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Empresa e fundação suíças combatem câncer no Brasil

Fachada do prédio do Instituto Nacional do Câncer no Rio de Janeiro.

Logo após assumir a Presidência do Brasil, Dilma Rousseff anunciou como uma das prioridades de seu governo na área da saúde a melhoria das condições de prevenção e tratamento do câncer no país.

Anunciada em março pelo Ministério da Saúde, a Política Nacional de Atenção Oncológica prevê investimentos de R$ 4,5 bilhões no combate à doença até 2014.

Em sua primeira fase, as políticas públicas estarão voltadas a dois tipos de câncer: o de mama e o de colo do útero, que são os tumores com maior incidência entre as mulheres brasileiras, tendo provocado respectivamente 11.813 e 4.873 vítimas fatais em 2008, segundo a última estatística consolidada.

As instituições que lutam contra o câncer no Brasil têm na Suíça uma parceira permanente e contam tanto com o apoio financeiro quanto com a expertise tecnológica oferecidos pelos suíços. Algumas iniciativas de destaque ao longo de 2011 têm a participação de grandes empresas do setor farmacêutico, como a Novartis, ou de tradicionais atores da cooperação internacional, como a Swiss Bridge Foundation.

A Novartis anunciou que este ano está investindo R$ 39,1 milhões em estudos sobre o câncer no Brasil. A Unidade de Oncologia da empresa no país, segundo sua direção, teve um aumento de 46% em seu orçamento para pesquisa e desenvolvimento. O principal foco de interesse da Novartis é justamente o câncer no colo do útero, e estudos sobre essa modalidade da doença estão sendo desenvolvidos em parceria com o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

A empresa suíça também marca presença na saúde pública brasileira com a distribuição de um de seus medicamentos, o Glivec, que desde abril é fornecido aos pacientes com câncer do Sistema Único de Saúde (SUS).

Pelo acordo firmado com o Ministério da Saúde, a Novartis se compromete a distribuir o medicamento às secretarias estaduais de Saúde em todo o Brasil e estas, por sua vez, ficam responsáveis pelo abastecimento dos hospitais. Até então, a compra do Glivec, que atua no combate à Leucemia Mieloide Crônica (LCM), era feita diretamente pelas unidades hospitalares.

A compra em grande escala feita pelo governo brasileiro (previsão de 9,3 milhões de comprimidos em doze meses) possibilitou que a Novartis reduzisse o preço de cada comprimido de 100mg e 400mg para R$ 20,60 e R$ 82,40, respectivamente. Até então, os preços pagos pelos hospitais eram de R$ 42,50 (100mg) e R$ 170,00 (400mg) por cada comprimido.

O governo brasileiro celebra o acordo com a Novartis: “Ao negociarmos diretamente com o laboratório produtor, estamos comprando melhor, dispondo de mais recursos para ampliar o acesso e aprimorando a assistência aos pacientes que utilizam o Glivec, com o atendimento pela rede hospitalar oncológica garantido”, afirma Maria Inez Gadelha, que é coordenadora de Medicina de Média e Alta Complexidade do Ministério da Saúde.

Procurado pela reportagem da swissinfo.ch para fazer uma análise sobre a experiência da empresa com sua participação no SUS e com os estudos sobre o câncer de colo do útero desenvolvidos em parceria com o Inca, o presidente do Grupo Novartis no Brasil, Alexander Triebnigg, informou, por intermédio de sua assessoria de imprensa, que a empresa no momento prefere não fazer nenhum comentário sobre esses assuntos.

Banco de Tumores

Outra iniciativa que conta com participação suíça é o Banco Nacional de Tumores e DNA, que funciona sob a coordenação técnico-científica do Inca e conta com o apoio financeiro da Swiss Bridge Foundation e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão subordinado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil. O projeto tem o objetivo de organizar uma rede brasileira para a coleta de amostras de sangue de pacientes portadores dos tumores com maior incidência no país para posterior utilização em pesquisas que busquem decifrar o perfil genético desses tumores.

Por intermédio de sua assessoria, a direção do Inca falou sobre a importância do projeto: “As inúmeras coleções de tecidos arquivados em serviços de patologia são, à primeira vista, suficientes para fornecer material em vários níveis de demanda. Entretanto, esse material geralmente suporta um limitado número de ensaios experimentais. Além disso, o modo de preservação nem sempre é adequado para a tecnologia a ser utilizada e muitas amostras não são ligadas diretamente a dados clínicos ou de seguimento do paciente. Existe, portanto, a necessidade de implantação de bancos de amostras tumorais apropriados para o desenvolvimento de testes sensíveis de rastreamento”.

O Banco Nacional de Tumores também será importante, por exemplo, para a distinção entre formas de câncer com comportamento mais agressivo ou menos agressivo. Essa distinção se dará por meio do reconhecimento do perfil molecular do tecido afetado. Segundo o Inca, o grau de sucesso desse reconhecimento dependerá da análise de um grande número de amostras tumorais bem caracterizadas.

A direção do Inca afirma ainda que os bancos de tumores são importantes porque podem fornecer o material necessário para a validação de hipóteses: “Apesar da necessidade de pesquisa clínica posterior, os bancos de amostras compreendem um mecanismo formal e responsável para acesso e utilização de tecido tumoral. É importante lembrar que, no futuro, provavelmente haverá acesso limitado a amostras de vários tipos, considerando que a detecção precoce ou a adoção de terapias pré-operatórias poderão resultar na redução da disponibilidade e na qualidade de tecidos neoplásicos. É, portanto, necessário organizar bancos de tumores para pesquisa e para assegurar o uso apropriado e responsável desse material”.

Própolis

Um dos mais interessantes estudos sobre o combate ao câncer no Brasil vem sendo desenvolvido pelo professor Yong Kun Park na Universidade de Campinas (Unicamp).

Coreano naturalizado brasileiro, Park descobriu que a própolis - produto com propriedades antimicrobianas fabricado pelas abelhas para proteger suas colméias - contém elementos capazes de destruir alguns tipos de células cancerígenas.

Reconhecida internacionalmente, a pesquisa coordenada pelo professor Park prossegue paralelamente em laboratórios do Japão e dos EUA e já foi objeto de artigos ou citações em cerca de 30 publicações científicas internacionais.

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