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Copenhague termina sem acordo e muita decepção



Em Copenhague, o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon (à esquerda) e o primeiro ministro dinamaquês Lars Lokke Ramussen (ao centro) houvem as criticas ao acordo na última plenária.

Em Copenhague, o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon (à esquerda) e o primeiro ministro dinamaquês Lars Lokke Ramussen (ao centro) houvem as criticas ao acordo na última plenária.

(Keystone)

A Conferência das Nações Unidas simplesmente registrou o Acordo de Copenhague sobre o clima concluído sexta-feira.

O acordo, na verdade, é apenas uma declaração política de intenções, sem metas concretas para a redução de emissões, e foi violentamente criticado na última seção plenária da conferência.

O fato da ONU ter “registrado o acordo de Copenhague lhe dá um estatuto legal suficiente para torná-lo operacional sem necessidade de aprovação das partes”, explicou à agência de notícias AFP o diretor da ONU para questões científicas, Alden Meyer.

O acordo de Copenhague, um documento de apenas três páginas, fixa como objetivo limitar o aquecimento climático a 2 graus em relação ao período pré-industrial.

Ele prevê também um fundo de 30 bilhões de dólares a curto prazo (2010, 2011 e 2012) e posteriormente 100 bilhões até 2020, destinado prioritariamente aos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, para ajudá-los a se adaptar aos efeitos do clima.

Toda referência a uma redução de 50% as emissões de gases que provocam o efeito estufa até 2050, foi eliminada do texto, como também a criação de um órgão de controle, exigências recusadas pelos países em desenvolvimento.

Declaração política

Na origem dessa acordo houve um “dclaração política” de cerca de 30 países, que foi anunciada precipitadamente sexta-feira à noite como “acordo de Copenhague” pelo presidente estadunidense Barack Obama e pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

“Um avanço significativo e sem precedentes” disse Barack Obama, acerca do acordo destinado a lutar contra as mudanças climáticas. O próprio Obama havia constatado, no entanto, que havia “um impasse fundamental nas perspectivas” entre os grandes países industrializados como os Estados Unidos os países mais pobres.

O texto foi submetido durante a noite à última assembleia plenária da conferência (193 países), assembleia que se tornou um verdadeiro psicodrama.

Violência verbal

Impotente, com os olhos vermelhos de cansaço, o primeiro ministro dinamarquês Lars Loekke Rasmussen, que presidia a sessão, teve de se contentar na tribuna de passar o microfone para uma litania de críticas.

Quando os trabalhos foram retomados às três horas da manhã, havia exasperação e frustração depois de 12 dias de árduas negociações, o pequeno arquipélago de Tuvalu, no Pacífico sul, foi o primeiro atacar.

Em profundo desacordo com o texto, que fixa um aquecimento máximo de 2 graus, o representante de Tuvalu qualificou o acordo como “um punhado de moedinhas para trair nosso povo e nosso futuro”. As pequenas ilhas do arquipélago militam para fixar o aquecimento máximo a 1,5 grau, para não serem submergidas pelo mar.

A América do Sul também fez críticas severas. Bolívia, Venezuela e Cuba acusaram Rasmussen de ter “feito obstáculo à democracia e à transparência” e ter dado “um golpe de Estado contra as Nações Unidas”.

O tom foi ainda mais crítico quando subiu à tribuna o representante do Sudão, Lumumba Stanislas Dia-Ping, comparando o plano para o clima dos chefes de Estado ao Holocausto. “Essa declaração convida a África a assinar um pacto suicida, solução fundada nos valores que enviaram 6 milhões de pessoas aos fornos, na Europa”, disse o sudanês.

“Repugnante”, respondeu o ministro britânico do Meio Ambiente, Ed Miliband, sentado junto com os representantes dos Estados Unidos. “Desprezível”, acrescentou o representante da Suécia.

Por sua vez, o chefe da delegação dos Estados Unidos, Todd Stern, lembrou que seu presidente consultou longamente seus homólogos brasileiro, indiano, chinês e sul-africano e achava “decepcionante ver que esse trabalho não era reconhecido e mesmo desonrado por certos participantes.”

Os ecologistas ultrajados

Pascal Husting, diretor de Greenpeace França, denunciou um “desastre” e um “recuo” em relação a Kyoto, com um projeto de acordo que, de fato, é uma brochura turística”. Ele criticou a ausência de qualquer engajamento para transformar esse acordo político em tratado obrigatório. “Não há mais nenhuma referência cientifica, nenhuma visão a longo prazo e qualquer medida nacional. É totalmente voluntário e ninguém vai controlar nada. De qualquer maneira, não está à altura das recomendações da ciência”, disse Husting.

O militante ecologista francês e produtor de televisão Nicolas Hulot, julgou o resultado da conferência “aflitivo” e “desolador” , acrescentando que “foi perdida uma oportunidade histórica” para o futuro do planeta.

A Suíça aguarda

A Suíça não participou as negociações de última hora sobre o texto. Para a delegação helvética, a natureza do acordo anunciado sexta-feira pelos presidentes Obama e Sarkozy ainda não está clara.

“Se ele for adotado, parece um texto bem equilibrado”, disse sexta-feira à noite o chefe suplente da delegação suíça, José Romero, sob reserva de uma melhor análise do texto. “Não há nada de obrigatório, mas vai é bem avançado em termos de compromissos voluntários dos Estados na redução de gases a efeito estufa e prevê um programa detalhado para prosseguir o trabalho”, explicou Romero.

swissinfo.ch com agências

Pontos importantes

193 países e 120 chefes de Estado nos últimos dias, tentar se entender durante duas semanas em Copenhague sobre um acordo climático que sucedesse ou prorrogasse o Protocolo de Kyoto.

Este é válido até o final de 2012 como instrumento juridicamente comprometedor para os países industrializados na redução de gases que provocam o efeito estufa.

A negociação também incluía a Convenção da Onu sobre as mudanças climáticas (CCNUCC).

Segundo climatologistas, faltam entre 10 e 20 anos ao planeta para inverter a tendência à alta nas emissões de gases a efeito estufa. Sem isso, será difícil se adaptar à desestabilização do clima.

O objetivo de Copenhague, não atingido, era reduzir as emissões de gases de maneira que a alta da temperatura global fosse inferior a 2°C, em relação à era pré-industrial.

O Giec (grupo de cientistas intergovernamental sobre a evolução do clima) considera necessária uma redução de 25 a 40% das emissões nos países industrializados até 2020, em relação aos níveis de emissão de 1990.

Ele incita os países ricos e reduzirem suas emissões de 80 a 95% até 2050. O objetivo para os países em desenvolvimento seria de 50% de redução no mesmo período.

A Suíça prevê uma redução de 20% até 2020, em relação a 1990. Ele se diz disposta a fixar o limite de 30% juntamente com os países da União Europeia (UE).

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