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Legalização da maconha depende da Câmara

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Na Suíça, mais de 500'000 pessoas consomem canabis.

(Keystone Archive)

O Senado já aprovou e agora é a vez da Câmara debater e votar a legalização das drogas "leves", projeto apresentado pelo próprio governo.

Por outro lado, pais e professores estão preocupados frente o aumento do consumo de canabis entre os jovens.

Numa praça pública de Berna, capital suíça, cinco jovens, entre eles um com o uniforme do exército, fumam maconha tranqüilamente.

"Isso me relaxa", afirma o soldado, que prefere o anonimato. Precavido, o nome dele na farda está coberto com um rótulo de cerveja.

"O melhor é fumar em grupo e isso nunca me fez mal como o álcool", afirma outro membro do grupo.

Geralmente, a polícia olha pro outro lado.

Ninguém ali tem medo da repressão. "É fácil de fumar, se você não tem cara de criança nem a pele negra", explica o soldado. Dois policiais civis acabavam de passar pelo local, fazendo de conta que não viam.

Na Suíça, mais de 500 mil pessoas (para uma população de 7 milhões de habitantes) consomem cânhamo ocasional ou regularmente. 87 mil a consomem diariamente.

Os dados são de um estudo publicado no ano passado pelo Instituto Suíço de Prevenção do Alcoolismo e outras toxicodependências (ISPA).

O consumo e o comércio de drogas "leves" está proibido na Suíça mas a lei é aplicada de maneira mais severa em alguns estados e municípios e de maneira mais branda em outros.

Muita gente experimentou

Mais da metade dos jovens de 15 a 24 anos já experimentaram maconha, na Suíça. A idade mímina está em torno dos 15 anos, segundo o estudo do ISPA. Mais de um quarto dos jovens adultos já fumaram.

Os especialistas, no entanto, não se alarmam. De um lado, eles pensam que o fenômeno é temporário. De outro, garantem que os riscos de um consumo moderado para a saúde não são maiores que o do tabaco e do álcool.

Precupação

Portanto, pais, professores e educadores estão cada vez mais preocupados e solicitam informações ao ISPA.

Por isso o Instituto criou, em meados de setembro, uma linha telefônica gratuita chamada "info pais cannabis", além dos serviços já existentes.

Sabine Dobler, que trabalha nesse serviço, se diz supresa com o número de chamadas, inclusive de pais de jovens de 13 a 14 anos que não sabem o que fazer com os filhos que fumam.

Consumo precoce

"Nossos conselhos dependem muito da idade do jovem", afirma. Ela explica que o consumo precoce pode dar problemas na escola ou nas empresas em que os jovens fazem estágios de apredizagem.

Em caso de descriminação da maconha, o trabalho dos especialistas do ISPA será provavelmente ainda mais solicitado. Se aprovado como está, o projeto prevê uma série de medidas preventivas e de proteção dos jovens.

Na fase de consultas do projeto do governo, antes de ser submetido ao Parlamento, políticos, médicos e especialistas em tóxicodependência apoiaram a legalização das drogas leves. Eles esperam eliminar os aspectos negativos do mercado que, de qualquer maneira, existe.

Controle de qualidade

"A legalização deve ser acompanhada de um controle de qualidade, como a orígem da produção e o teor de THC (substância ativa) da cânhamo", segundo "Contact-Thoune", uma organização de ajuda em casos de dependência, no cantão de Berna.

O especialista também exige uma regulamentação sobre os produtos químicos utilizados no cultivo da canabis, principalmente das culturas em estufas.

"Eles usam adubos, fungicidas e pesticidas muito fortes e lâmpadas potentes para cultivar variedades que têm até 20% em THC", afirma o especialista.

swissinfo, Renat Künzi
(Adaptação: Claudinê Gonçalves)

Fatos

Na Suíça, o comércio e o consumo de drogas leves é proibido.
Estados e prefeituras aplicam a lei de maneira diferente.

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Breves

- A legalização significa uma liberalização ilimitada da canabis.

- Outra proposta prevê uma liberalização regulamentada, com idade mínima para o consumo entre 16 e 18 anos.

- Um número gratuito (0800 104 104) informa pais e interessados na questão.

- É possível que a Câmara adie a votação para a próxima sessão parlamentar (de inverno).

- Observadores prevém uma votação apertada.

- Vários deputados dos partidos Radical e Democrata-Cristão (de direita) mudaram de lado e agora são contra a legalização.

- Os partidos Socialitista e o Verde são a favor. A UDC (direita nacionalista) é contra.

- O Senado já aprovou mas se a Câmara aprovar a direita ameaça lançar um referendo popular.

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