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Ronaldo no banco ... dos réus

Tudo parece mais fácil na área do campo que na área dos negócios Keystone

O campeão do mundo reclama de um relojoeiro de Genebra mais de 4 milhões de dólares. Este exige 10 milhões do craque. O caso está na justiça.

Este conteúdo foi publicado em 04. julho 2002 - 09:58

O autor dos dois gols na final que deu a vitória ao Brasil na Copa do Mundo, Ronaldo Luiz Nazário de Lima, está envolvido em litígio milionário em Genebra.

Contrato

A história havia, no entanto, começado bem. Em setembro de 1998, a vedete brasileira assina, através de sua empresa italiana, Emporio Ronaldo, um contrato com a firma relojoeira genebrina Montega.

Por 3 anos, até setembro de 2001, Empório cede a Montega o direito exclusivo da marca "R9" para fabrico, comercialização e distribuição de relógios de luxo. A logomarca "R9" foi criada pela empresa Nike como referência ao número da camisa do jogador.

Ronaldo quer 5.2 milhões de dólares

Segundo conseguimos apurar, cláusula do acordo estipula que o craque deve gozar de saúde nesse período e promover o relógio - um cronógrafo da marca "R9".

Para Ronaldo, o contrato é interessante porque estabelece uma remuneração fixa de 5.2 milhões de dólares, além de porcentagens, em função das vendas.

Infelizmente, em novembro de 1999 acontece o conhecido drama em uma partida do campeonato italiano: Ronaldo sofre grave lesão no joelho e, desde então pouco se ouve falar do jogador. Alguns chegaram a duvidar que ele pudesse voltar aos gramados, até porque em abril de 2000 ocorre a recaída e problemas com o mesmo joelho.

Montega exige 10 milhões

Para Montega, os estragos também parecem importantes. Encomendas de relógios, no valor de vários milhões de francos, teriam sido canceladas. Já mais ninguém se interessa pelo craque e pelo produto. Montega fica com a mercadoria encalhada e já teria adiantado ao jogador 1.2 milhões de dólares.

O problema é que, segundo Montega, Ronaldo estava consciente de que sofria do joelho quando assinou o contrato e não mencionou esse detalhe à empresa. Portanto, o acordo seria nulo.

Por isso mesmo, Montega exige de Ronaldo 10 milhões de dólares para indenizar gastos com a criação do relógio, perdas e prejuízos sofridos na aventura.

"Abusos"

"Até agora, decisões judiciárias em Genebra estipularam que Montega deve 4 milhões de dólares a Ronaldo", explica Cyrille Piguet, advogado de Emporio. "É chocante constatar que Montega recuse respeitar suas obrigações contratuais e tenha utilizado, sem autorização, o nome e a imagem do jogador para vender outros produtos", diz o advogado.

A conseqüência é que Emporio Ronaldo e Montega vão se encontrar brevemente em Genebra diante de um tribunal arbitral que deverá resolver o litígio.

Cartão vermelho

Em 27 de junho, três dias antes da final da Copa, o tribunal de primeira instância em Genebra deu cartão vermelho a Emporio Ronaldo.

A empresa do jogador havia solicitado que a justiça obrigasse Montega a lhe fornecer documentos contáveis relativos à venda de seus relógios e que o tribunal procedesse a um confisco, para garantir direitos, dos cronógrafos "R9" e outros relógios similares.

Gastos

Os juízes genebrinos declararam inaceitáveis as exigências de Ronaldo, realçando que o litígio não era da alçada do tribunal de primeira instância e sim "do domínio dos direitos das marcas", acrescentando que "pelo fato de não parecer verossímil, a exigência devia ser recusada".

Com a rejeição da demanda, Ronaldo deverá pagar cerca de 5 mil francos - € 3.4 mil - pelos gastos com a justiça.

"O ato abordou unicamente questões de forma e não se pronuncia sobre o fundo do litígio, e nós o contestamos", diz o advogado Cyrille Piguet. "Emporio provavelmente recorrerá da decisão", realça.

Acompanhamos o caso, mas parece que vá terminar nos pênaltis.

swissinfo/Luigino Canal

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