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Lufthansa quer comprar Swiss

Os alemães da Lufthansa estão interessados no mercado de alto poder aquisitivo na Suíça. Keystone

Depois de meses de negociações secretas, direção das empresas anuncia que Swiss será integrada à companhia aérea alemã Lufthansa. Preço da venda será possivelmente simbólico.

Este conteúdo foi publicado em 14. março 2005 - 16:05

Conselhos de administração ainda precisam aprovar o acordo. Governo suíço respira aliviado.

Os porta-vozes da Swiss e Lufthansa anunciaram no domingo à tarde que as empresas haviam chegado a um acordo. A companhia aérea suíça deve continuar a se chamar Swiss. Ela é sucessora da Swissair, que faliu em outubro de 2001.

"As duas companhias devem unir suas forças, sem que a Swiss perca a sua independência. Ao mesmo tempo, queremos a manutenção das linhas aéreas da Suíça e da marca", afirma um representante da Lufthansa.

O acordo também prevê que o aeroporto de Zurique continuará a ser o centro de operações internacionais da Swiss. Todas as linhas importantes da empresa devem permanecer. O número de aeronaves de longo percurso também continua em 18, com a possibilidade de crescimento da frota.

O plano de compra deve ser apresentado oficialmente hoje aos acionistas da Swiss em Zurique.

Preço simbólico

O acordo prevê que a Lufthansa irá oferecer aos acionistas minoritários da Swiss, que detêm 14% do capital da empresa, um valor baseado no preço médio das ações nas últimas semanas. Este ficaria entre 50 e 60 milhões de euros, como informa a agência de notícias Reuters. Na sexta-feira, as ações da Swiss chegaram a subir cerca de 20%.

Os principais acionistas da Swiss, como o governo suíço, com 20% do capital, e os bancos UBS e Credit Suisse, com cerca de 10% cada um, receberiam uma oferta apenas simbólica por suas participações.

Em compensação, a Lufthansa abriria mão da exigência de que os principais acionistas façam um aporte de capital para a Swiss antes da sua compra. Mas a Lufthansa exigiria cortes de custos que podem resultar da demissão de 800 a mil funcionários.

Entrevistados pela televisão suíça, representantes de sindicatos declaram que irão lutar contra qualquer programa que provoque reduções salariais ou cortes de empregos na Swiss.

Situação crítica

Apesar dos diversos cortes de custos e pessoal, a Swiss ainda se encontra no vermelho. Em 2004 ela diminuiu seu prejuízo de 687 milhões (2003) para 140 milhões de francos. Ao mesmo tempo, a empresa transportou 45 milhões de passageiros.

Há muito tempo os analistas especulavam a compra da Swiss pela Lufthansa. As negociações atuais já duram meio ano. Já em agosto de 2003, o antigo presidente da companhia aérea suíça André Dosé encontrava-se com representantes da empresa alemã. Na época ele falava claramente que a Swiss não poderia sobreviver em longo prazo sem uma parceria.

A Swiss recusou a primeira oferta alemã e preferiu fazer um acordo de cooperação com os ingleses da British Airways que possibilitaria a entrada na aliança de empresas Oneworld. O plano deu errado, pois a Swiss se recusou a permitir o livre acesso dos ingleses ao cadastro de clientes.

Nesse meio tempo a Swiss, que desde o seu início em 2002 nunca conseguiu dar lucro, teve mais prejuízos. Para evitar uma perda maior de capital, a empresa já reduziu o número de funcionários de 11 mil para 6.625.

Guerra e epidemias

Fatores que dificultam ainda mais o saneamento da Swiss não foram apenas as crises provocadas no setor aéreo pela guerra do Iraque e a epidemia da gripe asiática, mas também a resistência dos funcionários.

O problema da diferença de cultura entre a antiga Crossair e a Swissair, empresas que deram origem a atual Swiss, são consideradas por muito especialistas como "sem solução". Um exemplo são os dois níveis salariais para pilotos: enquanto os pilotos da antiga empresa aérea regional ganham menos, os pilotos da ex-Swissair ainda tem salários elevados.

Vantagens para a Lufthansa

O mercado helvético é considerado muito interessante para a Lufthansa. No processo dramático de fusões e acordos internacionais que ocorrem no mercado aéreo internacional, os gigantes alemães não podem ignorar um mercado de alto poder aquisitivo e tão internacional como o suíço.

Segundo o jornal suíço "NZZ am Sonntag", para os alemães a marca "Swiss" tem uma atratividade muito grande, sobretudo nos países do Oriente Médio e Ásia.

Para o governo suíço a compra da Swiss também resolve um antigo problema: depois de investir 2,7 bilhões de francos para salvar um símbolo nacional que continua a dar prejuízo, a empresa ganha agora um parceiro internacional de peso e a cruz branca sobre o fundo vermelho continuará a ser vista nos aeroportos do mundo.

swissinfo com agências

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