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Sérvia prende ex-general acusado de genocídio



O general Ratko Mladic em 1993.

O general Ratko Mladic em 1993.

(Keystone)

O antigo chefe militar dos sérvios da Bósnia, Ratko Mladic, foi preso quinta-feira (26), conforme anúncio de autoridades sérvias. Ele é acusado de genocídio e crime de guerra e estava foragido

Com essa detenção, três anos depois da prisão de Radovan Karadzic, o trabalho da suíça Carla del Ponte, ex-procuradora do Tribunal Penal Intrernacional para a antiga Iogoslávia, é finalmente recompensado.

Ratko Mladic foi preso na manhã de quinta-feira (26) na Sérvia. “Em nome da República da Sérvia, posso anunciar a prisão de Ratko Mladic. O processo de extradição está em curso”, anunciou o presidente sérvio Boris Tadic, em coletiva à imprensa em Belgrado.

Os detalhes da detenção pela polícia sérvia não foram comunicados. Segundo diversas fontes sérvias, parece que o homem, que respondia pelo nome de Milorad Komadic, foi localizado em Voïvodine (Sérvia setentrional), onde trabalhava em uma fazenda.

O antigo general foi inculpado por genocídio pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIY), sediado em Haia, na Holanda, pelo massacre em 1995 de 8 mil bósnios muçulmanos em Srebrenica, leste da Bósnia, durante o cerco de Sarajevo.

Se for condenado pelas 15 acusações de perseguições, exterminações, mortes, deportações, atos inumanos, sequestros e atos de terror, ele pode ser condenado à prisão perpétua.

A previsão de Carla del Ponte

Em agosto de 2008, a suíça Carla del Ponte, antiga procuradora do TPIY, tinha comentado a prisão do ex-presidente bósnio-sérvio Radovan Karadzic afirmando que a de Ratko Mladic viria cedo ou tarde porque havia uma vontade clara da Sérvia nessa direção.

“Depois que deixei o TPIY, em dezembro de 2007, estava frustrada de não poder obter essas detenções. Hoje, estou muito contente: os fatos provam que nossa estratégia estava certa”, havia então declarado.

E os fatos atuais o provam novamente, pois diante da imprensa, o presidente sérvio anunciou a “extradição imediata”, de Ratko Mladic para Haia.  

Último dos grandes criminosos

Ratko Mladic juntamente com seu mentor político Radovan Karadzic, capturado em 2008, é o último suposto grande criminoso de guerra procurado nos Bálcãs.

Em 15 de maio de 1992, quando a Bósnia votou a independência por referendo, o presidente autoproclamado dos sérvios da Bósnia, Radovan Karadzic, nomeou Mladic comandante do exército sérvio da Bósnia, cargo que manteve até dezembro de 1996. Ele organiza o cerco de 43 meses a Sarajevo e comanda as tropas que tomam, em julho de 1995, o enclave muçulmano de Srebrenica.

No final de 1995, o TPIY o inculpa de genocídio pelo cerco de Sarajevo e os massacres de Srebrenica. Com a queda de Slobodan Milosevic em Belgrado, em outubro de 2000, ele perde a proteção oficial do Estado sérvio.

Ratko Mladic entra na clandestinidade em 2001 e escapa das forças internacionais. Segundo a Otan, ele se escondia desde 2004 em um antigo bunker, juntamente com antigos companheiros de armas e saiu de lá na cara da polícia bósnia.

Famiílias de vítimas aliviiadas

As famílias das vítimas do massacre de Srebrenica declararam imediatamente estar satisfeitas com a prisão do ex-general. "É realmente muito importante", declarou Hajra Catic, presidente da Associação de Mulheres de Srebrenica, cujo marido e filho foram mortos durante o massacre.

Ainda no nível das reações, Catherine Ashton, chefe de política externa da União Europeia, saudou a detenção como "uma etapa importante para a Sérvia e a justiça internacional". Ela reclamou a transferência de Ratko Mladic sem demora ao TPIY.

