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Serviço militar Obrigação de servir pode acabar de vez na Europa

Desfile de recrutas durante celebrações do Dia Nacional da Áustria em Viena.

Desfile de recrutas durante celebrações do Dia Nacional da Áustria em Viena.

(Reuters)

Os austríacos votam neste fim de semana a obrigatoriedade do serviço militar, uma questão que também pode ser decidida nas urnas na Suíça este ano. Na era pós-Guerra Fria, vários países europeus têm se confrontado com o tema, cada um à sua maneira.

Dezessete países da Europa aboliram ou suspenderam o alistamento militar no século XXI .

Apenas seis países membros da União Europeia ainda mantêm o princípio do serviço militar obrigatório e quase dois terços do total de 43 países com forças armadas têm um exército profissional.

Mas o que levou à demolição gradual do serviço militar nas últimas duas décadas?

"Cada um desses países tem debatido a questão em particular", diz Tibor Szvircsev Tresch, sociólogo militar da Politécnica Federal de Zurique.

Sem dúvida, o fim da Guerra Fria teve um impacto profundo sobre o papel das forças armadas.

De maneira geral, a função principal de muitos exércitos europeus não é mais a defesa do território nacional. Em vez disso, têm-se centrado mais em missões internacionais - como parte das Nações Unidas, da aliança da Otan ou da segurança da UE - e em papeis subsidiários de policiamento e ajuda em casos de desastres.

Forças armadas da Suíça

Todo homem deve prestar o serviço militar a partir dos 19 anos. O serviço militar para as mulheres é voluntário.

Homens e mulheres são dispensados aos 30 anos ou quando completam o serviço militar.

Um serviço alternativo na Suíça só foi introduzido em 1996 como resultado de uma emenda constitucional, após anos de debate.

A Suíça dispõe de 154.373 soldados na ativa e 31.767 na reserva.

Em 2012, 23.600 recrutas iniciaram a formação inicial.

Atualmente 1.034 mulheres são membros das forças armadas.

2.650 são militares de carreira, a quem incumbe o treino dos milicianos e os comandos de escalão superior.

(Fonte: Swiss Army)

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Dois modelos

A França foi um dos primeiros países a suspender o serviço militar obrigatório no século XXI. A Itália seguiu o exemplo em 2005, enquanto a Alemanha esperou até 2011, antes de começar a se concentrar exclusivamente em tropas profissionais.

A questão na Alemanha foi marcada por preocupações sobre uma possível escassez de pessoal no setor da saúde, já que muitos homens preferiam o serviço civil alternativo - trabalhando em lares de idosos - ao treinamento do exército tradicional.

Assim, a Áustria pode ser um dos últimos países da Europa a abandonar o serviço militar obrigatório.

De acordo com Szvircsev Tresch, é possível identificar um padrão mais tradicional entre os países com sistemas baseados em valores republicanos, como os países nórdicos, a Alemanha, a Áustria e a Suíça.

"Estes países aderem tradicionalmente aos ideais de um Estado baseado no espírito público", explica.

O modelo rival está enraizado em uma filosofia política libertária que, em essência, coloca a liberdade individual acima dos interesses públicos.

Pacifistas

Na Suíça, uma proposta de um grupo pacifista para acabar com o serviço militar obrigatório ainda está pendente. O congresso do país iniciou as discussões sobre a iniciativa “Suíça sem Exército” em dezembro passado, mas a questão deve ainda ser discutida no Senado antes que o governo estabeleça uma data para um plebiscito.

Essa será a terceira vez em menos de 25 anos que a iniciativa é levada às urnas.

Em 1989, a iniciativa surpreendeu com 35,6% a favor que romperam tabus. Um projeto similar que previa o desmantelamento das forças armadas e a criação de um Corpo de Paz voluntário conseguiu 21,9% em uma votação de 2001.

No ano passado, o grupo pacifista, apoiado por partidos de centro-esquerda, entregou as assinaturas necessárias para uma iniciativa destinada a abolir o serviço militar obrigatório. O objetivo é a criação de um exército de voluntários, mantendo o serviço civil, mas em uma base voluntária.


Adaptação. Fernando Hirschy, swissinfo.ch


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