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Polícia de Berna não dá chance a críticos da globalização

Manifestantes foram barrados e detidos pela polícia.

(swissinfo.ch)

Durante uma manifestação contra o Fórum Econômico Mundial, polícia de Berna prende temporariamente 242 pessoas, entre elas dois jornalistas.

Sindicato da mídia denuncia "ataque à liberdade de imprensa". Verdes também criticam rigor da operação policial, que serviu de teste para o esquema de segurança da Eurocopa 2008.

A polícia do cantão (estado) de Berna deteve temporariamente no sábado (19/01) 242 pessoas, durante uma manifestação contra o Fórum Econômico Mundial, que inicialmente havia sido autorizada, mas fora proibida às vésperas pelas autoridades de segurança da capital da Suíça.

Dois dos detidos eram jornalistas. Um repórter do semanário WochenZeitung até teria apresentado uma carta do jornal, comprovando que estava encarregado de cobrir a manifestação, mas a polícia não teria aceitado esse argumento.

Em nota à imprensa, o jornal protesta contra o que chama de "intimidação e obstrução" do trabalho do jornalista e "condena o ataque à liberdade de imprensa".

Além disso, um jornalista do esquerdista Le Courrier (O Correio) diz que também foi detido por algum tempo e "impedido de relatar os eventos do dia na capital suíça, que desde a manhã tinha ares de uma cidade em estado de sítio", conforme informou o diário publicado em Genebra.

Ataque à liberdade de imprensa

O Comedia, maior sindicato da mídia suíça, que representa 17 mil trabalhadores, falou em "prisões arbitrárias. Era evidente que meios de comunicação críticos deveriam ser impedidos de observar a operação policial durante a manifestação. Com isso, foi violado o direito fundamental da liberdade de imprensa".

O prefeito da capital suíça, Alexander Tschäppät, disse que "a liberdade de expressão é respeitada em Berna. Mas ela não deve levar à restrição ou violação dos direitos de outros cidadãos".

Segundo o Movimento pela Resistência Global, organizador da passeata, cerca de mil pessoas participaram do protesto. Esse número provavelmente teria sido bem maior, se a polícia não tivesse montado barreiras nas principais estradas de acesso e nas estações ferroviárias da cidade.

Alguns manifestantes jogaram garrafas e petardos nos policiais, que reagiram com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Rebatendo uma crítica do Partido Verde, que considerou a operação "desproporcional", o comando da polícia estadual disse que agiu de forma "legal e proporcional".

Missão cumprida

Por decisão do governo estadual de Berna, a polícia obteve a missão de impedir qualquer tipo de protesto contra o WEF, também durante o evento, que acontece de 23 a 27 de janeiro em Davos.

"Os policiais cumpriram sua tarefa de garantir a segurança na cidade de Berna. Também no futuro ficaremos de olho nas atividades dos críticos do Fórum Econômico Mundial (WEF)", afirma a autoridade em comunicado à imprensa.

Entre os 242 detidos e soltos ainda no sábado, 117 eram do cantão de Berna, 122 do resto da Suíça e três da Alemanha e Áustria.

Contatada pela swissinfo, a polícia estadual informou que ainda não sabe quantos detidos terão de responder a processos judiciais ou pagar multas. A autoridade também não revelou o número de policiais mobilizados, mais rebateu a acusação de haver desrespeitado a liberdade de imprensa (leia box ao lado).

A operação de sábado foi a primeira prova de fogo para a nova polícia unificada de Berna, que no começo do ano substituiu a polícia municipal. Desta vez, quase não houve danos materiais, ao contrário do que ocorreu em 6 de outubro de 2007, quando adeptos do direitista Christoph Blocher, militantes de esquerda e a polícia travaram uma batalha nas ruas da cidade.

Crítica à "repressão preventiva"

Alguns jornais suíços fizeram uma avaliação crítica da ação policial. "Antes do Euro [Campeonato Europeu de Futebol], a polícia treina contra os anti-Davos", dispara o Le Courrier, atingido pela operação policial.

