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Pobreza aumenta na Suíça

O desemprego crônico é o principal problema de muitos suíços.

(Keystone)

Segundo novas estimativas da Caritas, a Suíça tem um milhão de pobres. O aumento foi de 150 mil em dois anos.

Com um entre sete habitantes do país vivendo precariamente, garantir o mínimo para a sobrevivência deve ser prioridade para o Estado, declara instituição de caridade.

A última estimativa da instituição de caridade da Igreja Católica, Caritas Suíça, realizada em 2003, indica que 850 mil habitantes do país vivem na pobreza. Essa declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa realizada hoje. Os números foram apresentados pelo seu porta-voz, Bertrand Fischer.

Desde então, a precariedade se acentuou. O pleno emprego já não é mais uma das características do mercado de trabalho no país.

Caritas aproveitou os resultados da pesquisa nacional sobre a população ativa (ESPA, na sigla em francês) realizada em 2003, as estatísticas de 2004 sobre o "working poor" estabelecida pelo Departamento Federal de Estatísticas, assim como os dados fornecidos pela Associação Suíça de Proteção à Criança. Essa última assinala que entre 200 mil e 250 mil crianças estariam vivendo abaixo dos limites da pobreza.

Nessa categoria estariam também 604 mil pessoas entre 20 e 59 anos. Essa proporção chega mesmo aos 17% no caso dos idosos: no total, 196 mil aposentados helvéticos chegam no final do mês zerados.

Somando todos esses dados estatísticos, o número de pessoas atingidas pela pobreza na Suíça poderiam atingir a marca de um milhão.

Bertrand Fischer ressalta que os especialistas suíços não têm uma resposta clara para a questão de saber a partir de que momento pode-se considerar que alguém é pobre no país.

A Conferência Suíça de Instituições Sociais, órgão que reúne governo e ONGs do país, considera que uma pessoa no país pode ser considerada pobre se ganha menos do que 2.480 francos por mês (US$ 1.886 ). Esse limite passa a 4.600 francos (US$ 3.500) para uma família com duas crianças. Os valores são a renda líquida, após a dedução de taxas e impostos.

Excluídos do mercado de trabalho

Para Carlo Knöpfel, responsável pelo setor de pesquisa da Caritas Suíça, essa situação reflete a crise atual vivida pelo mercado de trabalho. Apesar da retomada da economia, cada vez mais pessoas perdem seus empregos. A prioridade para muitas empresas é racionalizar.

O número oficial de desempregados era de 146 mil em novembro de 2005. Esse número pode ser maior se for levado em conta as pessoas que não atendem os critérios. Apenas um terço dos desempregados beneficiam atualmente das medidas de integração propostas pelo Estado.

Os desempregados que atingem os limites da ajuda, as pessoas que são obrigadas a se aposentar antes da hora ou por invalidez não aparecem nas estatísticas, explica o economista.

Isso também vale para os jovens adultos, que não encontram o primeiro trabalho.

- A massa de habitantes da Suíça que vive através dos programas de ajuda social aumenta e estamos quase atingindo um ponto de ruptura.

Segurança

Caritas acredita que o sistema social do Estado não consegue proteger todos os pobres da Suíça. Cerca de 450 mil pessoas, ativas ou aposentados, não recebem ajuda financeira ou prestações complementares dos quais teriam direito. Indigentes ou sem recursos podem ser consideradas 6% da população, ou seja, uma pessoa em vinte.

- A segurança material deve ser colocada no centro da concepção do sistema de seguro social - clama o economista, que propõe simplificar o sistema atual fundindo um seguro social de base ao seguro-desemprego. Assim tanto o problema da perda de trabalho, como invalidez poderiam ser solucionados de maneira racional.

Reações da classe política

O anúncio da Caritas alarmou os partidos. A esquerda quer agir politicamente para diminuir o fosso que separa ricos e pobres. Já a direita prefere instrumentos que favoreçam o crescimento econômico para criar empregos.

- Nós sabíamos que a pobreza estava aumentando, porém estou chocado pelos números. Esse é o resultado de dez anos de descaso em relação ao problema do desemprego - declara Hans-Jürg Fehr, presidente do Partido Socialista.

O PS quer diminuir as diferenças sociais na Suíça. Essa é a mesma análise do Partido Verde: a política neoliberal do governo, os ataques contra ao sistema de seguro contra invalidez e seguro-desemprego contribuíram para reforçar a pobreza num dos países mais ricos do mundo.

O secretário-geral do PV, Hubert Zurkinden, protesta contra o aumento geral dos salários de executivos nas empresas suíças enquanto o salário dos empregados estagnam em baixa.

- A classe empresarial só enxerga os lucros à curto prazo.

Apelo à economia

Os partidos de direita reagem contrariamente. Para eles, a única maneira de lutar contra o empobrecimento é melhorar as condições para a economia reduzindo os impostos, como explica Simon Glauser, porta-voz do partido União Democrática do Centro (UDC). "Também esperamos um pouco mais de flexibilidade do trabalhador, sobretudo não desprezar os trabalhos manuais caso esteja procurando emprego".

A existência de 850 mil ou um milhão de pessoas carentes não muda as prioridades do Partido Radical (centro-direita), como afirma o deputado Charles Favre:

- É necessário criar mais empregos. Apenas o crescimento econômico pode evitar que mais pessoas caiam na pobreza. As empresas foram obrigadas a demitir durante a fase de crise e agora receiam de assumir novos compromissos. O aumento geral dos salários ainda vai levar tempo.

Já o Partido Democrata Cristão considera alarmante os números publicados pelos órgãos de assistência social. Seus parlamentares pretendem encorajar a economia e favorecer a reinserção dos desempregados no mundo do trabalho através da formação contínua.

- A bagagem profissional dos jovens também precisa ser levada em consideração - afirma Reto Nause, secretário-geral do PDC.

swissinfo e agências

Breves

A Conferência Suíça de Instituições Sociais, órgão que reúne governo e ONGs do país, considera que uma pessoa no país pode ser considerada pobre se ganha menos do que 2.480 francos por mês (US$ 1.886 ). Esse limite passa a 4.600 francos (US$ 3.500) para uma família com duas crianças. Os valores são a renda líquida, após a dedução de taxas e impostos.

De acordo com o Departamento Federal de Estatísticas, 12,5% da população suíça poderia ser considerava pobre em 2004, o que corresponde a um entre oito habitantes do país.

Os "working poor" (expressão inglesa para denominar pessoas que trabalham, mas tem renda extremamente baixa) seriam 6,7% das pessoas entre 20 e 59 anos.

Nessa categoria entram pessoas que trabalham pelo menos uma hora por semana ou as famílias que trabalham pelo menos 36 horas por semana.

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