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Robôs para idosos Novas tecnologias são desenvolvidas em laboratórios suíços



Riba (Robot for Interactive Body Assistance), desenvolvido no Japão, é o primeiro robô capaz de levantar ou colocar uma pessoa na cama.

Riba (Robot for Interactive Body Assistance), desenvolvido no Japão, é o primeiro robô capaz de levantar ou colocar uma pessoa na cama.

O aumento da expectativa de vida no planeta está gerando uma transformação, talvez silenciosa, mas significativa na sociedade. Da ciência à economia, do urbanismo à medicina, novas propostas estão surgindo na tentativa de alongar e melhorar a vida dos idosos.

A tecnologia pode e tem muito a oferecer, inclusive substituir em alguns casos os profissionais de saúde e reduzir custos. Mas quais são seus limites e riscos?

Na Suíça, a expectativa de vida é uma das maiores do mundo.  Quem nasceu em 2012, por exemplo, de sexo masculino, tem uma chance, em média, de chegar aos 80,5 anos. No caso das mulheres esse número sobe para 84,7 anos, de acordo com a Divisão Federal de Estatísticas (OFS).

As pessoas idosas formam um grupo de pessoas com demandas e necessidades específicas, principalmente quando a saúde fica frágil. Precisam de cuidados médicos, atendimento a domicílio, terapias específicas, equipamentos para melhor mobilidade etc. Na Suíça e vários outros países da Europa as famílias já se deparam com a dificuldade em encontrar pessoal qualificado disponível para cuidar de seus idosos.

Menos pessoal mas outros recursos

Por outro lado, essas mesmas famílias começam a ter à disposição novos recursos, resultado de novas tecnologias, capazes de dispensar ou postergar  a presença de um profissional de saúde ou acompanhante no dia-a-dia do idoso. Esses recursos ainda prometem maior mobilidade, independência nas atividades rotineiras e, porque não,  lazer.

“A Suíça está entre os países líderes no que se refere ao desenvolvimento de robôs, principalmente em relação ao número de ideias, patentes, conferências e publicações per capita”, afirma o professor Robert Riener, do Instituto de Robótica e Sistemas Inteligentes, departamento de Ciências e Tecnologias da Saúde, da Escola Politécnica de Zurique (ETH). “Algumas pessoas chegam a chamar a Suíça de ‘Vale do Silício da Robótica”, afirma.

Segundo Riener, a Suíça juntamente com os Estados Unidos são líderes na área de “robótica para reabilitação”. Já na área de high tech e robótica para idosos, o Japão ocupa a liderança, na frente da Suíça e outros países.

 “Atualmente existem diversos softwares e ferramentas em desenvolvimento, que vão dos chamados tablets que salvam dados dos pacientes e são usados pelos profissionais de saúde, aos robôs que se comunicam com as pessoas e as ajudam em tarefas diárias os aplicativos que podem, por exemplo, auxiliar o idoso nas compras”, explica o professor Alireza Darvishy, chefe do Laboratório ICT-Accessibility da ZHAW (Hochschule für Angewandte Wissenschaften) Zurich - Universidade de Ciências Aplicadas Zurique.

Principais projetos

Um dos principais projetos em desenvolvimento atualmente pela ETH é um braço robotizado ARMin, usado na terapia de pacientes que sofreram um derrame e que têm dificuldades de mover o braço ou a mão. O derrame ocorre principalmente em pessoas com idade avançada devido a problemas cardiovasculares.  O ARMin já está disponível no mercado como “ArmeoPower” e vendido pela empresa Hocoma AG.

O ERIGO Life é outro produto  desenvolvido pela equipe da ETH. Trata-se de uma mesa que se inclina fazendo com que os pacientes de cama, em coma ou em tratamento intensivo, fiquem em posição vertical, podendo assim mover-se cuidadosamente.

Os pesquisadores do iHomeLab, da Hochschule Luzern, também desenvolvem projetos nas área de eficiência energética,  Ambient Assistent Living (algo como Assistência no Ambiente Residencial) e temas ligados a internet.   Ambient Assistent Living  é o termo designado ao desenvolvimento e estudo de sistemas integrados em que residências poderão ser totalmente controladas por computadores e robôs, regulando desde a temperatura ambiente, a iluminação e até a abertura e fechamento de janelas sem exigir esforço físico significativo.

Entre os projetos do iHomeLab está também o chamado sensor de quedas. Trata-se de um sistema de comunicação que  avisa quando uma pessoa desmaia ou perde os sentidos e cai. É altamente recomendado para idosos que vivem sozinhos e poderiam passar dias sem socorro em casos de acidentes ou problemas de saúde. A previsão é que o equipamento esteja disponível no mercado em março de 2014.

