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Polícia transforma 1° de maio em teste contra hooligans

A polícia controla detentos do 1° de maio em Zurique.

(Keystone)

Uma passeata do Dia do Trabalho em Zurique terminou em confronto com a polícia, deixando um saldo de 301 presos, 12 feridos e um prejuízo material ainda não calculado.

O presidente da Associação Direitos Fundamentais (grunderechte.ch), Viktor Gyoeffy, diz que a polícia fez um teste para o Euro 2008. A direita nacionalista pede a proibição das manifestações de 1° de maio.

Milhares de pessoas participaram na tarde desta quinta-feira (01/05), em Zurique, da tradicional passeata do Dia do Trabalho, comemorado na Suíça desde 1890 e que não é feriado nacional, mas este ano coincidiu com o dia santo da Ascensão do Senhor.

A manifestação inicialmente pacífica acabou se transformando numa batalha de rua entre um grupo de 250 ativistas radicais, os chamados "caóticos", e a polícia, que reagiu com uma demonstração de força às vésperas da Eurocopa.

Segundo o balanço apresentado pelas autoridades de segurança nesta sexta-feira, 301 pessoas foram temporariamente detidas – seis continuam presas. A maioria (189) eram cidadãos suíços; três moram na Alemanha, dois em Portugal e um em Luxemburgo.

Prisões como no Euro

Os detentos já liberados terão de responder a processo judicial por diversos delitos: participação em uma manifestação não autorizada (219), violação da ordem pública (3), violência e ameaças contra policiais (24), danos materiais (6), porte ilegal de armas (2) e impedimento da ação policial (8).

As polícias municipal e estadual de Zurique fizeram um balanço positivo da "operação 1° de maio", que teria servido também para acumular experiências com vistas ao Euro.

A cooperação entre as duas corporações funcionou bem. Isso nos enche de confiança para o Euro 2008, quando as detenções na caserna policial serão organizadas da mesma forma, avaliaram as autoridades de segurança de Zurique.

Forte presença policial



Na opinião do advogado Viktor Gyoeffy, a polícia não só testou a organização da prisão, como também sua estratégia de ação contra os hooligans, que são esperados na Eurocopa, de 7 a 29 de junho na Suíça e na Áustria.

Segundo ele, os sinais deste teste foram a forte presença policial, o grande número de presos no 1° de maio e o controle rigoroso de pessoas que se aproximassem da sede do governo estadual em Zurique.

"Isso foi o cenário em miniatura de uma área em que os torcedores assistirão aos jogos da Eurocopa diante de telões. Não me recordo de ter visto controles tão amplos", disse o advogado.

Carros incendiados no final

Um outro indício de que se tratou de um teste, segundo Gyoeffy, é que a polícia estava totalmente preparada para um grande número de detenções, ao contrário do que ocorreu no final de 2005, quando prendeu e retirou de um trem 400 fãs do FC Basiléia (red: inclusive famílias com crianças). Na ocasião, a prisão em massa virou um caos.

Sefundo Gyoeffy, a polícia dosou sua presença e ação de tal forma que dissolveu qualquer tentativa de tumulto à tarde, mas não evitou o incêndio de alguns carros à noite em Zurique.

Segundo a comandante da polícia da cidade, Esther Maurer, ainda não há um cálculo dos danos materiais causados pelos tumultos, mas, graças ao esquema de segurança montado pelos organizadores, eles teriam sido menores do que os de manifestações de 1° de maio anteriores.

swissinfo, Renat Künzi

Fim do feriado

O 1° de maio não é feriado nacional na Suíça, mas este ano a data coincidou com o feriado religioso da Ascensão do Senhor, de modo que quase ninguém trabalho no país.

Após os tumultos desta quinta-feira, a União Democrática de Centro (UDC, direita nacionalista) de Zurique quer que não sejam mais autorizadas manifestações de 1° de maio e pede o fim desse "dia de descanso" no estado.

Já o Partido Socialista (PS) de Zurique rejeita o fim do feriado estadual do Dia do Trabalho. "O que aconteceu ontem pode ocorrer também em caso de proibição das manifestações", afirma um comunicado do partido.

O PS prometeu discutir os tumultos desta quinta-feira com os organizadores da passeata e com os sindicatos para tomar as devidas providências com vistas ao 1° de maio de 2009.

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