Navigation

Sistema de bacharelado profissionalizante luta para crescer

Estudantes da Universidade de Ciências Aplicadas do Leste da Suíça em setembro deste ano (antes da formação à distância ser imposta) Keystone / Gian Ehrenzeller

Obter uma qualificação que permite estudar depois de um aprendizado técnico é uma marca registrada do sistema de formação profissionalizante da Suíça, mas o número de jovens que seguem esse caminho está estagnado. Por quê? 

Este conteúdo foi publicado em 30. dezembro 2020 - 11:00

Antes, na Suíça, havia duas opções: formação universitária de nível superior ou cursos profissionalizantes conjugados com trabalho – as formações chamadas de ‘aprendizagens’. Mas o bacharelado profissional, introduzido na década de 1990, permitiu que os aprendizes continuassem a estudar para um bacharelado ou mestrado em uma das universidades de ciências aplicadas do país, onde a ênfase está em aplicações práticas e na indústria. 

Desde então, estudos internacionaisLink externo - e especialistas nacionaisLink externo - têm apontado essa permeabilidade no sistema de formação suíço como uma das chaves para o sucesso do país em manter baixo o desemprego juvenil, bem como sua competitividade e inovação.

A maioria dos países com ênfase no treinamento vocacional oferece algum caminho para o ensino superior posteriormente. “Mas o bacharelado profissional suíço se destaca porque não é um caminho pequeno e excepcional, mas uma grande ponte: dois terços de todos os jovens suíços participam de programas de aprendizagem e cerca de um quarto deles também recebem um bacharelado profissional”, explicou Jürg SchweriLink externo , professor do Instituto Federal Suíço de Educação e Treinamento VocacionalLink externo ( SFIVETLink externo ). 

Um eletricista pode, portanto, facilmente prosseguir para estudar engenharia elétrica na Universidade de Ciências Aplicadas (UAS) - onde os alunos são, em sua maioria, aprendizes qualificados. (Um exame extra é necessário para frequentar uma universidade acadêmica). 

Esta abordagem flexível foi projetada para garantir uma força de trabalho altamente qualificada para a economia moderna, disse Schweri. 

A ênfase no programa de formação profissionalizante significa que apenas cerca de 25% dos jovens freqüentam universidades na Suíça, o que é uma proporção baixa em comparação com outros países da OCDE, como Austrália e Estados Unidos.

Nenhum crescimento 

Mas um estudo recente do Instituto Federal Suíço de Educação e Treinamento VocacionalLink externo  descobriu que a aceitação do bacharelado profissional está estagnada, tendo aumentado apenas 7% nos últimos oito anos. Cerca de 13% das pessoas que fizeram cursos profissionalizantes, chamados aprendizes, obtêm a qualificação durante a sua formação profissional e cerca de 10% optam por um ano de curso posteriormente (esta opção está tornando-se mais popular e é responsável principalmente pelo aumento de 7%). É o primeiro modelo que está declinando, mostram as estatísticas, porque pode ser difícil para os aprendizes conciliar treinamento (estágios) e graduações acadêmicas. 

“O cronograma é difícil para os aprendizes”, disse Schweri. 

No sistema de aprendizagem de duas viasLink externo da Suíça , os jovens combinam o treinamento no trabalho com aulas em uma escola profissionalizante durante seus estágios. Aulas de bacharelado profissional vêm em cima disso, o que significa que um aprendiz deve ser muito motivado e bem organizado. 

Além disso, algumas empresas não gostam que seus aprendizes se ausentem muito. 

E ainda alguns pais - que são fundamentais para influenciar as escolhas profissionais dos filhos, feitas cedo, por volta dos 14 ou 15 anos - ainda não conhecem o bacharelado profissional, acrescentou. 

Desafios 

Um jovem assistente dentário que optou pelo bacharelado profissional disse em uma recente conferência online SFVET que era importante “manter seu objetivo de carreira em mente” e encontrar um equilíbrio entre trabalho e lazer ao buscar o diploma. 

Os jovens precisam e querem ser desafiados, acrescentou Oskar Egli, chefe do treinamento vocacional da HunkelerLink externo, uma empresa de processamento de papel onde todos os especialistas politécnicos aprendizes (envolvidos no desenvolvimento / produção de alta tecnologia) fazem o bacharelado profissional paralelamente aos seus estágios. “Do contrário, esses jovens simplesmente irão para as escolas de bacharelado [as escolas que levam à universidade regular]”, disse ele na conferência. 

Na verdade, a qualificação é geralmente obtida por aprendizes em algumas profissões mais exigentes do ponto de vista acadêmico - três quartos dos que participam têm apenas oito profissões, sendo as mais populares a engenharia eletrônica, funções laboratoriais e engenharia de design. 

A taxa de sucesso é de cerca de dois terços para a qualificação paralela e quatro quintos para o modelo de pós-aprendizagem, em que o estudante faz a qualificação acadêmica após finalizar o período de estágios. . 

Dos que passam no bacharelado profissional, dois terços vão para o ensino superior, com a maioria optando por uma universidade de ciências aplicadas, constatou o estudo. Os outros 30% mudam completamente de carreira.  

O bacharelado profissional é necessário? 

Será que o sistema de EFP suíço já oferece aos jovens uma perspectiva suficiente sobre o mercado de trabalho sem o bacharelado profissional? Já existem programas de ensino superior para aprendizes que não exigem o bacharelado vocacional, como o Diploma Federal Avançado de Ensino SuperiorLink externo , que envolve a aquisição de competências gerenciais e práticas mais profundas. Situações como essa provavelmente são parte da explicação para a estagnação da popularidade dos bacharelados profissionalizantes, de acordo com Schweri. 

Mas isso não quer dizer que não haja interesse na formação acadêmica. Um aprendiz de Hunkeler disse na conferência online que seu aprendizado lhe deu “a experiência na empresa”, mas que o bacharelado profissional lhe garantiu a possibilidade de estudar mais tarde em uma Universidade de Ciências Aplicadas, o que agrega mais teoria ao lado prático. 

“O bacharelado profissional se tornará ainda mais importante se a economia continuar a exigir trabalhadores cada vez mais qualificados”, destacou Schweri. 

Há um debate na Suíça sobre se mais jovens deveriam frequentar escolas de bacharelado e ir para a universidade. Mas, até agora, a Suíça manteve sua abordagem de 'primeiro treinamento profissionalizante'. 

“[Isso] significa que o número de alunos nos diferentes tipos de universidades precisa aumentar por meio do caminho bacharelado profissional”, disse Schweri. 

Entretanto, o bacharelado profissional pode ser dinamizado por várias medidas, como a repartição do trabalho durante e após a aprendizagem. “Devemos também focar nas questões pedagógicas e no apoio aos alunos, pois há um grupo significativo de aprendizes que inicia esses cursos e depois desiste”, disse Schweri.

Adaptação: Clarissa Levy

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.