Mais grisalhos nas mídias sociais

As mídias sociais também estão ganhando cada vez mais adeptos entre os grisalhos.Segundo pesquisa realizada na Alemanha em 2012 pela Bitkom, associação dos profissionais da área de informação e telecomunicações, 41% dos idosos a partir de 65 anos, que têm acesso a internet,  participam ativamente de uma mídia social. De acordo com a pesquisa, a maioria acaba entrando em contato com o mundo digital por meio de filhos e netos.

Atualmente 33% da geração com mais de 65 anos utiliza a internet. Em 2011, esse número era de 24%. “Uma vez utilizando a internet, o passo para a participação em mídias sociais é facilmente realizado”, explica Bernhard Rohleder, diretor da Bitkom.

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Revolução e riscos

Segundo professor James Goodwin, que lidera pesquisas sobre idade no Reino Unido, nós não estamos longe do dia em que pessoas terão sua saúde rotineiramente monitorada de suas próprias casas.

Mas essa revolução, por outro lado, está apenas engatinhando.  Segundo os próprios pesquisadores, existem muitas questões a serem apresentadas e avaliadas. Uma delas é a importância da participação integral dos usuários no processo de desenvolvimento de novas tecnologias. “Não se trata apenas da técnica ou tecnologia, mas sim de sua aplicabilidade, da facilidade ou não de uso”, afirma Darvishy, também participante do 14º Dia da Gerontologia,  evento realizado no início de setembro e organizado pelo Centro de Gerontologia da Universidade de Zurique.

Outro risco também apresentado durante o evento é o do isolamento dos indivíduos. Os idosos acabam sendo cuidados por robôs, permanecem mais tempo em casa com menos contato com outras pessoas, ou ainda substituem os encontros reais pelas virtuais. “Precisamos entender que existem diferenças culturais e individuais e elas devem ser levadas em conta”, afirma Mareile Flitsch, diretora do Völkerkundenmuseum e professora de Etnologia da Universidade de Zurique.

(hocoma.com)

abertura às novidades

Segundo Hans Rudolf Schelling, diretor do Centro de Gerontologia da Universidade de Zurique, a maioria dos idosos na Suíça é aberta a novas tecnologias e as utiliza em seu dia-a-dia. Cerca de um quarto da população com mais de 65 anos, de acordo com pesquisa realizada em 2009 pelo Centro, ainda é cética em relação às novidades .  E isso se deve principalmente ao fato de acreditarem ser de difícil uso. “Mas isso pode ser modificado principalmente através do emprego de exemplos de colegas da mesma idade ou familiares que conseguem dominar a técnica e também com auxílio externo no início do aprendizado”, explica Schelling.

Tratar o paciente como um indivíduo único, com suas características físicas, mentais e sociais é fundamental no tratamento, explica ainda Mike Martin, professor de psicologia voltada à gerontologia e presidente do Centro de Gerontologia da Universidade de Zurique.

Sem falar na questão da privacidade. Dados de pacientes são catalogados, transmitidos e usados por vários sistemas e máquinas. “Como todas essa tecnologias irão ser aplicadas respeitando e mantendo o sigilo das informações referentes aos pacientes?”, questiona Heidrun Karin Becker, professora e diretora substituta do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento em Ergoterapia da ZHAW.

Para tantas perguntas, a melhor saída parece ser a união das diversas disciplinas. Somente da colaboração entre engenharia, sociologia, psicologia, medicina entre outras poderão surgir as melhores respostas.  E no final, quem ganha somos todos nós.

Revolução demográfica

Na Suíça, a expectativa de vida é uma das maiores do mundo.  Quem nasceu em 2012, por exemplo, de sexo masculino, tem uma chance, em média, de chegar aos 80,5 anos. No caso das mulheres esse número sobe para 84,7 anos, de acordo com a Divisão Federal de Estatísticas (OFS).

Números e fatos relevantes sobre o envelhecimento da população mundial levantado pela Organização Mundial da Saúde (OMS):

 Entre 2000 e 2050 a proporção de pessoas com mais de 60 anos vai dobrar de 11% para 22%.  Essa população (com 60 anos ou mais) passará de 605 milhões a 2 bilhões.

O número de pessoas com 80 anos ou mais irá quadruplicar entre 2000 e 2050. Serão 400 milhões de pessoas em 2050.

Chile, China e Iran terão em 2050 uma maior proporção de idosos do que os Estados Unidos. O número de pessoas com idade avançada na Africa deverá crescer de 54 milhões para 213 milhões.

Até nos países mais pobres os maiores causadores de morte serão as doenças do coração, derrame e doença crônica de pulmão, enquanto que as maiores causas de incapacidade ou invalidez serão dificuldades de visão, demência, perda de audição e osteoartrite.

O número de pessoas que não terão condições de cuidar de si próprias nos países considerados em desenvolvimento deverá quadruplicar até 2050.  Muitos perderão sua capacidade de viver de forma independente devido à redução da mobilidade, fragilidade ou outros problemas físicos ou mentais. A maioria irá precisar de cuidados por um longo período, incluindo serviços de enfermeira a domicilio, residência em centros para idosos e serviços hospitalar.

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