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Pesquisa decifra cérebro de bilíngues



Participantes de um curso de integração em Schlieren, no cantão de Zurique, que fomenta a multilingualidade.

Participantes de um curso de integração em Schlieren, no cantão de Zurique, que fomenta a multilingualidade.

(Keystone)

Quarenta por cento dos habitantes da Suíça são bilíngues. O cérebro de pessoas que dominam dois ou mais idiomas não é mais complexo do que o de pessoas que falam uma língua.

É o que afirma em entrevista à swissinfo.ch o neurologista Jean-Marie Annoni, professor do Departamento de Neuropsicologia do Hospital Universitário de Genebra, que há anos pesquisa esse fenômeno.

Os suíços orgulham-se de serem um dos povos mais poliglotas da Europa. Eles têm quatro idiomas oficiais - alemão, francês, italiano e reto romano – e ocupam o terceiro lugar entre os europeus no domínio de línguas estrangeiras, atrás dos holandeses e luxemburgueses.

Segundo uma pesquisa publicada em 2008 pelo Fundo Nacional Suíço, os habitantes da Suíça alemã e italiana dominam, em média, 2,2 idiomas estrangeiros; os da Suíça francesa, 1,7. Mas o inglês não tem a função de "língua franca" no país.

swissinfo.ch: Pesquisas da Clínica Neurológica do Hospital Universitário de Genebra mostram que duas línguas não precisam de mais espaço no cérebro do que uma.
Jean-Marie Annoni: Sim, exatamente. As duas línguas são administradas pelas mesmas estruturas do cérebro. Há uma espécie de interruptor que ativa o idioma desejado e bloqueia o outro. Trata-se de mecanismos de controle no cérebro que são observados em outras atividades cerebrais.

A situação é um pouco diferente nas crianças que já dominam dois idiomas antes de completar cinco anos de idade. Neste caso, as línguas estão interligadas.

Quando alguém aprende uma segunda língua mais tarde, ela é gerida pelas mesmas estruturas do cérebro, mas pode ocupar um pouco mais de "memória".

swissinfo.ch: Pode alguém ser completamente bilíngue, ou se domina uma das duas línguas melhor do que a outra?
J.M.A.: Há pessoas que crescem bilíngues, falando um idioma com a mãe e o outro com o pai. Neste caso poderíamos falar de bilíngues perfeitos. No entanto, com o aumento da idade, essas pessoas geralmente desenvolvem uma preferência por uma língua, seja a da escola ou a do trabalho.

Em todo o caso, a pessoa irá desenvolver diferentes habilidades em ambos os idiomas. Isso permite que alguém se movimente melhor com uma língua no mundo do trabalho e utilize a outra para questões emocionais.

swissinfo.ch: Pode-se dizer que o melhor é aprender um novo idioma quanto mais cedo possível?
J.M.A.: Aprendendo-se uma língua após os cinco anos, o envolvimento das estruturas cerebrais pode variar bastante. Mas isso não significa que alguém domine menos um idioma.

Conheço muitas pessoas que aprenderam somente mais tarde uma segunda língua e a falam tão bem quanto sua primeira língua. Alguns dominam o segundo idioma até melhor porque vivem em um contexto onde o usam mais.

Um inconveniente para as pessoas que aprendem uma segunda língua mais tarde é a expressão fonológica. Enquanto as crianças até sete anos aprendem automaticamente a pronunciar corretamente o "r" francês ou "rr" italiano, os demais têm de o aprendê-lo mais tarde. Mas muitos não têm dificuldade com isso.

swissinfo.ch: Existe um dom inato para línguas?
J.M.A: Como acontece com a leitura e a escrita, também há pessoas que aprendem a fonologia com maior rapidez e eficiência do que outras. São pessoas que têm um bom ouvido. Isso explica, em parte, porque alguns aprendem uma língua estrangeira mais rapidamente do que outros.

No entanto, o fato de alguns países, como a Suíça, terem uma percentagem tão elevada de bilíngues tem origens culturais.

swissinfo.ch: Algumas pessoas dominam mais do que duas línguas. Quantas línguas se pode realmente aprender?
J.M.A: Observou-se que alguém que já fala quatro idiomas tem mais facilidade para adquirir as bases de uma nova língua. O cérebro provavelmente desenvolve algumas habilidades específicas.

As pessoas podem separar bastante bem quatro ou cinco línguas. Nós não pesquisamos, porém, quanta "memória" é necessária para mais de quatro línguas. Não há muitas dessas pessoas.

Marc-André Miserez, swissinfo.ch
(Adaptação: Geraldo Hoffmann)

País poliglota

População suíça de acordo com o idioma principal (1990 / 2000) - em mil habitantes:

Total: 6.873,7 / 7.288,0
Alemão: 4.374,7 / 4.640,4
Francês: 1.321,7 / 1.485,1
Italiano: 524,1 / 471,0
Reto romano: 39,6 / 35,1
Espanhol: 116, 8 / 77,5
Sérvio e croata: 109,0 / 111,4
Outras línguas eslavas: 18,6 / 23,3
Português: 93,8 / 89,5
Línguas turcas: 61,3 / 44,5
Inglês: 60,8 / 73,4
Albanês: 35,9 / 94,9
Outros idiomas: 117,4 / 142,0

Fonte: Departamento Federal de Estatísticas

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(swissinfo.ch)


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