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Lucerna comemora cem anos pela paz

A última manifestação pacifista na Suíça foi em 2003, contra a guerra no Iraque. Keystone

Através de uma conferência internacional, a cidade de Lucerna comemora o centenário do Congresso Universal da Paz, realizado em 1905.

Este conteúdo foi publicado em 22. setembro 2005 - 16:08

É a ocasião de lembrar que a luta em favor da paz é constante, pois milhões de pessoas no mundo ainda vivem situações de guerra diariamente.

Há um século atrás a paz começou a ter defensores determinados, depois de milênios de guerras e massacres.

De fato, um numéro crescente de movimentos pela paz surgiram no cenário internacional nas últimas décadas no século XIX, em um ambiente dominado pelo nacionalismo agressifo e pelo imperialismo guerreiro.

Representantes de um vasto leque de ideologias políticas - que ia do liberalismo ao socialismo e o anarquismo - os escritos, manifestações e congressos pacifistas se multiplicaram.

Foi nessa época que, em 1905, quase 400 delgados da Europa, Estados Unidos e China estiveram reunidos em Lucerna para participar da 14a edição do Congresso Universal pela Paz.

Berço do pacifismo

Um século depois, Lucerna vai comememorar esse acontecimento histórico que foi divulgado no mundo inteiro. Dois dias serão dedicados aos temas paz e segurança.

"Trata-se de uma herança importante que devia ser comemorada dignamente porque a paz continua sendo um problema atual", afirma Ahmed M. El Ashkher, presidente da Associação Lucerna Iniciativa pela Paz e Segurança (LIPS), que organiza a conferência.

As esperanças de paz de alguns cidadãos de Lucerna, como o industrial Jan Bloch, tinham sido parcialmente concretizados em 1902, através da criação do primeiro museu mundial da paz.

Neutra e democrática, a Suíça tornara-se uma espécie de berço ao qual convergiam os movimentos pacifistas naquela época. Muitos inclusive instalaram suas sedes na região.

Não foi por acaso que três dos quatro primeiros ganhadores do Prêmio Nobel da Paz - Henri Dunand (1901), Elie Ducommun e Charles Gobat (1902) - eram de nacionalidade suíça.

Uma oposição de esquerda-direita

«Sem dúvida nenhuma a Suíça pode ser definida como a pátria da paz; basta lembrar que ela não participou de qualquer conflito nos últimso 150 anos e que tem uma política de neutralidade, sem contar a presença da Cruz Vermelha Internacional", explica Ahmed M. El Ashker.

«Mas, talvez, na Suíça, as pessoas se habituaram muito facilmente a viver em paz, como se ela fosse natural", ressalva o presidente da LIPS.

A Associação espera criar uma base de trabalho e de comunicação para a prevenção e a resolução de conflitos no mundo.

A conferência de Lucerna quer enfatizar que, apesar de um século de luta pacifista, uma parte importante da humanidade continua a pagar um alto tributo à guerra.

"Entre da Revolução Russa de 1917 e a queda do muro de Berlin em 1989, a divisão ideológica entre o Leste e o Oeste conteve as aspirações pacifidstas", afirma Markus Furrer, professor de história na Universidade de Fribourg.

"Cada debate refletia a oposição esquerda-direita e não era fácil manifestar-se pela paz. No Ocidente, éramos sistematicamente taxados de comunistas e nos países do Leste, éramos adeptos do capitalismo".

Uma dimensão muito mais complexa

Segundo o historiador, o pacifismo teria enfim encontrado um pouco de sua força de antigamente.

Atualmente - como foi o caso em 1905 - as ideologias não domimam mais o cenário político. O pacifismo goza de um certo idealismo fundado em correntes de pensamento muito diversas, que não são automaticamente instrumentalizadas ou polarizadas.

"Paradoxalmente, as diferenças atuais são muito mais marcadas que antigamente. Um século atrás existia uma certa inocência entre os pacifistas. Grande parte de seus ativistas pensavam que alguns artigos de imprensa ou bons livros escolares eram suficientes para que as pessoas se tornassem pacifistas", lembra Marcus Furrer.

"Agora, o pacifismo tem uma dimensão muito mais complexa, quase científica. Dezenas de organizações que militam pela paz participam de congressos como o de Lucerna e têm argumentos mais sólidos e até científicos".

Entre resignação e utopia

Um século atrás, a esperança de mudar a sociedade prevalecia de maneira significativa. Hoje é mais um sentimento de resignação que parece dominar na maioria da população. A Europa do início do século passado governava o mundo. No século XXI, os conflitos armados que eclodem por todo lado parecem não ter controle.

"A época que vivemos é caracterizada pela ausência de perspectivas futuras, para a maioria das pessoas. Para tentar sair dessa situação, talvez seja necessário um pouco do espírito utópico que dominava os primeiros pacifistas", sugere o historiador Markus Furrer.

swissinfo, Armando Mombelli

Fatos

1901: Henri Dunant, fondador da Cruz Vermelha, reebe o Premio Novel da Paz
1902: O primeiro museu da paz de importância internacional é aberto em Lucerna.
1905: Lucerna acolha a 14a edição do Congresso Mundial pela Paz.
2005: Para comemorar o centenário do Congresso, Lucerna organiza uma conferência internacional sobre a paz e a segurança.

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Breves

- Dias 22 e 23 de setembro ocorre a conferência internacional de Lucerna, com o título "Visão para a paz e a segurança - Lucerna 1905-2005".

- A manifestação é organizada pela Associação Lucerna Iniciativa pela Paz e a Segurança (LIPS), com apoio do governo suíço, do cantão e da cidade de Lucerna, de várias Ongs e mecenas privados.

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