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Testes rápidos para Covid-19 poderiam oferecer um caminho de volta ao normal

Alguns países como a Índia fizeram dos testes rápidos de antígenos uma parte fundamental da estratégia para conter o coronavírus. Keystone / Str

A empresa farmacêutica suíça Roche planeja lançar um teste que pode detectar o coronavírus em 15 minutos. Testes como este poderiam se tornar a norma?

Este conteúdo foi publicado em 28. setembro 2020 - 08:15

Sem nenhuma vacina à vista por pelo menos alguns meses, os testes estão se tornando uma parte mais importante da contenção do coronavírus. Os testes de antígenos, que detectam a presença de um antígeno viral específico como as proteínas, prometem reduzir drasticamente o custo e o tempo para receber os resultados, permitindo que as pessoas se dediquem a seus trabalhos.

Mas os testes rápidos de antígenos não são tão sensíveis quanto a tecnologia RT-PCR (Polymerase Chain Reaction) padrão ouro que tem sido amplamente utilizada até agora. Com o teste de antígeno Roche, há uma chance de menos de 0,5% para um falso positivo, mas 3,48% de um falso negativo, o que significa que ele não vai pegar todas as pessoas infectadas.

Como mais países se abastecem de testes rápidos de antígenos, alguns dos quais são tão rápidos e fáceis de usar como um teste de gravidez, até que ponto devemos nos preocupar se eles deixarem escapar algumas infecções?

Isso não parece ser um grande problema, de acordo com alguns especialistas. Embora os testes ainda precisem ser validados pelas autoridades sanitárias, eles poderiam proporcionar uma nova maneira de administrar a crise e evitar quarentenas dispendiosas, se concentrando nas pessoas mais propensas a espalhar o vírus.

A virologista Isabella Eckerle, que é a chefe do Centro de Doenças Virais Emergentes da Universidade de Genebra, disse ao jornal de língua alemã NZZ am Sonntag há algumas semanas que os testes rápidos são uma alternativa promissora. 

Embora sejam menos sensíveis, "os testes rápidos identificam pessoas infectadas que têm uma carga viral alta e que atualmente são contagiosas. Quando estou no final da minha doença e só me resta uma pequena quantidade de vírus, o teste rápido pode voltar negativo, mas eu não sou mais contagioso de qualquer forma".

Testes inteligentes

Tim Pfister, CEO da ender diagnostics, concorda com Eckerle e diz que está na hora de mudar para o que ele chama de "sistemas de testes inteligentes". Ao invés de pegar todos os infectados, Pfister disse à swissinfo.ch, os testes devem procurar portadores do vírus com testes que são projetados especialmente para esse fim. Isto ajuda a identificar os super-transmissores, alguns dos quais podem não apresentar nenhum sintoma.

"Nem todos que têm o vírus podem transmiti-lo. Isto porque, para transmitir o vírus, é preciso uma certa carga viral. E uma carga viral maior requer menos sensibilidade para ser detectada por um teste".

Há alguns meses, a ender diagnostics recebeu a marca CE para seu primeiro teste de diagnóstico rápido para a Covid-19, que usa uma tecnologia similar à PCR chamada tecnologia isotérmica. Recentemente, a empresa assinou uma parceria com a companhia aérea SWISS para testar a tripulação de cabine de voos de longo curso para destinos onde é necessário um teste de coronavírus. Atualmente, a ender está em discussões com outras companhias aéreas, operadoras de cruzeiros e resorts e empresas de festivais ao ar livre.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a Roche é uma das quase cem empresas que desenvolvem ou fabricam testes rápidos de antígeno Covid-19.

Quantidade vs qualidade

Alguns especialistas temem que uma estratégia baseada em testes de antígenos não tenha sucesso em pessoas infecciosas e resulte em surtos em países que em grande parte restringiram a transmissão do coronavírus. Eles argumentam que ainda não está claro qual é a carga viral abaixo da qual uma pessoa não é mais contagiosa.

"A questão é: qual é o limite seguro? Porque no momento em que você se engana, toda a ideia implode", disse Marion Koopmans, virologista do Centro Médico da Universidade Erasmus, na Holanda, à revista Nature, no início deste mês.

Roche acrescentou que como os testes de antígenos são menos sensíveis que a PCR, há uma hipótese de que eles identifiquem pessoas que são mais infecciosas, mas isto não foi totalmente comprovado.

Atualmente, não há testes verdadeiramente quantitativos para a Covid-19, disse um porta-voz da Roche. "A razão é simples. Não existe nenhum padrão universalmente aceito para a carga viral do SARS-COV-2". Os esforços liderados pela OMS para criar tal padrão estão em andamento, mas "ainda não estamos lá".

Em uma nota de orientação divulgada em 11 de setembro, a OMS declarou que os testes de antígenos têm maior probabilidade de ter bom desempenho em pacientes com altas cargas virais, mas que são necessárias mais evidências.

Em ambientes hospitalares, os especialistas ainda incentivam o uso de testes PCR.

Não tão rápido

Ao contrário de muitos outros países, a Suíça não tem pressionado para realizar testes rápidos em massa. As autoridades suíças de saúde pública ainda só recomendam que as pessoas com sintomas sejam testadas.

O jornal NZZ am Sonntag informou que as autoridades sanitárias estão preocupadas com os problemas de entrega se houver um grande aumento nos testes. Na semana passada, cerca de 12.000 testes foram realizados por dia na Suíça. Há informações de que há capacidade suficiente para 20.000 testes por dia.

O governo está sendo confrontado com mais exigências para impulsionar os testes, especialmente por parte do setor de viagens. A SWISS pediu centros de testes nos principais aeroportos suíços ao invés de quarentenas que são atualmente necessárias para qualquer pessoa que venha de uma área de alto risco. Vários países, incluindo a Alemanha e a França, exigem que alguns viajantes sejam testados para a Covid-19 antes da entrada.

No mês passado, os Estados Unidos anunciaram que estavam gastando US$ 760 milhões para aumentar a produção de testes rápidos de antígenos, que também se tornaram um elemento-chave nas estratégias de testes de outros países, como a Índia e a Itália.

Adaptação: Fernando Hirschy

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