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Um herbicida potencialmente nefasto Debate sobre o glifosato também é intenso na Suíça

Deve-se proibir o uso do herbicida mais utilizado, mas também o mais controverso do momento? Enquanto a Europa se dilacera sobre essa questão, o governo suíço prefere temporalizar. 



Na Suíça também – aqui uma manifestação no final de maio em Basileia contra os gigantes de agroquímica Monsanto e Syngenta – a pressão cidadã é cada vez mais forte contra o uso do glifosato, um herbicida suspeito de ser cancerígeno pela OMS.

Na Suíça também – aqui uma manifestação no final de maio em Basileia contra os gigantes de agroquímica Monsanto e Syngenta – a pressão cidadã é cada vez mais forte contra o uso do glifosato, um herbicida suspeito de ser cancerígeno pela OMS.

(Keystone)

Inimigo público número um dos ecologistas, o glifosato provoca paixões. Esse herbicida lançado inicialmente pela Monsanto com o nome de “Round-up” está no centro de uma intensa batalha na União Europeia. Há vários meses, os Estados-membros não conseguem um acordo para uma prolongação, mesmo limitada, de sua utilização. Ora, uma decisão é urgente porque são não houver acordo, o herbicida não será mais autorizado na Europa depois de 20 de junho.

O glifosato foi objeto nos últimos meses de vários estudos científicos cujas conclusões divergentes alimentam polêmicas. Em março de 2015, um estudo do Centro Internacional de Pesquisa do Câncer (CIRC), que depende da OMS, o tinha identificado como produto “provavelmente cancerígeno para o homem”. A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) recomenda prolongar a autorização com base em relatórios não divulgados publicamente.

Os meios ecologistas acusam a indústria agroquímica de exercer intensas pressões sobre as autoridades sanitárias e de realizar estudos de impacto enganosos para prolongar a vida do herbicida. É preciso dizer que estão em jogo negócios colossais: com aproximadamente 800.000 toneladas por ano, o glifosato é o produto fitossanitário mais utilizado no mundo. Além da Monsanto, ele é fabricado por gigantes como Syngenta, BASF, Bayer, Dupont e Dow AgroSciences.  

Esperando a decisão da UE

Na Suíça, quase 300 toneladas de herbicidas à base de glifosato são utilizadas por ano na agricultura, pomares, jardins e até nas linhas férreas. Considerando os estudos atualmente disponíveis, o governo suíço estima que esse produto é inofensivo para a população e não vê, por enquanto, razão alguma de proibi-lo. Mas Berna afirma acompanhar com atenção as discussões em curso em Bruxelas.

Pequenas quantidades

Graças aos métodos de análise cada vez mais sensíveis, hoje é possível detectar concentrações ínfimas de substâncias presentes no organismo humano. “Mesmo se o glifosato é potencialmente cancerígeno, os resíduos encontrados nas urinas são tão fracos que não representam perigo para a saúde”, afirma Olivier Félix, responsável do dossiê na Secretaria Federal de Agricultura. O glifosato tem também a particularidade de não se acumular no organismo humano. Ele é rapidamente eliminado, explicam as autoridades sanitárias suíças.

A deputada verde liberal Isabelle Chevallay – doutora em química – preocupa-se com os resultados dos testes que mostraram uma presença de glifosato em proporções importantes em amostras de urina da população suíça. “Se encontramos tanto, significa que consumimos todos os dias. Ora, não se conhece o impacto do glifosato sobre a saúde a longo prazo. Essa situação é problemática”, afirma

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“A legislação suíça exige levar em conta os estudos científicos realizados na UE. A decisão das instâncias europeias terá, portanto, um impacto sobre um eventual reexame das autorizações de uso do glifosato na Suíça”, explica Olivier Félix, responsável do setor Proteção Sustentável de Vegetais na Secretaria Federal da Agricultura (OFAG).

O debate também ocorre no Parlamento Federal. A Federação Romanda dos Consumidores (FRC), Greenpeace e os médicos sensível ao meio ambiente depositaram no início de fevereiro uma petição com 25.340 assinaturas pedindo às autoridades federais de proibir os herbicidas à base de glifosato. Duas moções, uma do deputado federal socialista Pierre-Alain Fridey, outra da ecologista Maya Graf, também exigem a interdição da venda e do uso desse herbicida em território suíço. Elas têm poucas chances de sucesso.

Quarta-feira 8 de junho, a Câmara aceitou por ampla maioria um postulado de sua própria comissão da ciência encarregando o governo federal de fazer um relatório completo do impacto do glifosato na Suíça. O objetivo é determinar mais precisamente a origem da presença dessa substância nos alimentos.

Uma interdição de efeito boomerang?

“É uma primeira etapa, mas ela dever seguida de medidas mais corajosas. É inaceitável de continuar a correr tais riscos para a saúde pública e o meio ambiente quando existem métodos alternativos e eficácia comprovada na agricultura”, afirma a deputada federal ecologista Lisa Mazzone, partidária de uma proibição total do glofisato.

Vários estudos realizados por associações de defesa dos consumidores demonstraram a presença de resíduos de glifosato em quase 40% das amostras de urina da população suíça. Ora, uma interdição desse herbicida não resolveria o problema, segundo a deputada federal do Partido Verde Liberal Isabelle Chevallay. “Uma grande parte desses resíduos provém de produtos agrícolas importados. É o caso especialmente dos cereais utilizados na fabricação de cerveja. Proibir o glifosato sem refletir a soluções alternativas, o risco é grande que os agricultores utilizem um produto ainda mais nocivo”.

Na Suíça, o glifosato é sobretudo utilizado antes da cultura de cereais que permitem preservar a biodiversidade do sol e evitar a erosão. O produto é aplicado na primavera para eliminar matos antes de semear, mas não é utilizado diretamente nas plantas comestíveis. “A Suíça é muito estrita na aplicação do glifosato. Não se pode comparar nossa utilização com países onde as OGM são toleradas onde há pulverização do produto sobre os cereais para acelerar a maturidade”, explica o deputado federal do Partido do Povo Suíço (SVP, direita conservadora) Jean-Pierre Grin, agricultor de profissão e adversário de qualquer medida de proibição.

Os grandes distribuidores suíços como Coop e Migros, mostram-se muito mais prudentes: já faz mais de um ano que eles baniram os herbicidas à base de glifosato de seus estoques. Por medida de precaução, afirmam. 

As autoridades sanitárias deveriam, ao seu ver, proibir a venda e o uso do glifosato? Sua opinião nos interessa.



Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

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