Segundo o diário, a "repressão preventiva" é usada regularmente contra manifestações políticas. Os tumultos ocorridos durante a passeata contra a União Democrática de Centro (UDC), em outubro passado (veja link), teriam servido de pretexto para o rigor policial de sábado.

Além disso, "as forças da ordem comemoram um teste bem-sucedido com vistas à Eurocopa. Hooligans e manifestantes anti-Davos – o mesmo combate?", questiona o Le Courrier.

O Berner Zeitung, da capital suíça, comenta que a polícia fez um show para tentar reconquistar a confiança perdida nos tumultos de outubro. "Mas isso não significa que, em qualquer manifestação futura, seja necessário disparar canhões contra pardais", avalia.

O liberal Der Bund, também de Berna, critica a tática policial de calar sobre detalhes da operação. "Para conquistar a confiança da população na "nova" polícia, é preciso uma política de informação transparente, que também se posicione fiascos e erros", escreve.

O Tagesanzeiger, de Zurique, elogia a estratégia de tolerância zero, mas adverte que os grandes desafios para a polícia ainda estão por vir: o Fórum Econômico Mundial, esta semana em Davos, e o Euro 2008, no verão. "Tanto mais importante foi o teste do fim de semana. Para dizer com toda a clareza: a polícia superou a prova principal. Isso foi um sinal importante para a Suíça e para o exterior".

swissinfo, Geraldo Hoffmann

Posição da polícia

A swissinfo contatou a polícia do cantão de Berna na segunda-feira (21/01) para saber quais foram os motivos da detenção de dois jornalistas suíços, durante a manifestação contra o Fórum Econômico Mundial.

Em resposta, a autoridade divulgou uma nota à imprensa em que aponta motivos distintos. O funcionário do Le Corrier (de Genebra) teria sido preso por engano. Depois de se constatar na delegacia de polícia que se tratava de um jornalista, ele teria sido imediatamente solto.

Já o repórter do WochenZeitung teria sido preso temporariamente devido aos seus "estreitos contatos com os organizadores da manifestação de sábado e ao seu papel como um dos líderes da demonstração de 6 de outubro de 2007. Ainda mais que a carta apresentada por ele não pôde ser reconhecida como carteira de jornalista".

A polícia cantonal diz de lamenta a prisão de um jornalista. "Ela só é compreensível a partir da situação", afirma a autoridade, que rebate a acusação de impedir o trabalho de jornalistas críticos. "A polícia cantonal de Berna respeita sem restrições o direito fundamental à liberdade de imprensa", afirma.

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Posição do jornalista

O repórter Dinu Gautier, do semanário esquerdista WochenZeitung (WOZ), disse que a sua prisão e a de seu colega do Le Courrier "indicam que a polícia quis dar uma advertência a representantes da mídia crítica".

Sobre as acusações da polícia de que ele teria contatos com os organizadores do protesto anti-WEF e teria sido um dos organizadores da manifestação contra a UDC em 6 de outubro de 2007, Gautier afirmou que "jornalistas também podem atuar politicamente em seu tempo livre" e que "a polícia atualmente tenta me desacreditar".

Gautier relatou que a redação do WOZ, no centro de Berna, foi observada pelo diretor do serviço de informação da polícia estadual. "Quando saímos do edifício, ele já nos esperava na entrada e mandou prender a mim, uma colega de escritório e o jornalista do Le Courrier por cerca de 10 policiais munidos de equipamentos de combate. Em vão tentei esclarecer-lhe que eu era jornalista. Mais tarde, na delegacia, um policial me disse que a carta da redação do WOZ mal serviria de papel higiênico".

O repórter considerou um escândalo que tantas pessoas tenham sido presas preventivamente. "É inevitável ter a impressão de que servimos de cobaias para a Eurocopa 2008", disse.

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