"É uma questão política, mas eu posso confiar a todos meu sentimento de satisfação de ver a lei sendo aplicada", declarou ao mesmo tempo o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger. "Minha impressão é que o combate contra a impunidade está começando a se tornar sério."

A Organização do Tratado Atlântico Norte (OTAN) também saudou a detenção de Ratko Mladic, estimando que ela ofereça uma possibilidade "para que a justiça seja feita", dezesseis anos após seu indiciamento por genocídio e crimes de guerra. "Eu parabenizo vivamente a mais recente prisão de Ratko Mladic e o fato que sua extradição à Haia esteja já a caminho", declarou em um comunicado o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen.

Um passo em direção à Europa

A União Europeia havia aumentado nos últimos tempos a pressão sobre o governo iugoslavo em Belgrado, colocando a detenção de Ratko Mladic no pacote de negociações para a integração à UE. A prisão na quinta-feira poderá, então, acelerar a adesão da Sérvia.

O jornalista especializado em questões humanitárias para os jornais "Le Temps" (Suíça) e "Libération" (França), Pierre Hazan, também compartilha a opinião que a perspectiva europeia teve um papel importante na prisão do ex-general. "As lembranças da guerra desaparecem um pouco", declarou à swissinfo.ch. "Atualmente há muitos problemas econômicos. A Sérvia gostaria de fazer parte da União Europeia e ter boas relações com organizações internacionais como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, onde os países ocidentais têm um papel predominante. Por todas essas razões, creio que era preferível ao governo de prendê-lo."

"Apesar de desejar ser prudente nessa questão, meu sentimento é que existem na Sérvia inúmeros jovens que gostariam de ver o passado ser esquecido e tentar encontrar um emprego", explica. "Isso poderia ser uma prioridade."

Procurados

Das 161 pessoas acusadas pelo Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPIY, na sigla em francês) em Haia, nos Países Baixos, desde a sua criação em 1993, apenas uma delas continua foragida: o ex-presidente da Krajina.

Goran Hadzic, 52 anos, antigo presidente da República sérvia autoproclamada da Krajina, que chegou a ocupar um terço do território da Croácia durante a guerra (1991-1995) é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade.

Ele desapareceu do seu domicílio após a publicação da sua inculpação em julho de 2004 e não se rendeu, apesar dos apelos do governo sérvio. Ele deve responder a quatorze acusações de crimes de guerra e contra a humanidade por sua implicação presumida na morte de centenas de civis croatas e a deportação de milhares de croatas e outras populações não sérvias durante o conflito.

Sua denúncia menciona de maneira específica sua responsabilidade no massacre do hospital de Vukovar, o qual 250 croatas e outras não sérvios foram assassinados

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Massacre de Srebrenica

Foi a matança, em julho de 1995 de até 8.373 bósnios, variando em idade de adolescentes a idosos, na região de Srebrenica em Bósnia e Herzegovina pelo Exército Sérvio da Bósnia sob o comando do General Ratko Mladić e com a participação das forças especiais da Sérvia conhecidos como "Escorpiões".

Em várias ocasiões foram assassinadas crianças e mulheres.

Considerado um dos eventos mais terríveis da história europeia recente, o massacre de Srebrenica é o maior assassinato em massa da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Foi o primeiro caso legalmente reconhecido de genocídio na Europa depois do Holocausto.

De acordo com o Tribunal Criminal Internacional para a antiga Iugoslávia (International Criminal Tribunal for the former Yugoslavia - ICTY), ao tentar eliminar uma parte da população bósnia, as forças sérvias cometeram genocídio.

Elas pretenderam a extinção de 40 mil bósnios que viviam em Srebrenica, um grupo emblemático dos bósnios em geral. (Fonte: Wikipédia em português)

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swissinfo.ch com agências


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