diferente da que estava habituado. Ele destaca o nível de profundidade com que se discutem os temas na Suíça, a atenção aos detalhes e o nível de antecipação no planejamento, não tão comuns no Brasil. Por outro lado, o gerente avalia coisas que aqui não costumam ter, como jogo de cintura, agilidade e flexibilidade, traços marcantes dos brasileiros. “Eu brinco sempre: ainda que eu pagasse o melhor MBA do Brasil eu não teria esse nível de aprendizado. Os suíços são reconhecidamente os melhores do mundo em várias áreas de planejamento, consistência e minimização de riscos”, reconhece.

O gerente conta uma situação curiosa: antes de vir para a Suíça, ele achava que ia se adaptar facilmente ao trabalho e dificilmente à cidade, mas foi o inverso. “Eu me adaptei rápido à vida local e no trabalho demorei um pouco mais a entender como as coisas são. Pode ser porque a cidade tenha regras escritas, você pode lê-las, compreendê-las e aplicá-las. Já no emprego, a forma com que as pessoas se comportam, como planejam e esperam resultados, você só aprende no dia a dia, às vezes errando”, assume. Desse modo, ele precisou de mais tempo para entender melhor quais eram os padrões de qualidade, os níveis de expectativa e de planejamento esperados, depois disso sua vida profissional ficou melhor.

 “Talvez por trabalhar em marketing, onde pesa muito a comunicação, tenha sido mais complexo. Na minha equipe tem francês, holandês, suíço e uma australiana. As diferenças culturais ensinam muito, mas trazem grandes desafios para que você se comunique , explica.

Aprendizado local

Bruno considera Basileia, a cidade que vive, bastante calma e segura, onde tudo funciona bem e isso reflete-se no seu trabalho. Como consequência, a mentalidade local é muito diferente da esperada em um ambiente criativo e de ruído, como no Brasil. “Essa enorme diferença, de fora da minha zona de conforto natural, é um grande aprendizado”, comemora.

Ele admite que a gastronomia o surpreendeu bastante. “É uma cozinha internacional, mas restrita em horários”, comenta, dizendo que no seu país é costume dormir até mais tarde nos fins de semana e encontrar diversos restaurantes abertos. 

Em relação a permanecer por longo período, Bruno tem planos flexíveis. “Enquanto minha família e carreira estiverem bem, com boas perspectivas, podemos mover-nos ou permanecer. De modo que ficar é uma possibilidade a longo prazo”.

Ele confirma que os salários da Novartis são bons, mas diz ter mais ou menos o mesmo nível de vida que tinha no Brasil, pois a empresa proporciona a mesma relação nas transferências. “Lá temos opções mais baratas, mas a qualidade é diferente. Aqui ela é imprescindível e isso faz com que o custo das coisas seja maior”, pondera.

O gerente diz que na Suíça sente-se com mais cidadania. Porém cita o singular calor humano brasileiro. “Sinto-me super respeitado profissionalmente e como cidadão, mas o cuidado que as pessoas têm umas com as outras, só vi no Brasil. É um sentimento de coletivo, de grupo, que faz falta. É paradoxal, pois lá sinto respeito enquanto pessoa, mas não como cidadão. Não há como sentir-se responsável pelas políticas públicas brasileiras”, lamenta.

Graduado em Administração, no Espírito Santo (ES), com MBA cursado em São Paulo, Bruno Indelli iniciou sua carreira estagiando em indústria farmacêutica. Isso o levou à profissão de Representante de Vendas nessa área, na qual ficou 4 anos em Vitória (ES), onde morava.

De lá, foi para São Paulo trabalhar como Analista de Marketing em outra empresa do ramo farmacêutico. De Assistente foi promovido a Gerente de Marketing, permanecendo mais 2 anos neste posto, depois entrou para a Novartis Brasil. Essa é a sua primeira experiência profissional fora do Brasil.

Quanto à diferença entre o mercado do marketing no Brasil e na Europa, ele salienta principalmente o acesso que a população tem aos remédios e à área da saúde. No Brasil, percebeu que a acessibilidade à saúde é delicada e que os medicamentos de ponta são mais difíceis de serem conseguidos pela população. 

Como passatempo, ele e a esposa gostam de andar de bicicleta, pois a cidade proporciona mobilidade e os motoristas respeitam os ciclistas. Também apreciam viajar para outros países próximos, já que a Suíça é fronteiriça com Alemanha e França.

“Aqui tem muito o que fazer, bastante opções para todos os gostos e bolsos em termos de viagens”.

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