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Mulheres imigrantes enviam muito dinheiro a seus países



As remessas são um bom negócio para as empresas de transferencia de dinheiro.

As remessas são um bom negócio para as empresas de transferencia de dinheiro.

(Keystone)

As remessas de dinheiro dos imigrantes a seus países de origem continuam aumentando. O Banco Mundial estima que as remessas internacionais triplicam e ajudam no desenvolvimento.

Metade dessas remessas são feitas por mulheres, segundo a Organização Internacional de Migrações (OIM), com sede em Genebra. Todas procuram melhorar a vida de suas famílias.

“A necessidade me forçou a emigrar. Não tive medo de abandonar a Nicarágua rumo à Suíça”, recorda Socorro Morales. Quando partiu tinha mais de 45 anos e uma bagagem leve: uma passagem de avião e 500 dólares no bolso.

Um mês depois, em Genebra, teve sua primeira oportunidade como empregada doméstica. Treze horas por dia fazendo limpeza, cozinhando e cuidando de crianças. Em Tipitapa, perto de Manágua, o filho Abel e os avós a esperavam.

Os planos de Socorro tinham a precisão de um relógio suíço: trabalhar seis anos para juntar dinheiro suficiente para voltar para casa.

De seu magro salário - entre 1.200 e 1.500 francos suíços mensais – descontava despesas de aluguel, comida, seguros e transporte e conseguia economizar 135 francos para enviar à família.

A Organização Internacional para Migrações (OIM) conta a história de Socorro, cujos planos mudaram há cinco anos, quando estava na Suíça , com o diagnóstico de um câncer.

Até aquele dia, Socorro era, sem saber, uma peça da grande engrenagem formada pelas remessas internacionais femininas.

Dinheiro e reequilíbrio entre gêneros

Atualmente, “o Banco Mundial é a única organização internacional que faz estimativas regularmente do volume de remessas”, explica a swissinfo.ch Nicole Anette Mueller, porta-voz da Secretaria Federal de Economía (Seco).

No ano passado chegaram a 3,2 bilhões de francos suíços, de acordo com o Factbook of Migration and Remittances em sua edição 2011; isso corresponde ao triplo do orçamento internacional de ajuda ao desenvolvimento; é ainda equivalente aos investimentos diretos estrangeiros nos países em desenvolvimento.

Segundo o estudo Gênero, Migração e Remessas da OIM, as mulheres imigrantes enviam tanto dinheiro quanto os homens. Mesmo ganhando menos do que eles, conseguem mandar uma proporção maior do que ganham, mas também de forma mais regular e durante mais tempo.

Essas remessas são um alívio econômico para as famílias receptoras, mas também um fator de reequilíbrio entre gêneros, sublinha a OIM. É que mulheres que enviam dinheiro assumem um papel que não tinham e as que recebem assumem novas responsabilidades na administração do orçamento familiar.

A Suíça entre os três primeiros

A liderança da Suíça em bancos e inovação é conhecida. Muito menos, no entanto, é que ocupa lugar de destaque no mercado internacional de transferências financeiras pessoais.

“É um dos dez principais países geradores de remessas”, afirma Dovelyn Rannveig Agunias, pesquisadora da OIM para a região Ásia-Pacífico.  

“Em 2009 a Suíça estava em terceiro lugar (1,78 bilhões de francos) depois dos Estados Unidos (4,4 bilhões de francos) e Arábia Saudita (2,37 bilhões), segundo o Banco Mundial”, acrescenta Agunias.

De acordo com os dados mais recentes do Banco Mundial, em 2010 as remessas da Suíça totalizaram 2,06 bilhões de francos. Os dados de 2011 ainda não estão disponíveis.

  

A Secretaria Federal de Economia (Seco) reconhece a importância desse fenômeno econômico e da participação das mulheres, mas reconhece que a Suíça carece de dados detalhados.

“As pessoas enviam dinheiro através de empresas de transferência que não são obrigadas a dar qualquer informação estatística”, explica Mueller.

“Em 2011, as mulheres representavam 49% da população imigrante na Suíça. Seguramente elas têm uma contribuição essencial, mas talvez não cheguem a 50% do total porque ganham menos do que os homens.”

Múltiplos perfís

A Divisão Federal de Estatísticas (OFE na sigla em francês) cifra em 900 mil as mulheres estrangeiras na Suíça. “Os perfis são diversos”, afirma Doro Winkler, porta-voz do Centro de Apoio a Mulheres Migrantes e Vítimas de Maus Tratos (FIZ), em Zurique.

“Algumas trabalham legalmente (porque têm contrato de trabalho ou por casamento). Outras estão ilegais, e entre elas algumas estão na prostituição, porém outras são babás de crianças ou cuidam de idosos, trabalham em casa ou fazem faxina.”

Winkler e outros especialistas concordam que não é possível  determinar quantas mulheres enviam dinheiro para seus países. No entanto, o Banco Mundial reconhece como receptores dessas remessas países como Bósnia, Argélia, China, Colômbia ou Croácia.

Voltar para casa

Socorro Morales recebeu cuidados médicos na Suíça e superou o câncer. “Durante minha convalescência, um assistente social me falou do Programa de Retorno Voluntário da OIM e pensei de imediato em me inscrever”, explica a nicaraguense.

Esse programa dá 3 mil francos suíços aos imigrantes que decidem voltar ao país e começar um negócio, observa Nuria Piñero, porta-voz para a América da OIM. Socorro Morales montou um ateliê de costura em abril de 2011.

A exemplo de Socorro, todo ano uma imensa rede de mulheres envia remessas da Suíça para propiciar a suas famílias o bem-estar que seus países de origem não dão.

Uma vida melhor

Atualmente, cerca de 630 milhões de adultos no mundo gostariam de mudar para outro país, embora somente 48 milhões têm planos concretos para emigrar, segundo o estudo publicado este mês pela empresa internacional de pesquisa Gallup, depois de entrevistar 750 mil pessoas em 150 países.

A Organização Internacional para Migrações (OIM) afirma que o número real de imigrantes internacionais é atualmente de 214 milhões de pessoas, o que equivale a 1 em cada 33 habitantes do planeta.

Os países com maior porcentagem de imigrantes são Catar (87%), Emirados Árabes Unidos (70%) Jordânia (46%), Cingapura (41%), Arábia Saudita (28%) e Suíça (21%), entre outros.

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Dados importantes

A Organização Internacional para Migrações (OIM) foi fundada em 1951, depois dos movimentos de população na Europa provocados pela Segunda Guerra Mundial.

De acordo com seus dados:

Os 214 milhões de imigrantes atuais correspondem ao quinto país mais populoso do mundo.

49% dos imigrantes são mulheres.

As remessas internacionais de dinheiro quadruplicaram nos últimos 12 anos.

Os principais países beneficiários das remessas são Índia, China, México, Filipinas e França.

Os principais países geradores de remessas são Estados Unidos, Arábia Saudita, Suíça e Rússia.

O Banco Mundial estima que da Suíça são enviadas remessas regulares para a Argélia, Bósnia, Brasil, China, Colômbia, Croácia, República Dominicana, mas também para países europeus como Espanha, Itália, Francia, Áustria, Portugal e Bélgica.

8 de março é o Dia Internacional da Mulher.

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Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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