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Escândalo da FIFA deve mudar Lei Anti-Corrupção

Michel Zen-Ruffinen (direita) e o presidente Sepp Blatter (esquerda)

Michel Zen-Ruffinen (direita) e o presidente Sepp Blatter (esquerda)

(Reuters)

Como o escândalo de corrupção nas licitações da Copa do Mundo continua afundando a Fifa em Zurique, a Suíça decidiu rever suas leis esportivas anti-corrupção.

Em uma nova reviravolta, o ex-secretário-geral da Fifa, Michel Zen-Ruffinen, teria dito aos repórteres disfarçados de executivos da Fifa o nome dos membros corruptos da federação internacional e de dois países candidatos que teriam conspirado na compra de votos.

O Conselheiro Federal, Ueli Maurer, ministro dos esportes da Suíça, quer reexaminar a questão da corrupção no esporte nos próximos seis meses.

"Junto com o Ministério da Justiça, verificaremos o atual quadro legal na Suíça", declarou à swissinfo.ch, Martin Bühler, porta-voz do Ministério da Defesa, que detém a pasta dos esportes. "O Ministro Maurer julga que as federações esportivas estão igualmente interessadas no esporte limpo, sem corrupção ou dopagem."

Jens Sejer Andersen, diretor do observatório independente do esporte, “Play the Game”, saudou a iniciativa. "Esta é uma notícia muito boa para o esporte em todo o mundo", disse à swissinfo.ch.

Sem refúgio

A Suíça abriga cerca de 40 federações esportivas internacionais, tais como a de futebol FIFA, sua congênere européia UEFA, e o Comitê Olímpico Internacional. A estes organismos são concedidos benefícios fiscais e flexibilidades em termos jurídicos que facilitam a administração de seus negócios.

O caso de suborno de funcionários da Fifa não iria quebrar as leis suíças contra a corrupção, porque as entidades esportivas sem fins lucrativos estão isentas de tal legislação - atualizada em 2006.

"A Suíça tem orgulho de acolher essas federações esportivas internacionais e provavelmente não quer causar nenhum transtorno a elas", confessou na segunda-feira Mark Pieth, professor de criminologia da Universidade da Basileia e especialista em corrupção.

Mas ele também adverte que o país não deve se tornar um refúgio para as organizações esportivas, devendo ser capaz de investigar denúncias de corrupção na concessão de eventos esportivos.

Jean-Loup Chappelet, especialista em gestão de organizações esportivas da Escola de Administração Pública de Lausanne, declarou que não estava "muito surpreso" pelas organizações esportivas não estarem sujeitas às leis suíças contra a corrupção.

"As autoridades federais não têm meios de verificar o que se passa dentro das federações, a base legal é muito vaga", disse à swissinfo.ch.

Dinheiro ou mulheres

A notícia veio depois que a Fifa suspendeu provisoriamente dois membros de seu comitê executivo e lançou uma investigação sobre uma suposta venda de votos que decidirá quais países organizarão as Copas do Mundo de 2018 e 2022. Ambos negaram as irregularidades e disseram que vão sair limpos das acusações, cujo veredito final está previsto para meados de novembro.

Em um novo desdobramento do caso, Zen-Ruffinen, que deixou a Fifa em 2002 após ter acusado o presidente da Fifa de má administração, é apontado por ter dito aos repórteres disfarçados do Sunday Times que vários dos 24 membros do comitê executivo da Fifa seriam suscetíveis de corrupção.

Segundo as declarações, apoiadas por imagens feitas em sigilo de uma reunião com os repórteres infiltrados como lobistas, Zen-Ruffinen foi gravado dizendo que outros representantes da Fifa poderiam ser facilmente subornados com dinheiro ou mulheres.

Ele também foi filmado secretamente contando que as candidaturas Espanha-Portugal e Qatar têm cada uma sete votos do comitê que decidirá em dezembro o país que acolherá a Copa do Mundo. Portugal-Espanha são candidatos à organização da Copa de 2018 e Qatar a de 2022.

O ex-funcionário da Fifa, e atual advogado suíço, disse posteriormente ao jornal que teria exagerado em suas declarações afim de ganhar uma taxa de consultoria e que teria só se oferecido em ajudar os repórteres no contato com os representantes da Fifa.

Investigação em curso

"Essa é apenas a pequena ponta de um iceberg", comentou o representante da organização “Play the Game” em referência às últimas revelações.

Em entrevista ao jornal suíço “Le Matin” de segunda-feira, Zen-Ruffinen disse que pretende processar o jornal e os repórteres britânicos por violação de confidencialidade e por o terem filmado sem permissão.

O advogado suíço concordou mesmo assim que deve ter ocorrido provavelmente suborno na Fifa e sugeriu que a instância internacional de futebol nomeie uma auditoria externa.

"O problema é que quando se trata de tomar decisões para erradicar a corrupção, essas decisões são delegadas a um órgão interno - ou seja, que também faz parte do corpo da Fifa", explicou Zen-Ruffin.

A Fifa diz que "pediu imediatamente para receber todas as provas possíveis", do Sunday Times sobre os comentários de Zen-Ruffinen. Disse também que vai submeter as provas à sua comissão de ética como parte da investigação em curso.

"Este caso vai colocar uma pressão considerável sobre Fifa - como foi o caso para o COI em 1998 (um escândalo de corrupção para a atribuição dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 para Salt Lake City). A Fifa vai se mexer, mas até aonde?", ponderou Chappelet.

FIFA

A Federação Internacional de Futebol Associado (do francês: Fédération Internationale de Football Association), mais conhecida pelo acrônimo FIFA, é a instituição internacional que dirige as associações de futsal, futebol de praia (português europeu) ou futebol de areia (português brasileiro) e futebol associado, o esporte coletivo mais popular do mundo.

Filiada ao COI, a FIFA foi fundada em Paris em 21 de maio de 1904 e tem sua sede em Zurique na Suíça. A referência ao Football Association, decorre ao fato de na época de sua fundação existirem duas vertentes do futebol, uma controlada pela Football Association e outra controlada pela Rugby Football Union (que no futuro passaria a ser o rugby atualmente).

Ao todo possui 208 países e/ou territórios associados. Com esse número, é a instituição internacional que possui a segunda maior quantidade de associados, inclusive mais associados do que a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Comitê Olímpico Internacional (COI), que possuem, ambos, 192 membros cada.

A Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) possui 212 membros. (Texto: Wikipédia em português)

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