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Livre circulação vai às urnas

A vinda de novos imigrantes provoca arrepios nos partidos de direita na Suíça. Keystone

Extrema-direita suíça organiza plebiscito popular para decidir abertura do mercado de trabalho aos cidadãos dos novos países da União Européia.

Este conteúdo foi publicado em 30. março 2005 - 20:45

Mais de 80 mil assinaturas foram entregues ao governo. Votação está prevista para 25 de setembro.

A Suíça é um país democrático. Um calhamaço de 80 mil assinaturas acaba de ser entregue nos guichês da Chancelaria Federal, órgão público do governo helvético encarregado, dentre outros, de receber petições populares para a organização de plebiscitos.

Seus funcionários irão agora verificar a veracidade dos endereços e nomes das pessoas lá registradas. A petição foi organizada pelo Partido de Democratas Suíço (SD, na sigla em alemão), uma agremiação política situada na extrema-direita do espectro político do país.

Seus membros conseguiram reunir um número suficiente de assinaturas para a realização de um plebiscito. O tema de combate é a abertura do mercado de trabalho helvético para pessoas oriundas dos países recém-integrados na União Européia, um quesito que já está previsto desde a assinatura dos acordos bilaterais entre a Suíça e a UE.

A grande maioria dos eleitores que apóia a petição vive na parte alemã da Suíça. Porém muitos habitantes das regiões latinas também são contra a liberalização. "20% das assinaturas vêm, de fato, desses cantões", explica o deputado federal Bernhard Hess, um dos organizadores do abaixo-assinado.

Conservadores e sindicatos unidos

Em Genebra, cidade internacional por natureza, pouco mais de quatro mil pessoas assinaram o documento.

- O debate popular sobre a aceitação da nova constituição européia na França teve um papel na realização do nosso plebiscito. Por isso não apenas os conservadores assinaram a petição, mas também muitas pessoas ligadas aos sindicatos - afirma Hess.

Além de políticos do SD, o comitê de organização foi formado por membros de outros partidos da direita suíça como a Liga do Tessin e a União Democrática do Centro (UDC). Paralelamente, representantes da extrema esquerda organizam seu próprio plebiscito.

Imigração sem freios

Para muitos, a precedência poderia significar uma abertura geral das fronteiras. Na perspectiva mais pessimista desses grupos, até turcos, búlgaros ou romenos estarão concorrendo por empregos na Suíça no momento em que seus países aderirem a União Européia.

Os defensores da livre circulação, como os partidos da esquerda moderada, do centro e a direita liberal, argumentam que as medidas de acompanhamento, como prazos e limitação de vistos são suficientes para impedir uma invasão do mercado de trabalho.

Representantes do empresariado chegam mesmo a afirmar que essa liberalização é muito importante para um país exportador e com baixos índices de natalidade como a Suíça.

Europa nas urnas

O plebiscito irá ocorrer em 25 de setembro. Ao mesmo tempo, os eleitores darão sua opinião em outra questão européia: em cinco de junho ocorre o plebiscito popular sobre a participação da Suíça no espaço Schengen, uma série de acordos europeus voltados para a segurança e controle interno, e Dublin, que regulamenta o asilo político nos países-membros.

Representantes dos partidos helvéticos de direita já anunciaram que também irão combater esses acordos com todas as suas forças.

swissinfo com agências

Fatos

10 novos países se tornaram membros da União Européia em 1o de maio de 2004
Lituânia, Letônia, Estônia, Eslovênia, Eslováquia, Polônia, República Tcheca, Hungria, Malta e Chipre.

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Breves

- A livre circulação de pessoas faz parte do primeiro pacote de acordos bilaterais concluídos entre a Suíça e a União Européia.

- Desde 1o de junho de 2004, cidadãos dos quinze primeiros membros da União Européia têm acesso livre ao mercado de trabalho na Suíça. O mesmo vale para os próprios suíços na UE.

- Se o acordo é recusado nas urnas pelos eleitores suíços, a União Européia pode revogá-los também.

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