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Ex-ditador morre sem ser julgado

Em 1998, a justiça suíça pediu a extradição de Pinochet Keystone

O general Augusto Pinochet, mesmo morto, continua dividindo os chilenos. Chefe de uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina, ele morreu no dia internacional dos direitos humanos.

Este conteúdo foi publicado em 11. dezembro 2006 - 14:49

Sob a ditadura Pinochet, 3 mil pessoas foram mortas, milhares foram torturadas e se exilaram, inclusive na Suíça.

A morte do general Augusto Pinochet vira uma página sangrenta da história do Chile. Ele morreu de infarto aos 91 anos, em Santiago, e será sepultado terça-feira. Receberá homenagens militares mas não as honras de um enterro oficial nem de luto nacional.

A presidente Michelle Bachelet, cujo pai morreu sob a tortura durante a ditadura (1973 - 1990) - não comparecerá à cerimônia de sepultamento.

Os adversários do velho general, principalmente jovens, saíram às ruas de Santiago para comemorar após o anúncio da morte de Pinochet. Eram cerca de 5 mil pessoas, segundo as agências de notícias internacionais, que cantavam a "liberação do Chile". Houve confronto com a polícia, feridos e detidos.

Simpatizantes do general, nas imediações do hospital militar onde ele faceleu, choravam e cantavam o hino nacional.

A Igreja católica chilena lançou um apelo à "serenidade e à sabedoria" entre simpatizantes e adversários de Pinochet.

Nunca condenado

O general tomou o poder em 11 de setembro de 1973, através de um golpe de Estado que derrubou o presidente eleito Salvador Allende. Seguiu-se uma repressão sangrenta que causou a morte de pelo menos 3 mil pessoas, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.

No entanto, o ditador jamais foi condenado pela justiça chilena, apesar de vários processos por violação dos direitos humanos e corrupção.

Contas bancárias descobertas nos Estados Unidos conteriam 12 milhões de dólares de origem duvidosa, segundo as autoridades chilenas, que ainda tentam recuperar o dinheiro. Parte dessa soma teria transitado pela Suíça que, no mês passado, atendeu a um pedido de colaboração judiciária do Chile, para o envio de documentos bancários.

A única personalidade política que declarou "estar profundamente triste" com a morte de Pinochet foi a ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher, muito ligada ao general.

Nos Estados Unidos, a Casa Branca divulgou um comunicado afirmando "pensar nas vítimas do reino de Pinochet e às suas famílias".

Problemas com a justiça suíça

Em 1998, o general estava na Grã-Bretanha para tratamento médico, Pinochet foi supreendido com um mandado de prisão expedido pelo juiz espanhol Baltasar Garzon, pelas morte de cidadãos espanhóis durante a ditadura chilena.

Em outubro de 1998, o então procurador do Cantão de Genebra, Bernard Bertossa, pediu a extradição de Pinochet para a Suíça, por causa da morte do estudante binacional suíço-chileno, Alexei Jaccard, assassinado em 1977, em Buenos Aires, por agentes chilenos, segundo a família de Jaccard.

Finalmente, em março de 2000, a Grã-Bretanha colocou o general num avião para Santiago, decisão baseada em relatório médico que considerava Pinochet inapto a se apresentar diante de um juíz.

Exilados na Suíça

Milhares de chilenos refugiaram-se da ditadura militar na Suíça, graças principalmente à solidariedade da população. Alguns foram enviados de volta ao Chile e ninguém sabe o que ocorreu com eles.

No livro "O Crivo Helvético" (Editions d'En Bas, 1982), sobre os refugiados políticos na Suíça, Marie-Claire Caloz-Tschopp descreve o caso de 32 chilenos que chegaram à Suíça em outubro de 1974. O governo queria que eles deixassem imediatamente o território helvético mas eles foram acolhidos e escondidos por famílias suíças.

Em outubro de 1985, 52 chilenos deveriam ser expulsos mas foram acolhidos por uma paróquia em Zurique, onde fizeram greve de fome até obterem o direito de ficar.

Ainda hoje, o exílio provoca tensões entre a Suíça e o Chile, por causa da admissão provisória de um gerrilheiro de esquerda, membro da Frente Patriótica Manuel Rodrigues, condenado no Chile que fugiu da prisão em 1996 e se refugiou na Suíça.

swissinfo com agências

Fatos

De 1973 a 1990 (quando Pinochet deixou a presidência), a Suíça recebeu 5.828 pedidos de asilo de cidadãos chilenos. De 1973 a 2005, 2.469 chilenos se naturalizaram suíços. No final de 2005, havia 3.564 residentes chilenos na Suíça.

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Breves

Dia 24 de novembro de 2006, Suíça e Chile firmaram un acordo de colaboração judiciária e um acordo de readmissão. Berna já tem acordos migratórios com 44 países.

Em maio, foi apresentada uma moção parlamentar pedindo o confisco de eventuais bens de Pinochet na Suíça. As investigações continuam.

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