Sankt Gallen: a cidade com o mosteiro e a mais bela biblioteca

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Você já esteve em St.Gallen? O jornalista Gabriel Barbosa, da antiga Rádio Suíça Internacional (RSI) transmitiu em 1977 uma reportagem especial sobre essa localizada ao nordeste da Suíça e famosa pela sua abadia. Encontramos o áudio nos nossos arquivos.

Este conteúdo foi publicado em 09. março 2019 - 12:15

"...Sankt Gallen (ou mais comumente St.Gallen), que traz denominação francesa de Saint-Gall, italiana San Gallo, correspondentes a São Galo em Portugal, é uma cidade - no Nordeste suíço - que parece não ter nenhuma atração especial, o que desmente essa reportagem.

Do morro de São Jorge, o ponto mais alto de St. Gallen, Edgar Ricardo von Büttner dá uma visão de conjunto do centro urbano, com o lago de Constança à direita e, à esquerda, a prefeitura e a estação ferroviária. Varrendo o panorama com o olhar, à direita, sobressai o hospital cantonal, um dos mais modernos da Suíça e, no centro, as duas torres da catedral, símbolos da cidade. As ruas em torno da igreja, em forma de circunferência, correspondem à antiga muralha de proteção.

A catedral, barroca, tornou-se de fato o emblema de St. Gallen. Edgar relaciona a fundação do monumento à fundação acidental da cidade por São Galo, monge irlandês a caminho de Roma. Companheiro de Columbano, Galo queria evangelizar uma Europa dominada pelos bárbaros. Ele chegou em 612 à região, onde, atacado por uma febre, construiu uma cabana em lugar ermo.

Lá surgiria uma comunidade religiosa, com a construção de um mosteiro beneditino em 719. No começo do século 9, quando St. Gallen já era centro econômico importante, o mosteiro exercia forte influência cultural na Europa, em particular com sua famosa biblioteca (Stiftsbibliothek) que dispõe, hoje, de aproximadamente cem mil volumes, inclusive incunábulos de grande valor histórico, pois resultam de um trabalho de artesão. A biblioteca é considerada um dos maiores tesouros do mundo ocidental. A Stiftsbibliothek, cujos primeiros catálogos mencionam 400 obras, reúne escritos até do século 8, além de conservar uma múmia egípcia do VII sec. a.C.

Em visita à cidade, chama a atenção nas casas os chamados Erkers (em alemão), espécie de balcões com vidraças, no primeiro andar (até parecidos com oratórios), destinados a servir de ponto de observação do que acontecia na rua. Cada família procurava enfeitar o melhor possível os trabalhos em madeira dos balcões. No que diz respeito a eventos, destaca-se em St. Gallen a feira de agricultura e pecuária, OLMA, Schweizer Messe für Landwirtschaft und Ernährung.

Consiste em uma mostra de máquinas agrícolas e produtos da terra: laticínios, exposição de gado, vinho... Sílvia apresenta em seguida a escola Superior de Estudos Econômicos e Sociais, um prédio moderno e recente para uma instituição tradicional, mais conhecida no setor de administração de empresas. A escola - que dispõe de obras de artistas famosos como Mirò, Tapies e Maria Penalba - tem um Instituto Latino-Americano que se ocupa de questões relacionadas com economia, sociologia, direito e cultura em geral, oferecendo curso de 4 anos.

St. Gallen é nome tradicionalmente relacionado com a indústria têxtil. Rendas e bordados da região, utilizados por grandes costureiros parisienses, são base da indústria química. Essa indústria teve influência em Zurique e deu origem à produção de colorantes em Basiléia. Norma de Lucca fala por fim das características de seu trabalho de bailarina no teatro St. Gallen: apresentar algo novo, criações, estimando que na Europa a ópera está sempre em primeiro plano. St. Gallen caracteriza-se pelo seu conservadorismo.

De fato, os divertimentos são escassos, o lazer se passa bastante nos numerosos cafés da cidade, onde a cerveja é a bebida mais consumida. St. Gallen tem apenas uma boate e o strip-tease começou apenas neste ano de 1977. Note-se que no centro da cidade, 60% da população têm mais de 50 anos...."

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