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Por que suíços do estrangeiro pagam tanto para ter uma conta?

Keystone / Martin Ruetschi

Mais custos administrativos, mais organização e mais riscos. Essas são as justificativas dadas pelos bancos suíços pelas altas taxas cobradas por contas mantidas por cidadãos suíços que vivem no exterior. Mas até que ponto isso é verdade?

Este conteúdo foi publicado em 16. março 2021 - 10:00
Claude Chatelain

"Como você sabe, as transações bancárias com clientes que vivem fora da Suíça estão sujeitas a um número crescente de obrigações regulamentares e fiscais". Isto é o que se lê na carta que o Banco Cantonal de Vaud está enviando no momento à sua clientela residente no exterior. O texto afirma ainda que para poder cobrir pelo menos uma parte dessas despesas adicionais dos suíços no exterior, a taxa mensal da conta será aumentada de 20 para 30 francos.

Três vezes mais...

O Banco Cantonal de Genebra, que é bem-visto pelos suíços no exterior no tocante à sua política de taxas, também está aumentando sua taxa anual em 8 francos, de 108 para 116 Francos. Com esta taxa, o banco genebrino ainda é comparativamente o mais barato. Eles cobram dos suíços no exterior apenas três vezes mais do que os residentes na Suíça têm que pagar. No Banco Cantonal de Zurique, para citar um exemplo extremo, clientes no exterior pagam 31 vezes mais.

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Apesar de cobrar o triplo, a Organização dos Suíços no Exterior (OSE) considera o Banco Cantonal de Genebra (BCGE) até mesmo como uma instituição modelo. Assim, a OSE firmou uma parceria com o banco de Genebra. Isto porque a BCGE concordou em "oferecer aos suíços no exterior a abertura e manutenção de relações bancárias em condições semelhantes às das pessoas residentes na Suíça". Aliás, a OSE mantém aqui um dossiêLink externo sobre taxas de conta para os suíços no exterior. A organização Soliswiss fornece aquiLink externo mais informações sobre o assunto.

Mais custos administrativos

Mas uma pergunta permanece: a gestão das contas dos suíços no exterior é realmente mais onerosa? "Sim", diz Daniel Pfanner, diretor do banco EEK em Berna. Para cada conta detida por um residente suíço no exterior, um relatório anual deve ser apresentado à Administração Fiscal Federal Suíça. Além disso, deve que ser compilada uma lista de todos os suíços do exterior para a supervisão interna e externa.

Isso parece dar muito trabalho, mas de alguma forma ainda parece administrável, apenas um pouco mais de burocracia. Este é a principal dentre as causas de custo.

Mais organização

O Banco Cantonal de Zurique (ZKB) é menos específico quando questionado sobre os fatores de custo. Entre outras coisas, ele descreve o aumento das despesas como devido a "relatórios regulamentares requeridos e ajustes de produtos às condições estruturais internacionais". Isto inclui, por exemplo, averiguar a neutralidade fiscal de produtos ou aprovações em países terceiros.

Esta declaração também é apoiada pela Associação Suíça de Bancos. "No caso de suíços residentes no exterior, as condições legais e regulamentares do respectivo país de residência devem ser cumpridas, o que pode levar a custos de relatórios, monitoramento e documentação". É assim que a organização patronal dos bancos suíços justifica o aumento do ônus administrativo.

Portanto, não apenas o cliente causa despesas, o banco também tem que se preparar de forma abrangente para negócios no exterior. É o segundo ponto na lista de razões de custos.

A Associação de Bancos também fornece uma outra explicação. Para um banco orientado ao mercado interno, os clientes domiciliados no exterior são geralmente muito difíceis de administrar, pois muitos países exigem uma licença de operação e filial no próprio país. Como resultado, o banco em questão teria que passar por uma verificação legal regular em todos os países e implementar os respectivos requisitos chegando até ao estabelecimento de filial e a licença bancária no país em questão.

Mais riscos

Além disso, de acordo com a porta-voz da Associação de Bancos, existem riscos materiais no trato com cidadãos dos EUA. As leis americanas e as opções de sanções de longo alcance implicariam um grande ônus e risco.

Além de fatores de custo relativos ao cliente e à configuração básica do banco para negócios no exterior, o banco também assume um risco. Ele poderia ser subitamente multado devido a práticas anteriores caso uma nova lei fosse criada em algum lugar do mundo. Esse é o terceiro ponto entre os fatores de custo.

Esses três fatores de custo parecem ser calculados diferentemente nos preços de manutenção de contas, dependendo do banco e de seu modelo comercial. Isto leva às grandes diferenças nas taxas bancárias. O nível dessas taxas não reflete necessariamente os custos reais incorridos por conta. Ao contrário, as taxas acabam por nos dizer o quanto um banco está ou não interessado em manter um relacionamento com os cidadãos residentes no exterior.

A porta-voz da Associação de Bancos vai ainda mais longe. Ela diz: "A despesa é desproporcional em relação ao preço que os clientes pagam". Em outras palavras: O que os bancos realmente fazem, diz ela, é basicamente tão caro que eles não podem efetivamente repassá-lo aos clientes no exterior. Se esta declaração se aplica a todas as instituições é difícil de determinar. Em qualquer caso, ela não pode ser verificada.

Acessibilidade como um problema

Quando perguntado, o Banco Migros é transparente sobre a mistura de fatores de custo. Ele alega que o esforço administrativo adicional é apenas um aspecto que precisa ser levado em conta. Outros aspectos são, por exemplo, o risco comercial com clientes no exterior ou a acessibilidade do cliente.

Também é interessante notar que o Banco Migros favorece os países vizinhos em comparação com o resto do mundo. "É uma decisão de política comercial que os clientes que trabalham na Suíça e vivem em países estrangeiros próximos devem ser tratados pelo Banco Migros mais como clientes suíços do que clientes que têm menos conexão com a Suíça em sua vida diária", diz o Banco em resposta a nossa pergunta.

A questão da acessibilidade pode de fato se tornar um problema. "Os clientes que vivem na UE não podem receber correspondência escrita ou ser contatados de qualquer outra forma", diz Daniel Pfanner do Bank EEK. Escrever para um cliente no exterior significaria fazer negócios bancários do outro lado da fronteira. Se você quiser fazer isso, você tem que cumprir as diretrizes MIFID da UE, o que, por sua vez, implica em custos, diz ele. MIFID significa "Markets in Financial Instruments Directive" (Diretiva de Mercados de Instrumentos Financeiros).

De acordo com a Associação Suíça de Banqueiros, é menos provável que os bancos internacionalmente ativos encontrem este problema, já que eles têm sua sede registrada e licença bancária em todo o mundo e já têm que cumprir as exigências específicas de cada país. No entanto, eles ainda têm as despesas correspondentes.

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