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Executivo denunciador de banco diante dos tribunais

Rudolf Elmer diante da imprensa em Londres.

Rudolf Elmer diante da imprensa em Londres.

(AFP)

Rudolf Elmer, o “whistleblower” (lançador de alerta) do Banco Julius Bär, comparece à justiça nesta quarta-feira (19), dois dias depois de ter entregue, em Londres, dois cds com dados bancários ao fundador do site wikleaks, Julian Assange.

Elmer é citado a comparecer ao tribunal de Zurique por outras revelações do wikleaks em 2008, com dados fornecidos pelo suíço ex-executivo de um banco privado.














Segunda-feira (17) em Londres, Rudolf Elmer, diante da imprensa, entregou dois cds ao fundador de wilileaks, Juilian Assange. Segundo o doador, os discos conteriam detalhes de 200 contas bancárias de empresas multinacionais e personalidades célebres do mundo dos negócios, do espetáculo e da política.

Mas não é por esse último legado que Rudolf Elmer comparece nesta quarta-feira ao tribunal de Zurique. Em 2008, wikileaks já havia publicado dados roubados pelo antigo executivo de banco.

Aos jornalistas presentes em Londres, Elmer disse que seu objetivo continuava sendo “educar” as pessoas sobre o papel ambíguo das atividades bancárias “offshore” (gestão de contas para clientes não residentes), na evasão fiscal e na lavagem de dinheiro.

 Ameaças de morte

 

No Banco Julius Bäer, evidentemente as coisas são apresentadas de maneira diferente. Para o banco, Elmer é movido pelo desejo de vingança depois de ter demitido, em 2002.

Depois que suas reivindicações relativas à sua demissão (inclusive financeiras) não foram atendidas, o senhor Elmer iniciou, em 2004) uma campanha pessoal de intimidação e de vingança contra Julius Bäer”, explica o banco através de um comunicado. O banco acrescenta que antigo quadro utiliza e sua campanha “documentos falsificados e ameaças de morte a funcionários” do banco.

Em 2008, um tribunal norte-americano havia ordenado provisoriamente o fechamento do site wikileaks, a pedido do Julius Bär, cuja imagem fora bastante abalada pela publicação dos primeiros documentos transmitidos por Rudolf Elmer.

Na Suíça, as opiniões a respeito de Elmer são divididas entre os que o consideram um herói e os que o tratam de abominável. A mídia suíça não publicou os dados que ele tinha, duvidando de suas motivações e da autenticidade do material.

 Alarme ou extorsão?

 

O que motiva realmente Rudolf Elmer? Recentemente, os governos alemão e francês pagaram para obter dados bancários roubados por outras pessoas, úteis para investigações contra seus cidadãos que teriam fraudado o fisco. Alguns desses dados foram vendidos por um ex-funcionário do HSBC em Genebra. Há quem desconfie que a motivação principal de Elmer era simplesmente ganhar dinheiro.

É compreensível que ele tente se apresentar como alguém que aciona o alarme, mas está claro desde o início que ele pedia dinheiro” declarou à televisão suíça de língua alemã SF, o especialista em crimes econômicos Christof Müller.

 Confiança na justiça

Por sua vez, Rudolf Elmer reiterou à swissinfo.ch sua confiança na imparcialidade do sistema judiciário suíço. “Não tenho qualquer razão para acreditar que o processo não será equitativo. Creio na justiça suíça. Veremos depois.”

Se for julgado culpado, Elmer incorre  uma pena máxima de oito meses de prisão de multa de dois mil francos suíços.  Ele diz já ter cumprido seis meses de preventiva na Suíça quando de um precedente inquérito de infrações ao sigilo bancário. Posteriormente, ele foi morar nas Ilhas Maurício.

Segundo o site internet de Elmer, o banco Julius Bär pode pedir na justiça une indenização por danos que ele teria provocado às atividades do banco. Isso poder chegar 1,2 milhão de dólares.

O caso Rudolf Elmer

Rudolf Elmer, 55 anos, trabalhou quase 20 anos para o banco Julius Bär. O mais importante banco privado suíço demitiu-o em 2002, depois de constar o desaparecimento de documentos de clientes.

1994. Elmer é transferido para a sucursal do banco nas Ilhas Caïman, promovido a diretor operacional. Ele afirma que durante esse período, tentou dar a seus patrões provas de abusos nas contas offshore e que eles ignoraram.

2005. Três anos depois de demitido, Rudolf Elmer contata agências de imprensa, mas nada será publicado. No mesmo ano, ele apresenta queixa contra o sigilo bancário suíço na Corte Europeia de Direitos Humanos.

Dezembro de 2007. Elmer transmite dados ao site wikileaks, que começa a publicá-los no mês seguinte.

2008. Julius Bär obtém o fechamento do site nos Estados Unidos, mas a decisão é cassada em recurso. Em março, o banco abandona as queixas contra wikileaks.

17 de janeiro de 2011. Elmer entrega, em Londres, dois CDs com dados bancários ao fundador de wikileaks, Julian Assange. Este promete publicá-los, depois de controlar as informações.

19 de janeiro de 2011. Rudolf Elmer comparece ao Tribunal Distrital de Zurique, acusado de violação do sigilo bancário, espionagem industrial e coerção de bancários.

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Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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