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Tecnologia dá voz ao passado

Um microscópio de alta definição funciona como uma "agulha" que lê a foto do disco antigo a ser recuperado. www.eif.ch/visualaudio

Pesquisadores da Escola de Engenharia de Friburgo desenvolvem em colaboração com Fonoteca Nacional Suíça tecnologia para recuperar documentos sonoros utilizando câmara fotográfica, microscópio e computador.

Este conteúdo foi publicado em 21. setembro 2004 - 09:12

O sistema revolucionário permite até escutar discos quebrados e arranhados.

Escutar o som que sai do computador é como viver um milagre. O “Addio a la caserna”, uma canção militar típica do cantão do Tessin, foi gravada em 1929. O disco de 78 rotações está completamente arruinado, apresentando fissuras e fungos na sua superfície. Nenhuma agulha no mundo é capaz de tocar essa bolacha.

Porém existe um aparelho capaz de recuperar esse documento histórico e até mesmo, se necessário, de dar a voz para um disco partido em vários pedaços.

“Visual Audio” é o nome de uma nova tecnologia criada por um grupo de pesquisadores e estudantes da Escola de Engenharia de Friburgo. Através dela, informações encontradas nas antigas bolachas são fotografadas, analisadas por um microscópio e depois interpretadas no computador. O resultado sai dos seus autofalantes e impressiona até o mais purista dos amantes de música.

Fungos e danos nos arquivos

Até a introdução de sistemas de gravação magnética em 1950, as rádios e gravadoras em todo o mundo registravam suas produções em discos de acetato compostos por camadas de verniz sobre vidro ou alumínio.

A grande desvantagem do material está na sua fragilidade e dificuldade de conservação: os discos antigos são arranhados, quebram facilmente e se ressecam com o passar dos anos. Qualquer toque pode destruir os sulcos onde estão registradas as informações. Além disso, a umidade traz fungos que danificam discos se eles não estiverem guardados em temperaturas ideais.

Para os funcionários da Fonoteca Nacional Suíça, uma instituição pública encarregada de preservar a memória fonográfica do país dos Alpes, era necessário encontrar uma solução para evitar a perda dos 250 mil discos guardados nos seus depósitos.

“Em julho de 1999 tivemos a idéia de fotografar os discos em mau estado e depois tentar ler as fotos digitalmente”, lembra-se o engenheiro de som Stefano Cavaglieri. Para realizar esse trabalho, a instituição procurou ajuda na Escola de Engenharia de Friburgo, que criou uma equipe interdisciplinar para resolver o problema.

Guardar o som em forma de filme

“Nosso desafio era encontrar um método de ler os discos sem tocar na sua superfície e desenvolver um meio de conservar as informações contidas neles. Por isso decidimos que fotografar os discos seria a melhor escolha, pois filmes de boa qualidade duram centenas de anos”, explica Sylvain Stotzer, doutorando em informática e um dos autores do “Visual Audio”.

Num disco comum, a informação musical é extraída por uma agulha que percorre um sulco e vibra de acordo com as irregularidades na sua superfície. Assim ela reproduz mecanicamente o som gravado. “Isso significa que a informação musical pode ser vista”, lembra o professor Ottar Johnsen e chefe do projeto.

Para registrar essas informações, o grupo desenvolveu uma máquina fotográfica especial. Nela, o disco a ser recuperado é colocado em cima de uma placa de vidro e depois é batida uma foto, utilizando filmes de alta resolução do mesmo tamanho da bolacha.

O negativo é colocado depois numa espécie de toca-discos. Porém ao invés da agulha, ele utiliza um potente microscópio que escaneia as informações contidas em cada sulco do disco e as leva para um computador.

Um programa especialmente desenvolvido para o “Visual Audio” interpreta então o sinal recebido e o transforma em som. O resultado aparece no autofalante: o som original de um disco de 1929 com música e seu chiado característico.

A grande vantagem da nova tecnologia é que também é possível recuperar um disco quebrado em várias partes: - “Para isso é necessário juntar o material, escanear os sulcos e depois colar as informações através do "software". Mesmo se uma pequena parte faltar, é possível presumir o que ela continha. Afinal, num som existe sempre uma grande repetição de freqüências”, revela Ottar Johnsen.

20% dos discos em estado crítico

A primeira série de testes com o “Visual Audio” foi considerada um sucesso. O objetivo principal da equipe do professor Ottar Johnsen é ter um protótipo pronto até o final de 2005. Para isso será necessário melhorar a análise digital da imagem e, dessa forma, permitir a leitura de discos em estado de conservação ainda mais precários. Também o processo de fotografia desse ser automatizado para o trabalho em série.

O primeiro usuário da nova tecnologia será a própria Fonoteca Nacional Suíça. Mais de vinte por cento do seu acervo, aproximadamente 50 mil discos, correm risco de deterioração. “Muitos deles estão arranhados, quebrados ou já foram atacados por fungos”, exaspera-se Pio Pellizzari, diretor da instituição.

Esse material terá prioridade e serão fotografados assim que o “Visual Áudio” estiver pronto para o uso. Os filmes poderão ser arquivados com segurança e por um longo período. Em alguns casos, eles serão escaneados e reproduzidos em áudio digitalmente. “Muitas vezes não sabemos nem o que eles contém e depois de recuperados, nos surpreendemos com seu valor histórico”.

Depois que esse processo for concluído, a Fonoteca Nacional Suíça pretende arquivar os discos únicos e também os grandes acervos. A colaboração com outras fonotecas no mundo também não está excluída. Quanto à utilização privada do “Visual Audio”, ela é até desejada pelos seus criadores. “Eu não posso nem imaginar a riqueza fonográfica que muitas pessoas têm em casa”, sonha o doutorando Stotzer.

swissinfo, Alexander Thoele

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