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Palácio do governo é aquecido pelo lixo

Lixo de Berna é queimado em usina de beneficiamento.

(swissinfo.ch)

Dejetos de Berna, capital da Suíça, são incinerados em usina.

Calor gerado serve para aquecer centro antigo da cidade, incluindo prédios governamentais e parlamento.

A usina de beneficiamento de lixo em Berna não pára nunca de trabalhar. Durante sete dias da semana, em três turnos, seus 92 funcionários recebem semanalmente 113 mil toneladas de lixo doméstico produzido na capital da Suíça.

Os caminhões basculantes chegam sem cessar e colocam os dejetos em gigantescas fossas. Controlando todo o processo, o operador conduz da sua cabina os movimentos de um braço mecânico que, em movimentos rápidos, cai sobre o lixo e agarra-o.

Essa massa é levada então para um dos dois fornos da usina. Como num inferno dantesco, o lixo é queimado em grandes labaredas gerando calor. Este aquece caldeiras de água. O vapor produzido é levado, através de canos, para a cidade antiga aquecendo então residências, prédios governamentais e até mesmo o parlamento suíço.

361 quilos de lixo para cada suíço

Na Suíça são produzidos 17,8 milhões de toneladas de lixo por ano. O setor de construção civil é responsável por grande parte dos dejetos, com 11,9 milhões de toneladas. Nos lares a contribuição às estatísticas também é grande: na Suíça são produzidos 2,1 milhões de toneladas de lixo caseiro, o que corresponde a 361 quilos de lixo anualmente por habitante.

Apesar da grande quantidade de detritos, não incomum para uma sociedade rica, a Suíça destaca-se entre os países industrializados pelo alto nível de reciclagem do lixo: mais de 60 % do material jogado é reaproveitado.

No caso do vidro e das latas de alumínio, as taxas de reciclagem atingem 91%. Dois terços do papel jogado fora é também reaproveitado. Mais de 80% das garrafas de plástico e 60% das baterias são recicladas.

Pacotes geométricos de lixo

A alta tecnologia empregada na reutilização de resíduos não impede que tradições suíças se mantenham. Turistas que passeiam pelas várias cidades do país espantam-se com o cuidado dado pelos suíços ao jogar fora seu papel usado, empilhado-os com perfeita geometria em pequenos montes, amarrados depois com barbante colorido. Depois de colocados nas ruas, os pacotes são recolhidos posteriormente por empresas de reciclagem de papel ou escolares.

"Esse hábito é muito antigo na sociedade suíça, já que sempre fomos um país sem recursos naturais que também já passou por crises econômicas", explica Hans-Peter Fahrni, chefe do departamento de dejetos no Secretaria Federal de Meio-Ambiente, Florestas e Paisagem. "No caso do papel, ele sempre foi jogado fora dessa forma para que as crianças pudessem carregá-lo. Com o dinheiro obtido da venda desse material elas financiavam suas viagens escolares".

Hoje em dia, com o baixo valor das matérias primas encontradas no lixo urbano, o hábito da recolha de papel usado ou garrafas pelas crianças diminuiu. "Hoje em dia o recolhimento é feito por empresas, porém ainda existem prefeituras que dão incentivos às escolas para que elas continuem a organizar a coleta desse material. Isso aumenta inclusive a consciência da juventude para o problema da eliminação do lixo urbano", diz Fahrni.

Vinhetas pagas para sacos de lixo

Além das pilhas de papel, outra curiosidade é o sistema de selos para os sacos de lixo caseiro. Nos cantões que adotam o sistema, cada cidadão tem de colocar quase um dólar (1,40 francos suíços) num saco de 35 litros e 1,85 dólares (2,80 francos suíços) no recipiente de 70 litros.

"Isso não é uma forma de penalizar as pessoas mas sim um meio de fazer com que aqueles que produzam mais lixo, paguem mais para eliminá-lo", explica Fahrni. O sistema de selo é utilizado em 24 dos 26 cantões.

Apesar da lógica civil, a população de alguns cantões ainda é reticente à idéia de vinhetas pagas para sacos de lixo. No cantão de Vaud, 59% da população votou no último final-de-semana contra a proposta governamental de adotar o sistema dos selos.

swissinfo/Alexander Thoele

Breves

- Na Suíça são produzidos 17,8 milhões de toneladas de lixo por ano.
- Construção civil: 11,9 milhões de toneladas.
- Lixo industrial: 1,07 milhões de toneladas.
- Restos de esgoto: 200 mil toneladas.
- Lixo doméstico: 2,6 milhões de toneladas.
- Lixo separado (papel, lixo orgânico, metal e baterias): 2,1 milhões de toneladas.
Dados de 2000.

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